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07 April 2025

CRU, REAL E SEM LIMITES
Discretamente embrenhada no trio Hack-Poets Guild - abrigo de notabilidades da folk britânica e suas audaciosas extensões contemporâneas - foi, porém, aí mesmo que, há dois anos, ao lado de Marry Waterson e Nathaniel Mann, nos apercebemos da existência de Lisa Knapp. Era o momento de publicação de Blackletter Garland, etapa final de um processo que começara pela exploração do espólio de "broadside ballads" da Bodleian Library de Oxford e conduzira ao registo de Blackletter Garland, uma perfeitíssima viagem temporal, da Idade Média ao insondável futuro, numa vertigem de vozes, "drones" e destroços sonoros à deriva. Os Stick in The Wheel já se haviam aproximado das fronteiras deste território mas Blackletter Garden arrombar-lhe-ia os portões. E, agora, Hinterland (explica-nos o dicionário: "uma área situada para além do que é visível ou conhecido"), pelas mãos de Lisa Knapp e Gerry Diver, começa a cartografá-lo palmo a palmo. "Desejámos criar algo cru, real e sem limites. Algo que pudéssemos atirar â cara de quem insiste em afirmar que a folk é uma forma estática" diria Diver à "Klofmag". (daqui; segue para aqui)

"Hawk & Crow"

29 August 2023


 
 
(sequência daqui) A Blackletter Garland, da Hack-Poets Guild, retoma essa mesma tradição num percurso iniciado após o convite para visitar a Bodleian Library de Oxford e vasculharem em total liberdade séculos e séculos de textos e - quando as descobriam - partituras. A tarefa estava em boas mãos: Marry Waterson, embaixadora da dinastia Waterson, família real da folk britânica; Lisa Knapp, valor seguríssimo abençoado pelo sumo-sacerdote Martin Carthy e, em apenas três álbuns, multi-premiada e estrelada; e Nathaniel Mann, compositor experimental, construtor de instrumentos, cineasta e "sound designer". O que daí resultou, orientado por coordenadas muito próximas das dos Stick In The Wheel mais recentes, é uma gloriosa e cinemática mescla de trip-hop gótico, fantasmagorias de vozes distorcidas sobre matéria-prima do século XVI, e instantâneos da luta de classes projectados numa tapeçaria de "drones" e "found sounds".

27 August 2023

GRINALDA
 

As "broadside ballads", poemas narrativos com origem nos menestréis dos séculos XIV e XV (equivalente britânico do romanceiro tradicional do qual terá emergido o fado português primitivo), mais tarde impressas em papel e vendidas pelas ruas, feiras e mercados de Inglaterra, Irlanda e América do Norte, chegaram a ser produzidas em grande número - no final do século XVII vender-se-iam em Inglaterra cerca de 400 000 exemplares - e popularizar-se-iam coladas a melodias pré-existentes ou criadas de raiz para uma nova balada. Tanto se debruçavam sobre temas de caracter quase jornalístico - desastres, acontecimentos políticos e sinais inexplicados de prodígios, milagres e assombros - como assumiam o caracter utilitário de canções de copos, celebração do amor e carnalidades afins, com a suposta intenção de moralizar e divertir. Na maioria, de origem urbana, quando eram publicadas várias num mesmo "caderno", essas colecções eram designadas por "garlands" (grinaldas). (daqui; segue para aqui)