Showing posts with label Pacheco Pereira. Show all posts
Showing posts with label Pacheco Pereira. Show all posts

14 April 2026

Como é que o JPP poderá ter imaginado que, com uma moderação absolutamente inexistente e sem regras que, à primeira interrupção, permitissem silenciar o taberneiro, poderia sair algo de diferente das habituais peixeiradas do neo-facho? (o projecto do açaime político continua por concretizar)

11 February 2023

"A questão é hoje muito simples: não há fim da guerra sem a Rússia abandonar, ou ser obrigada a abandonar, as anexações que fez de parte importante da Ucrânia, que vão muito para além das zonas separatistas pró-russas. A partir do momento em que Putin e o Parlamento russo declararam que as chamadas 'repúblicas populares' de Donetsk e Lugansk e as regiões de Kherson e Zaporijia, todas em território ucraniano, eram parte do território da Federação Russa, a Ucrânia, a União Europeia, a NATO e uma parte importante dos países na ONU nunca poderão aceitar que uma guerra ofensiva redefina as fronteiras da Europa. (...) Putin devia rezar a todos os seus santinhos para que a guerra na Ucrânia não seja a guerra NATO ou EUA versus Rússia, como ele a descreve na propaganda, porque então as enormes fragilidades convencionais que se têm revelado, mesmo com surpresa para o 'Ocidente', levariam a uma derrota militar rápida e humilhante. (...) Pareço beligerante e belicoso, sem consideração pela 'paz' dos invasores? Não pareço, sou. Não quero viver numa Europa em que um Estado autocrático e imperial dita as regras de Vladivostok a Lisboa. Prefiro a Rússia de Tolstoi, ou melhor ainda de Tchekhov, de atenção aos mais fracos, de percepção sobre a fragilidade humana, de recusa da brutalidade e da força. Essa, sim, é poderosa e nunca será derrotada" (JPP)

23 October 2022

Habituemo-nos àquilo a que nunca nos deveríamos habituar

"A guerra da Ucrânia vai-se agravar em termos militares, em termos de destruição, em termos de mortes civis. A guerra da Ucrânia não tem solução negociada. A guerra da Ucrânia vai-se alastrar em termos geográficos e nacionais. A guerra da Ucrânia vai chegar ao limiar de um conflito nuclear, não penso que o ultrapasse. Para já. Quem não compreende isto não se prepara como deve. Nenhuma previsão realista pode deixar de ter em conta estas circunstâncias: estamos em guerra com todas as consequências económicas, sociais, militares e políticas. Não é uma questão de a desejarmos, é um facto. As acusações de belicosidade só podem ter um destinatário, Putin, e, quando não têm e misturam tudo, são pura hipocrisia. 

Acho, apesar de tudo, que vários governos democráticos, incluindo o português, já o perceberam. Podem não ter tirado ainda todas as consequências, mas sabem que vamos conhecer anos, senão décadas, marcados pela guerra da Ucrânia, seja 'a quente' seja 'a frio'. Deixo de parte os aliados objectivos de Putin, quer na direita, quer na esquerda que, mesmo com um palavreado sobre a 'paz', a última coisa que desejam é que a Rússia perca a guerra que provocou. (...) 

A afirmação de que esta guerra não tem solução negociada é talvez a mais controversa e a que precisa de explicação. Em bom rigor, penso que nunca a teve, mas agora é mais evidente que não tem, desde que a Rússia anexou os territórios ucranianos na federação. Este é um ponto sem retorno, porque a partir da anexação não é possível haver uma paz que não seja a rendição da Ucrânia com perda do seu território nacional. Por outro lado, Putin nunca pode recuar nessa incorporação imperial, sem admitir que perdeu a guerra e que as reivindicações territoriais russas na Ucrânia, incluindo a Crimeia, na Geórgia, na Moldova, são ocupações por uma potência estrangeira. Se a paz já era difícil, depois das anexações é impossível. Quem continua a falar de 'paz', assobiando para o lado depois dos referendos fantoches e da formalização da anexação pela Federação Russa num simulacro de legalidade, de novo quer apenas a rendição da Ucrânia (...)" (JPP)

