"Hallelujah" (L. Cohen)
08 December 2025
24 December 2023
(iniciando-se, de baixo para cima *, de um total de 28)
Unthank : Smith - Nowhere And Everywhere
Natalie Merchant - Keep Your Courage
Macie Stewart - Mouth Full Of Glass
* a ordem é razoavelmente arbitrária
13 September 2023
31 August 2023
11 August 2023
10 August 2023
07 August 2023
27 July 2023
COMO UMA CORRENTE
Há três anos, aquando da publicação do belíssimo Heart’s Ease, de Shirley Collins, a veterana padroeira da folk britânica, sem papas na língua mas com alguma dose de injustiça pelo meio, a propósito daqueles que poderiam constituir a sua "descendência" actual, dizia-me: "Para ser sincera, as Unthanks fazem música lindíssima mas parecem-me demasiado repetitivas, prefiro um pouco mais de substância. E os Stick In The Wheel dão-me a sensação de estarem a cantar sempre a mesma música. Mas adoro os Lankum – a Radie Peat é uma cantora extraordinária!..." No último número da "Songlines" – na capa, os Lankum, sob o título de "The Fearless Future of Folk" –, a mui respeitável Natalie Merchant, unindo pontas, contava como, tempos antes, quando procurava uma versão de Shirley Collins para o tradicional "Hares On The Mountain", deparara com um vídeo de Radie Peat e Daragh Lynch (metade dos Lankum) interpretando esse tema: "Fiquei imediatamente rendida à tonalidade da voz dela e ao desenho hipnótico da guitarra. Escavei mais fundo e descobri 'The Young People' e 'Hunting The Wren' (ambos de The Livelong Day, 2019). Parei imediatamente. Os textos do Ian Lynch e o talento da banda para reinventar a tradição são impressionantes. Se 'Hunting The Wren' fosse um poema, não seria menos poderoso. Mas, com aquela voz, naquela música, é devastador". (daqui; segue para aqui)
06 March 2018
02 January 2015
31 December 2014
19 August 2014
13 August 2014
21 May 2014
17 January 2011
B Fachada - B Fachada É Pra Meninos
Dar música aos infantes sem ter de atirar o pau ao gato não é tarefa simples. E até pode gerar pequenos equívocos como o que surgiu à volta de "Puff The Magic Dragon", durante décadas – por mais que o seu autor, Peter Yarrow, jurasse que esse sucesso de Peter, Paul & Mary era absolutamente inocente e nada tinha a ver com o tipo de inalações que Bill Clinton também negou veementemente –, encarada como uma "drug-song" encapotada. Mas não é difícil entender-se que as melhores canções para miúdos são aquelas que, quando escutadas por gente mais crescida, contêm matéria suficientemente interessante para lubrificar dois ou três circuitos cerebrais. Nos últimos anos, houve, pelo menos, dois óptimos exemplos: The Tragic Treasury, de Stephin Merritt/versão-Gothic Archies (2006), um conjunto de "histórias de terror para crianças", repleto de educativos ensinamentos políticos ("Be vicious, vain and vile, everything's yours to steal if you'll just smile"), e Leave Your Sleep, de Natalie Merchant (2010), colecção de poemas musicados submetida ao lema “Girls and boys, come out to play, (...) leave you supper and leave your sleep, and come with your playfellows into the street”. B Fachada É Pra Meninos sintoniza a mesma onda e, em registo de Comelade-Playmobil (com baterias de plástico e tudo) que, só aparentemente, se desvia dos álbuns anteriores, alinha interpelações morais (“Porque é que o bom é melhor que o mau? Porque é que o mal é pior que o bem? Porque é que é certo ser cara de pau mas está mal ser filho da mãe?”), miminhos de avô sábio (“antes louco e malcriado que pensar só de emprestado”) e faz regressar o mítico João, sem balão, mas com mais pertinente aconselhamento: “Larga a sopa João, não comas mais, não dês ouvidos às mentiras dos teus pais”.
(2011)
02 January 2011
(iniciando-se, de baixo para cima *, de um total de 20)
The National – High Violet
Vampire Weekend – Contra
Field Music - (Measure)
Laura Marling – I Speak Because I Can
Laurie Anderson – Homeland
The Knife in collaboration with Mt. Sims and Planningtorock - Tomorrow, In A Year
The Gaslight Anthem - American Slang
Peter Gabriel – Scratch My Back
Lloyd Cole - Broken Record
Natalie Merchant - Leave Your Sleep
Não existiu, de certeza, um único ano na ainda curta história da música gravada (pouco mais de um século) acerca do qual se pudesse garantir que seria impossível seleccionar, pelo menos, dez discos capazes de permanecer longamente na memória. E, ainda que, no grande plano cósmico para a música das esferas, não assinalassem nenhum momento particularmente significativo, deles houve sempre matéria sonora suficientemente estimulante a retirar para a lubrificação do canal auditivo. 2010 deixa-se, facilmente, arrumar nesta última categoria despretensiosa mas decente e honesta. O que, se repararmos que, no top-10, poderiam também ter figurado, sem cunhas, The Divine Comedy, Johnny Flynn, Elvis Costello, The Magnetic Fields, Efterklang, The Walkmen, Fanfarlo ou Bonnie “Prince” Billy, ajuda a compreender como, com crises ou sem crises, a música é sempre uma fonte de energia renovável.
* a ordem é razoavelmente arbitrária...
(2011)