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20 March 2013

LER TUDO, SFF
 
Norman Rockwell - "Freedom Of Speech"

"(...) Pode ser porque eu dou valor às palavras - uma sinistra manifestação da condição suspeita de intelectual - que me repugna, enoja, irrita, indigna, encanita, faz-me passar do sério, a sua sistemática violação pelo governo. Violação, exactamente como as outras violações. Devia haver uma lei não escrita para punir a violência feita com as palavras e pelas palavras, como há com a violência doméstica, a violência contra os mais fracos, o abuso do poder. Devia haver uma lei não escrita para punir o envenenamento das palavras pela desfaçatez lampeira, a esperteza saloia. 

De novo, pela pecha de ser intelectual, - um estado miserável nos dias de hoje, 'treinador de bancada', 'comentador', 'opinador', 'achista', 'inútil', 'velho do restelo', 'negativista', ou qualquer outra variante das palavras com que hoje o poder e os seus serviçais entendem diabolizar o debate público que não lhes convém - é que me repugna, enoja, irrita, indigna, encanita, faz-me passar do sério, a sistemática tentativa de nos enganar, de nos tomar por parvos, de nos despachar com um qualquer truque verbal destinado a dizer que uma coisa é diferente do que o que é, porque convém que não se perceba o que é (...)". (aqui)

03 February 2010

NORMAN ROCKWELL
(3 de Fevereiro, 1894 – 8 de Novembro, 1978)


Self-Portrait Painting The Soda Jerk



Saturday Evening Post cover



The Problem We All Live With



Breaking Home Ties



Freedom Of Speech

(2010)

22 May 2007

ESTADOS DE ALMA



Sufjan Stevens - Illinois

O irmão de Sufjan Stevens chama-se Marzuki e, por acaso, é um dos melhores especialistas da maratona nos EUA. A irmã dá pelo nome de Djohnariah. E, não, a família não faz parte de nenhuma minoria étnica exótica, são todos americanos "red-white-and-blue". O pai Stevens é que, nos anos 70, era adepto de um certo experimentalismo teológico e se envolveu com o Subud, um culto religioso sincrético de origem indonésia. Nada garante que isso se deva às peculiaridades familiares mas, enquanto frequentava a universidade, Sufjan entregou-se à composição de álbuns conceptuais de 90 minutos — nunca publicados — sobre temática numerológica (The Nine Planets, The Twelve Apostles e The Four Humors) e à leitura por obsessão onomástica (William Blake, William Wordsworth, William Faulkner).



Mas tudo isso junto poderá ter alguma coisa a ver com o facto de, desde 2003, Sufjan Stevens ter iniciado um projecto que, caso publique um álbum por ano, deverá estar concluído lá para... 2053. Começou com Michigan (aliás, Greetings From Michigan, The Great Lake State), prossegue agora com Illinois (aliás, Come On Feel The Illinoise) e, um por um, haverá de abordar todos os 50 estados norte-americanos.



O que, se considerarmos ainda que, para além dos cerca de 30 instrumentos que neste disco toca, Sufjan se interessa também pelo design gráfico, o atletismo, o tricot, o crochet, a fotografia, o quilting, a filatelia e a tecelagem, lhe garante uma vida inteira razoavelmente ocupada. Até porque, para conceber cada álbum como procedeu para Illinois — investigar, escrever, orquestrar, executar tudo ao maís ínfimo e maníaco pormenor — não lhe sobrará, decerto, muito tempo. Digamos que, pelo que até agora se conhece da "grande obra", ele terá decidido descobrar até ao limite do possível o plano de Brian Wilson para Smile: erguer um enorme fresco da América na sua história, personagens e lugares, uma espécie de mega-musical em sucessivos capítulos.



E há, de facto, muito de Brian Wilson nesta pop filigranada de melodias em contraponto, coros e orquestrações cardiografados à lupa, desenhos rítmicos pouco óbvios e títulos como "The Black Hawk War Or How To Demolish An Entire Civilization And Still Feel Good About Yourself In The Morning Or We Apologize For The Inconvenience But You're Going To Have To Leave Now Or I Have Fought The Big Knives And Will Continue To Fight Them Until They Are Off Our Lands". E do demasiado mal conhecido Eric Matthews. E do Van Dyke Parks de (não apenas) Discover America. E de John Philip de Sousa e Stephen Sondheim e Steve Reich. Como o acervo completo da colecção de imagens de Norman Rockwell vertido em música. Tão bom quanto isso. (2005)