(sequência daqui) E, elas próprias, com o fundamental contributo de Adrian McNally (teclista, percussionista, compositor e arranjador), dividiram-se por inúmeros projectos paralelos: em torno das canções de Robert Wyatt e de Molly Drake, com a Brighouse and Rastrick Brass Band, em Songs From The Shipyards e Lines. Com os soberbos Last (2011) e Mount The Air (2015) dir-se-ia que o programa confessado por McNally – “Exigimos reinventar-nos permanentemente de modo a tornarmo-nos ‘bandas diferentes’, cada uma de acordo com cada projecto” – se consumara. Sete anos depois, Sorrows Away, pelo contrário, parece querer dar razão ao que Shirley Collins, em 2020, me confessava: “Elas fazem música lindíssima mas parecem-me demasiado repetitivas, prefiro um pouco mais de substância”. Em "My Singing Bird", "Waters Of Tyne" e "The Bay Of Fundy" toda a substância está lá, intacta. Mas o resto são tão só imponderabilidades cinemáticas, tapetes vocais de veludo, orquestrações mais leves que o ar. Apenas “música lindíssima”.
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27 November 2022
06 June 2017
ASCENDER
Molly Drake nasceu, em 1915, na Birmânia. