"Gee Vaucher: ‘Anarchists wasn’t a title we gave ourselves’" + "Gee Vaucher: the visual artist behind Crass on curiosity, communal living and where punk went wrong"
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02 February 2026
26 January 2026
"Thrown Away"
(sequência daqui) Segundo o comunicado de imprensa, de tudo isto resultaria Live At the Horse Hospital, "um exemplo de como as coisas devem ser feitas. Gloriosamente desprovido das pretensões e da exaltação da personalidade do rock'n'roll, este álbum é um vibrante apelo à liberdade. Oiçam-no por vossa conta e risco!". Na verdade, dir-se-ia tratar-se quase só de uma obstinada persistência, um acto de rebeldia, um desafio às convenções da música e da performance. A voz de Libertine, fragmentada e primitiva, rasga por entre a dissonância sussurrada e a guturalidade abrasiva. Leblanc, por seu lado, oferece um cenário sonoro minimalista e inquietante de paisagens sonoras voláteis — eletrónica distorcida, field recordings e ritmos desconcertantes que se fundem com a crueza da voz de Libertine, estridente e confrontacional. Desta vez, não se prevê que sejam levados a tribunal por blasfémia e obscenidade como há 40 e tal anos.
30 November 2025
CRASS: THE SOUND OF FREE SPEECH
"Crass took the DIY ethic of punk to its extreme, controlling every aspect of their art and lives" – George Berger, author of The Story of Crass
Celebratory, shocking and raw, this film is as close to the story of the anarcho-punk band as you're going to get... Crass were an art collective and punk band that formed in Essex in 1977, and disbanded in 1984. They promoted anarchism and a movement of resistance that awakened and appealed to many.
Directed by Brandon Spivey
Music by Crass
Featuring: Penny Rimbaud, Mike Duffield, Annie Bandez, Steve Ignorant, Ben Ponton, Pete Wright"
22 January 2021
(sequência daqui) Penny Rimbaud tinha pouco mais que uma intuição: "Fascinava-me a ideia de descobrir de que modo o maior dos poetas franceses lidaria com as enormidades da guerra e o que, hoje, num mundo tão obcecado pelo conflito, a dor e o sofrimento, isso poderia valer. Tomei de empréstimo os ouvidos de John Coltrane e os olhos de Jackson Pollock e aventurei-me num inferno em vida com Arthur ao meu lado. Não me surpreendeu que fosse necessária tão pouca persuasão para o convencer. Era da sua natureza estar pronto a morrer para melhor viver. Mas interrogava-me acerca do que buscaria ele nisto. Quando lho perguntei, a resposta foi imediata: ‘Mais’”. Em 10 intermezzos instrumentais e 11 peças de "spoken word", três saxofonistas – o lendário Evan Parker, Louise Elliott e Ingrid Laubrock – incorporam simultânea e estridentemente Coltrane e Pollock enquanto Penny vocifera os passos da travessia do horror (“I have a strange feeling that neither of us survived the terror of Verdun. Yes, we were detritus, and in that we found ourselves and each other, the void was complete, and another dawn broke above the carnage”) que se conclui em fúria como deve: “The smug satisfaction of the bourgeoisie, fuck you, fuck you and your hollow whimsy!”. (ver também aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui)
12 January 2021
(a propósito deste post)
"Começam a revoltar-se contra o desprezo a que os lançaram. É ler as cartas dos soldados [do Corpo Expedicionário Português na Primeira Guerra Mundial], de onde transborda um fel de desespero. Outros, então, resvalando do desespero à melancolia e daí à indiferença apática, emparveceram. (...) Pálidos, magros, extenuados, os pulmôes roídos pelos gases, os pés triturados das marchas, sem esperança nem apoio moral, arrastam-se sob o imenso fogo que tomba do cèu, por essas estradas, como uma legião miserável de abandonados" (Jaime Cortesão, citado por Maria Filomena Mónica em O Meu País - Notas sobre Nacionalismo; ver também aqui, aqui, aqui, aqui e aqui)
03 January 2021
A TRAVESSIA DO HORROR
