Showing posts with label Natalia de Andrade. Show all posts
Showing posts with label Natalia de Andrade. Show all posts

22 October 2023

... e propõe-se à FENPROF que, para maior mobilização e galvanização das massas docentes, o evento seja antecedido de uma projecção de vídeos das incomparáveis vocalizações de Natália de Andrade
 
(a este, acrescentar-se-iam este, este e estes)

15 September 2016

11 November 2015

O SUBLIME (POR INVERSÃO) 



Florence Foster Jenkins, a figura real que inspirou a ficcional “Marguerite” do filme homónimo de Xavier Giannoli (e que será objecto de "biopic", de Stephen Frears, com Meryl Streep e Hugh Grant), é a mais célebre de um restrito mas precioso grupo de divas do bel canto que tinham em comum um entendimento pessoalíssimo dos conceitos de afinação, ritmo e andamento, na interpretação do reportório operático, em particular, e da arte vocal, em geral. Espíritos mais perversos acusa-las-iam de esquartejar a sangue frio árias de ópera, "Lieder" e temas populares, em exuberantes espasmos de estridência, vertiginosas espirais de uivos e gorgolejos, e chilreios frenéticos em descomandada derrapagem. Houve, no entanto, sempre quem, sob pretextos vários, lhes tenha prestado a merecida atenção. Foi o caso de Gregor Benko que, em 2004, no CD The Muse Surmounted: Florence Foster Jenkins and Eleven of Her Rivals, compilou as oferendas líricas de todas aquelas para quem “a dedicação e inabalável sinceridade transcendiam os meros detalhes auditivos”



É um verdadeiro universo sonoro paralelo que aí se revela nas contribuições de Foster Jenkins mas também no festim de coruscantes Castafiores como Alice Gerstl Duschak, Betty-Jo Schramm, Tryphosa Bates-Batcheller, Olive Middleton, Norma-Jean Erdmann-Chadbourne, Sylvia Sawyer, Vassilka Petrova, Mari Lyn, Sari Bunchuk Wontner, a sobrenatural Natália de Andrade e a também lusa e injustamente ignorada, Rosalina Mello. Na verdade, há poucas atitudes mais desgraçadamente incompreendidas do que a do autêntico, sincero amante das diversas variedades de kitsch: não uma pose superiormente condescendente mas de genuíno pasmo perante o que se suporia humanamente impossível, coisa exactamente simétrica do assombro provocado por manifestações de genialidade – gente em tudo igual a nós, perpetrando aquilo de que nunca seríamos capazes. Uma experiência (por inversão) do sublime, igualmente pronta a ser desfrutada no CD Sem Fronteiras, do ex-eurodeputado Mendes Bota (1992), nos saudosos anos de ouro do Festival da Eurovisão, em Café Poesia 2012 - Uma Noite de Poesia no Palácio de Belém, nas obras literárias de William McGonagall e Amanda McKittrick Ros (fãs na primeira fila: Aldous Huxley, C.S. Lewis e Mark Twain), nas modas e bordados de Joana Vasconcelos ou nesse cume temível do contorcionismo vocal, de 1997, que é Mary Schneider Yodelling the Classics.

20 October 2010

TEORIA & PRAXIS MUSICAIS PORTUGUESAS (VIII)

Hino da Função Pública para 2010 realizado por funcionários do Departamento Técnico de Planeamento e Urbanismo da Câmara Municipal de Portimão



Pouco menos de um ano depois de aqui se ter atribuído o prémio de "canção do ano, videoclip do ano, revelação do ano e artistas do ano" à primeira peça audiovisual dos funcionários do Departamento Técnico de Planeamento e Urbanismo da Câmara Municipal de Portimão, eis que estes se superam numa assombrosa megaprodução, cenograficamente arrojada e, musicalmente, algures entre Ligeti (nos "clusters" vocais), Natália de Andrade (no virtuosismo solístico) e o mais suculento McCartney neoclássico.

Dificilmente, este ano, lhes fugirá a reconquista do mesmo prémio!

(2010)

27 June 2010

NA CAPA DA "PÚBLICA" DE HOJE, A CASTAFIORE LUSA,
NATÁLIA DE ANDRADE (+ 12 MERECIDÍSSIMAS PÁGINAS
COM A SUA LENDÁRIA BIOGRAFIA E ICONOGRAFIA VÁRIA)


Rewind para "The Natália de Andrade Experience" e evocação da sua rival Florence Foster Jenkins.


(2010)

08 January 2010

É SÓ PARA ANUNCIAR QUE O PRECIOSO POST "THE NATÁLIA DE ANDRADE EXPERIENCE" JÁ FOI DEVIDAMENTE REALIMENTADO
(embora com uma baixa no espólio)



(2010)

16 March 2008

THE ALPS, HOLLYWOOD CELEBRITIES  
AND AN AUSTRALIAN YODELER. WHAT ELSE DO YOU NEED?


(Mary Schneider, complemento ideal para Natália de Andrade)

(2008)

04 March 2008

THE NATÁLIA DE ANDRADE EXPERIENCE (I)
(ninguém diga que viveu antes de ter escutado)





(2008)
DEPARTAMENTO "PEQUENOS ÓDIOS DE ESTIMAÇÃO" (XVI)



Josephine Foster - A Wolf In Sheep's Clothing

Ó valha-nos Zeus! Josephine Foster, a harpia/primeira dama do "free-folk" (só ameaçada no seu estatuto pela anémona uivante, Joanna Newsom), não satisfeita com os estragos que ela e a sua corte de peregrinos andrajosos vêm inflingindo ao bom nome de um outrora respeitável género musical — e, já agora, absolutamente indiferentes ao proibitivo preço do petróleo que desperdiçam em CD —, não lhe ocorreu nada mais apropriado para prosseguir a sua rota de devastação estética do universo conhecido do que abocanhar sem cerimónias nem piedade o património musical do romantismo alemão do século XIX. Sim, é duro caber-nos a missão de dar a notícia, mas às vezes, há trabalhos sujos que têm mesmo de se fazer: Brahms, Schubert, Goethe, Schumann, Möricke, Wolf, Schober, foram todos sacrificialmente entregues à trituradora vocal Foster que, não só exercita cobardemente os seus góticos e arrepiantes vocalisos sobre sete ilustres "lieder" indefesos, como não hesita em os converter num pesadelo auditivo muito pouco distante da lendária e medonha Natália de Andrade-experience!


Ed Wood - classic movie trailers

O cataclismo é exactamente dessa dimensão, não duvidem: o que resta das melodias e dos textos (e a bruxa-Foster ousa cantar em alemão!) flutua, inanimado, à superfície de um charco pestilento de guitarras acústicas-de-fogo-de-campo e "noise" eléctrico à beira da charanga de coreto, o covil inunda-se de ecos e reverberações de um terror muito Ed Wood (nesses momentos, quase chega a ter piada) e, algures nos seus túmulos onde repousavam em descanso, meia dúzia de vultos da história da música europeia abrem, arregalados, os olhos e consideram a hipótese da reencarnação para, pelas suas próprias mãos, fazerem a justiça que, há muito, deveria ter sido feita. (2006)