O AUTOR HERMENEUTA DE SI MESMO
Os Lacraus - "Um Peito Em Forma de Bala"
0:16 olhos nos olhos
0:24 a verdadeira direcção da música está aqui
0:43 o típico 1,2,3
0:34 o guitar hero inspira e sabemos que tudo acabará bem
0:47 primeira aproximação ao baterista
0:52 olhos fechados, alma aberta
1:03 descida gingada do vocalista
1:09 b-r-e-a-k-!
1:19 compenetração do organista convidado que nos tempos livres é uma estrela muito maior que a banda que aqui serve
1:38 o outro break do baterista que é o grande pormenor da canção
1:42 a harmonia suada mas em falsete do guitar hero
2:07 batida à Abba a separar a banda de toda a multidão restante
2:13 springsteen, claro
2:25 avanço duplo
2:36 grito ao baterista para esforço final e retoque ultra-boss
2:43 a segunda voz é um dogma inabalável
2:51 final roqueiro como aqueles estúdios no Porto nunca tinham visto
No fim: uma canção sobre encarar a morte com fé.
(Nota PdC: a última frase suscita sérias reservas mas, à luz da "excepção Tiago Guillul", foi mantida)
(2012)
Showing posts with label Os Lacraus. Show all posts
Showing posts with label Os Lacraus. Show all posts
28 January 2012
30 December 2011
2011 - MÚSICA: PORTUGUESES

Osso Vaidoso - Animal

Campanula Herminii - Cumeada

Cristina Branco - Não Há Só Tangos Em Paris

Dead Combo - Lisboa Mulata

Fernando Alvim & Vários - Os Fados e as Canções do Alvim

César Prata - Canções de Cordel

Os Lacraus - Os Lacraus Encaram O Lobo

Paus - Paus

Kubik - Psicotic Jazz Hall

Smix Smox Smux - Os Gloriosos Smix Smox Smux Derrotarão Os Exércitos Capitalistas

A Presença das Formigas - Ciclorama
(2011)
Osso Vaidoso - Animal
Campanula Herminii - Cumeada
Cristina Branco - Não Há Só Tangos Em Paris
Dead Combo - Lisboa Mulata
Fernando Alvim & Vários - Os Fados e as Canções do Alvim
César Prata - Canções de Cordel
Os Lacraus - Os Lacraus Encaram O Lobo
Paus - Paus
Kubik - Psicotic Jazz Hall
Smix Smox Smux - Os Gloriosos Smix Smox Smux Derrotarão Os Exércitos Capitalistas
A Presença das Formigas - Ciclorama
(2011)
16 November 2011
RESSURREIÇÃO

Os Lacraus - Os Lacraus Encaram O Lobo
Como qualquer pessoa sofrivelmente culta sabe, só por imoderada arrogância (e a isso devemos estar infinitamente gratos) se continuou a escrever depois da Bíblia, do Épico de Gilgamesh ou do Mahabharata. Não por qualquer motivo de superioridade religiosa, teológica ou espiritual – nesse ponto, equivalem-se exactamente às crenças dos caçadores-recolectores do Sudeste Asiático, que acreditavam que o deus do trovão perdia as estribeiras se visse alguém a pentear o cabelo durante uma tempestade ou se encontrasse quem tivesse assistido a um acasalamento de cães – mas porque todas, literalmente todas, as histórias da desgraçada tragicomédia humana (nas suas incontáveis possibilidades e combinações), aí ficaram definitivamente registadas.
A Bíblia – em particular, o Antigo Testamento, esse portentoso repositório de divina violência gore, traição, inveja, pornografia, ficção-científica, incesto, irracionalidade e ódio –, por nos ser culturalmente mais próxima, desde a Idade do Bronze até hoje, permaneceu como matriz (aceite ou repudiada) de considerável parte da cultura popular e erudita, e não é sequer preciso evocar Leonard Cohen, Dylan, Springsteen ou toda a soul para nos apercebermos disso. Tiago Cavaco/Guillul/Lacrau é pastor Baptista mas não é por isso que, nesta muito apropriada ressurreição dos Lacraus, se aspiram odores bíblicos (ainda que subliminares) em todas as faixas: eles estão geneticamente impressos na natureza profunda desta antiquíssima música – rock’n’roll, variante punk – que praticam e que os autoriza a dedicar (mui excelentes) epístolas a Alexandra Lencastre ou Flannery O’Connor, a traduzir "Children Of The Revolution" para "Filhos da Ressurreição" ou a erguer, em "L.A.C.R.A.U.S.", o equivalente luso e perigosamente infecto-contagioso de "G.L.O.R.I.A.". Com arte final pop q.b., para ainda maior proveito de crentes, agnósticos e ateus.
(2011)
Os Lacraus - Os Lacraus Encaram O Lobo
Como qualquer pessoa sofrivelmente culta sabe, só por imoderada arrogância (e a isso devemos estar infinitamente gratos) se continuou a escrever depois da Bíblia, do Épico de Gilgamesh ou do Mahabharata. Não por qualquer motivo de superioridade religiosa, teológica ou espiritual – nesse ponto, equivalem-se exactamente às crenças dos caçadores-recolectores do Sudeste Asiático, que acreditavam que o deus do trovão perdia as estribeiras se visse alguém a pentear o cabelo durante uma tempestade ou se encontrasse quem tivesse assistido a um acasalamento de cães – mas porque todas, literalmente todas, as histórias da desgraçada tragicomédia humana (nas suas incontáveis possibilidades e combinações), aí ficaram definitivamente registadas.
A Bíblia – em particular, o Antigo Testamento, esse portentoso repositório de divina violência gore, traição, inveja, pornografia, ficção-científica, incesto, irracionalidade e ódio –, por nos ser culturalmente mais próxima, desde a Idade do Bronze até hoje, permaneceu como matriz (aceite ou repudiada) de considerável parte da cultura popular e erudita, e não é sequer preciso evocar Leonard Cohen, Dylan, Springsteen ou toda a soul para nos apercebermos disso. Tiago Cavaco/Guillul/Lacrau é pastor Baptista mas não é por isso que, nesta muito apropriada ressurreição dos Lacraus, se aspiram odores bíblicos (ainda que subliminares) em todas as faixas: eles estão geneticamente impressos na natureza profunda desta antiquíssima música – rock’n’roll, variante punk – que praticam e que os autoriza a dedicar (mui excelentes) epístolas a Alexandra Lencastre ou Flannery O’Connor, a traduzir "Children Of The Revolution" para "Filhos da Ressurreição" ou a erguer, em "L.A.C.R.A.U.S.", o equivalente luso e perigosamente infecto-contagioso de "G.L.O.R.I.A.". Com arte final pop q.b., para ainda maior proveito de crentes, agnósticos e ateus.
(2011)
Subscribe to:
Posts (Atom)