A batalha de Verdun, travada em 1916 entre França e Alemanha durante a primeira Guerra Mundial, durou 302 dias e teve um custo de 714 231 vidas humanas. Num cenário aterrador de lama, cadáveres e destroços, um oficial francês escreveria no seu diário: “A humanidade enlouqueceu. Só por loucura poderá isto estar a acontecer. Que massacre! Que cenas de horror e carnificina! O inferno não pode ser tão terrível”. O infame título da mais longa e uma das mais sangrentas batalhas da História pertence-lhe. Teve lugar 25 anos após a morte de Arthur Rimbaud. O que não impediu Jeremy John Ratter – aliás, Penny Rimbaud, "elder statesman" do anarco-punk britânico com currículo lavrado à frente dos Crass – de, em Arthur Rimbaud In Verdun, se ficcionar ao lado do iluminado poeta francês nos campos da morte da Frente Ocidental. (daqui; segue aqui; ver também aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui)
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30 December 2020
Penny Rimbaud (c/ Kate Shortt/cello & Liam Noble/piano) - "For These Who Die As Cattle" (the war poems of Wilfred Owen)
21 December 2020
MÚSICA 2020 - INTERNACIONAL (V)
(iniciando-se, de baixo para cima *, de um total de 38)
* a ordem é razoavelmente arbitrária...
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12 February 2019
DESORDENADAMENTE

“Anarco-punk”. Procure-se onde se procurar pelos Crass (“an English art collective and punk rock band formed in 1977 who promoted anarchism as a political ideology”, informa a Wikipedia) é impossível encontrá-los descritos de outra forma que não essa. E, no entanto, hoje, Penny Rimbaud (motor estético e político da banda), a pretexto da reedição iminente da totalidade da discografia dos Crass, não hesita em declarar à “Uncut”: “Usar símbolos anarquistas foi apenas uma forma de dizermos ‘Fuck off!’ à esquerda e à direita. Nenhum de nós tinha qualquer ligação ao pensamento anarquista. Desconhecíamos e continuamos a desconhecer a teoria anarquista, nunca nos interessámos por isso. A última coisa que teríamos desejado era ser vistos como líderes do movimento anarco-punk”. Em 1976, "Anarchy In The UK" poderá ter lançado fogo ao rastilho mas o que Rimbaud e Steve Ignorant (logo depois, também Eve Libertine, Gee Vaucher, Joy De Vivre e vários outros), na comuna Dial House, no Essex, construiam era uma ponte entre a contracultura dos anos 60 e o emergente punk sobre a qual se cruzavam desordenadamente, o situacionismo, os "beats", o dadaísmo, o zen, a "performance art", Baudelaire, os "angry young men", e o existencialismo, com banda sonora a condizer – um caldeirão das bruxas onde ferviam Benjamin Britten, free jazz, Beatles, John Cage, Bowie, Stockhausen, e os Clash.
Durante 7 anos, até 1984 (quando a banda se extinguiu), da Dial House, saíram também panfletos, filmes, expedições de grafitagem dos túneis do metro com mensagens pacifistas (ou nem tanto), feministas, anti-religiosas, de apoio a "squats" ou à duríssima greve dos mineiros. A coroa de glória dos Crass seria, no entanto, a operação Thatchergate Tape: uma tosca montagem doméstica das vozes de Margaret Thatcher e Ronald Reagan (enviada para a imprensa durante a campanha eleitoral de 1983), na qual, em conversa telefónica fictícia, discutiam a guerra das Falklands e a possibilidade de a Europa ser um alvo para as armas nucleares num conflito entre os EUA e a União Soviética. O Departamento de Estado americano e o governo britânico morderam o isco, atribuiram a divulgação da cassete ao KGB e documentos classificados chegariam aos jornais até o logro ser, enfim, descoberto. “Se fosse hoje, seríamos presos”, diz Penny Rimbaud que, 30 e tal anos mais tarde, coloca toda a esperança e optimismo no poder de higienização mental que a ciência pode trazer: “É a nova poesia. Estou muitos passos atrás de Richard Dawkins”.
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