20 June 2022

"Já se realizaram e vão-se realizar várias manifestações com o pretexto da paz. Nos cartazes diz-se 'guerra e corrida aos armamentos, não!' Não sei muito bem como interpretar esta palavra de ordem, porque a 'guerra' iniciou-se porque houve uma invasão militar de um país pela Rússia e a 'corrida aos armamentos' é uma resposta inevitável a essa invasão, não a sua causa. Não deviam nomear a Rússia e dirigir para o invasor a sua condenação em nome da paz? Deve haver um acordo de paz? Sem dúvida, mas desde que esse acordo não implique o benefício do infractor, porque, se é assim, ele favorece a guerra e não a paz. (...) Eu seria o primeiro na manifestação se a paz desejada passasse pela retirada do invasor, pelo pagamento de indemnizações pelas destruições causadas, pela libertação das populações prisioneiras contra a sua vontade na Rússia, pelo julgamento dos crimes de guerra por autoridades independentes, pelo respeito pela soberania ucraniana. E então sim, incluiria nesse acordo, uma considerável autonomia das minorias russófilas na Ucrânia, o seu direito à língua e à cultura, idêntico julgamento dos crimes de guerra ucranianos e a exigência da luta contra a corrupção, a democracia e a liberdade, uma eventual renúncia à entrada na NATO, desmilitarizando as zonas fronteiriças" (JPP)

24 April 2022

Tudo isto é muito verdade mas não existirá quem, sem meias palavras, seja capaz de perguntar directamente ao PCP: 1) Qual a real natureza das relações do PCP com o Partido Comunista da Federação Russa? 2) Apoia o PCP as posições do PCFR? (não vale responder que o PCP não se intromete nas posições dos "partidos irmãos") 3) Qual a posição do PCP, no âmbito do International Meeting of Communist and Workers' Parties, no que à Ucrânia diz respeito? (tópicos já abordados aqui)
 

18 April 2021

Um caso típico de "só as pessoas superficiais não julgam pelas aparências" (XVII), maravilhosamente enriquecido de uma forte dose de malucagem conspiracionista (QAnon & afins), "fake news", neo-fachos, a senhora Lao, o Trampas e outros temperos não menos picantes, com a Faculdade de Direito como pano de fundo

27 March 2021

Um dos momentos em que o núcleo duro da horda troglodita-medieval que vive nas caixas de comentários do pasquim direitolas online espuma fel e baba perante um texto apenas sensato e razoável (ver também aqui)

29 August 2020

"Logo que apareça uma vacina, a capacidade de esquecimento é grande. Se aparecer uma vacina eficaz em relativo curto prazo, como tudo indica, se a recuperação económica for equilibrada, sem grandes exclusões, diferenciações sociais e conflitualidade social, do que duvido, as pessoas esquecem com rapidez. Não vai mudar muita coisa. (...) Na ignorância antiga, chamemos-lhe assim, os que eram ignorantes queriam que os filhos deixassem de o ser. Havia a consciência da ignorância ser má. Hoje há uma ignorância agressiva, falsamente igualitária e é uma das razões porque cresce a pseudociência. Cresce a pseudociência, o desprezo pela privacidade, pelas mediações, pelo jornalismo — analisar um facto não em bruto mas mediado por um saber que lhe dá contexto. Estão contra a mediação do saber académico. (...) Como se pode ser melhor preparado sem ler? Há gente que faz cursos universitários sem ler. Dizem que lêem no computador. Uma treta. Ainda estou à espera que alguém leia Guerra e Paz no computador ou num telemóvel. Há muita complacência, muita cedência à ignorância e os resultados estão à vista. O aumento de partos em casa com más condições, o mito do nascimento natural com mortes, não tomar vacinas ou medicamentos, a substituição de tratamentos por mezinhas, ir ao curandeiro em vez de ir ao médico" (JPP)

20 June 2020

"Eu gosto muito do meu país, mas não tenho muitas ilusões sobre ele. É um país atrasado, pouco desenvolvido, sem massa crítica, pouco culto, sem grande qualificação da mão-de-obra, muito dependente de vagas de superficialidade, onde a maioria das pessoas trabalha duramente para não receber sequer o mínimo vital, sem vida cívica autónoma do Estado, com uma economia débil, desindustrializado, com uma agricultura desigual, pouco cosmopolita, com muitos aproveitadores e alguns bandidos, mas aí como os outros. É um país que cada vez menos tem autonomia política, dependente da transferência dos centros de decisão para Bruxelas. Aquilo em que somos melhores não coloca o pão no prato ao fim do dia, como agora se diz. Temos uma língua e uma literatura de valor universal, a melhor obra dos portugueses, mas ninguém come literatura. E temos uma democracia que é um valor que só quem sabe o que é ditadura percebe qual é. É mau? Não é mau, há muito pior, mas é sofrível, e sofrível não permite andar por aí a bater em pandeiretas. (...)" (JPP)

16 May 2020

Para ler em conjunto com este

"(...) Vem isto a propósito do actual uso e abuso da expressão 'marxismo cultural', muito comum hoje à direita mas também usada muitas vezes erradamente à esquerda, que, na sua globalidade, é cada vez menos marxista, mas ainda não deu por ela. Porém, o uso à direita é uma espécie de vilipêndio e insulto e, em muitos comentadores de direita, é comum para caracterizar uma espécie de polvo omnipresente, que lhes rouba as artes, as letras, o jornalismo, algumas universidades, as ciências sociais, a comunicação social, a educação e o ensino, e os obriga a refugiar-se nos espaços 'livres' dos colégios da Opus Dei, no Observador, nos blogues de direita, na Universidade Católica, nos lobbies ideológicos empresariais com acesso à comunicação, nalgumas fundações, nalguns articulistas, na imprensa económica, etc. Para bunker contra o 'marxismo cultural' já parece muito espaçoso, mas eles acham-no apertadinho (...)" (JPP)

28 March 2020

"(...) Como é que uma pandemia, com um vírus de uma família conhecida, altamente contagioso mas relativamente moderado nos seus efeitos, e com uma taxa de mortalidade baixa em geral, provoca este verdadeiro cataclismo social e económico, com o encerramento de quase todas as actividades produtivas, as cidades vazias, os transportes parados, milhões de pessoas confinadas em casa? A pergunta não serve para contrariar os esforços actuais para travar o contágio do vírus e a importância do distanciamento social (...). A pergunta não questiona a atitude dura das autoridades sanitárias e dos Estados para tratar o maior número de pessoas, aliviar as que sofrem e impedir um grande número de mortes nos grupos de risco. Acima de tudo, não questiona a salvaguarda do efeito de sobrecarga dos sistemas de saúde, talvez o mais perigoso efeito da disseminação da infecção. Mas tem sentido, até porque é legítimo colocar a questão de saber se não estamos a ter uma overdose de resposta, cujos efeitos perversos podem ser maiores, sem razão. (...)" (JPP)

08 March 2020

"Há uma teoria que une isto tudo e que está também na direita europeia, na radical e na menos radical. Na sua versão americana, a narrativa é esta: existe uma conspiração da esquerda socialista e dos 'loucos' democratas (cada vez mais a mesma coisa), das anti-semitas no Congresso que são muçulmanas, de Bernie Sanders que para ser percebido é preciso ler o Manifesto Comunista de Marx e Engels (ouvi ontem isto), das corporações e Hollywood, dos media 'fake', inimigos do povo, do incapacitado Biden que 'não é o que parece', dos traidores e dos 'frouxos' republicanos que hesitam em decidir-se a aplicar a agenda de Trump, com o objectivo de acabar com o 'modo de vida americano', vender a América à China, acabar com as liberdades e a Constituição, e escravizar os 'orgulhosamente livres' americanos ao Estado socialista. Pensam que é um exagero? Exactamente o que dezenas de estações de rádio e televisão dizem ipsis verbis vinte e quatro horas por dia" (JPP)

04 January 2020


"Este homem não vai sair de lá sem duas guerras: uma civil e outra (espera-se) regional (...) Trump não sai de lá com eleições e, numa esquina qualquer dos dias, na sua política errática, deita mais gasolina para a fogueira para se vingar, ou mostrar poder, ou gabar-se, e a fogueira pode não ser contida a tempo. Na verdade, Trump nem sequer esconde a sua vontade de ser Presidente vitalício, com uma série de tweets em que os anos passam e ele permanece vestido de Capitão América. E também já disse mais do que uma vez que os seus apoiantes não permitiriam o seu afastamento, mesmo em eleições, que teriam de ser necessariamente fraudulentas, e isso provocaria uma guerra civil. E já disse mais: que com ele estão a polícia, as forças armadas e os cidadãos com armas. O que é que é preciso dizer mais?" (JPP)