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29 November 2016

PERGAMINHO

  
“Repent, repent, sweet England, for dreadful days are near”, escreveu, em 1580, Thomas Deloney por ocasião do grande terramoto que então sacudiu Londres. Ralph Vaughan Williams recolheu-a, em 1909, e, agora, aos 82 anos, Shirley Collins escolheu-a para abertura de Lodestar, improvável regresso aos discos após quase quatro décadas de ausência. O álbum de homenagem, Shirley Inspired..., de 2015 –, no qual intervinha gente de tão diversas proveniências como Lee Ranaldo, Meg Baird, Rozi Plain, Bonnie Prince Billy ou Graham Coxon – oferecia uma esclarecedora visão da imensa ressonância que, mesmo após tão prolongada ausência, Collins continuava a possuir. Ela que, em 1959, nos primórdios do "folk revival", viajara com o folclorista Alan Lomax até ao Sul dos EUA para o registo de espécimes musicais de blues, bluegrass e folk, e que, a seguir, com a Albion Band, Watersons, Young Tradition, o Early Music Consort, de David Munrow, foragidos dos Fairports e Steeleye Span, e a irmã, Dolly, publicaria preciosidades da dimensão de Anthems In Eden (1969) Love, Death And The Lady (1970), No Roses (1971), ou o colectivíssimo Son Of Morris On (1976), descobriu-se emudecida, desde 1978, em consequência de uma disfonia.


Agradeçamos, pois, os bons ofícios de David Tibet (Current 93) que a persuadiu a não desistir e, inesperadamente, a aceder em gravar Lodestar. Produzido por Ian Kearey, da Oysterband, pode dizer-se que se trata da matriz, em estado de natureza, das Murder Ballads, de Nick Cave: reunindo peças do século XVI ao XX, num tremendo painel gótico de uma "olde weird England" – com desvio cajun pela América – onde até uma festiva e pagã cantiga de Maio não abdica de encerrar com a ameaça “and when you are dead and you're in your grave, you're covered in the cold, cold clay, the worms they will eat your flesh, good man, and your bones they will waste away”, imperial, por entre sanfonas, concertinas, dulcimers, violoncelos, rabecas e orgãos de tubos, a voz de pergaminho de Shirley Collins, faz desfilar personagens e cenas de horror, vingança, negríssimo humor e inquietante "nonsense", com a deliciosa ligeireza amoral da tradição capaz até de tornar cativantes palavras como “There was blood in the kitchen, there was blood in the hall, there was blood in the parlor where the lady did fall”.

08 October 2013

VINTAGE (CLXVII)

June Tabor & Oyster Band - "This Wheel's 
On Fire" (B. Dylan)

27 September 2013

June Tabor & Oyster Band - "Bonny Bunch of Roses"
 


"Recorded in a wide range of spellings including Tabor, Tabour, Tambur, Tabournier (French), whilst the English versions include Taberner, Tabernor, Tabberner, Tabbernor, Tabiner, Tabner and others. It is a medieval surname of pre 9th century French origins, and one that was introduced into England by the Norman-French invaders at or immediatley after the famous Conquest of 1066. It is job descriptive for a military drummer, one who played the Tabour, the modern Tamborine. The instrument itself is of Ancient Persian origin dating back to 2500 BC., or even earlier and was used in almost every army band upto the present time. The name development in England has included examples of recordings such as Petur Taberner of Devonshire in 1264, Eustace Tabur of Oxford in the Hundred Rolls of 1273, and Wilhelmus Taburner in the Yorkshire Poll Tax registers of 1379. The first recorded spelling of the family name is shown to be that of Robert le Taburner. This was dated 1201, in the Pipe Rolls of the county of Yorkshire, during the reign of King John. He was known by the nickanme of "Lackland" and reigned from 1199 to 1216. Surnames became necessary when governments introduced personal taxation. In England this was sometimes known as the Poll Tax. Throughout the centuries, surnames in every country have continued to "develop" often leading to astonishing variants of the original spelling".

25 September 2013

23 September 2013

VINTAGE (CLXIV)

June Tabor & The Oysterband - "Fountains Flowing"

30 October 2011

INCÊNDIOS



June Tabor & Oysterband - Ragged Kingdom

Da última vez que me deixei convencer a passear por entre barracas onde se entoavam louvores às fulgurantes realizações do Grande Líder Camarada Presidente Kim Il-Sung e se denunciava empolgadamente a pérfida conspiração imperialista contra a gloriosa União Soviética, o argumento decisivo chamou-se June Tabor & Oysterband. A primeira edição da Festa do Avante na Quinta da Atalaia, em 1990, não teve a virtude de me fazer render às seduções alegadamente proletárias do Sol da Terra (que, aliás, só brilharia mais um ano) mas confirmou integralmente a minha incondicional veneração a June Tabor.



Nesse ano, tinha sido publicado o óptimo Freedom & Rain no qual – após preciosidades como Abyssinians ou Aqaba –, com a Oysterband, Tabor, em estado de graça folk-rock, interpretava temas dos Pogues, Velvet Underground, Billy Bragg e Richard Thompson, por entre tradicionais electricamente incendiados. Foi preciso esperar vinte e um anos para o reencontro mas cada segundo valeu a pena: Ragged Kingdom é, no mínimo, coisa da mesma estatura do tomo anterior.



Se a matriz é idêntica (tradicionais mais matéria-prima pop/rock a transfigurar), não há-de ser exagero dizer que Ian Curtis desejaria poder voltar à vida para escutar este devastador "Love Will Tear Us Apart" acústico, que PJ Harvey passará a ir em pereginação a todos os concertos de June Tabor tentar compreender o que se passou com "That Was My Veil" (Dylan acompanha-la-á em igual missão quanto a "Seven Curses"), e todos os fantasmas da vetusta Albion musical despertarão perante o som incinerador de "Judas (Was A Red-Headed Man)", ajoelharão diante das tão-boas-ou-melhores-do-que-Sandy-Denny-com-os-Fairports, "If My Love Loves Me" e "Fountains Flowing", e ficarão incapazes de articular uma sílaba, paralizados pelo coral a capella, "(When I Was No But) Sweet Sixteen".

(2011)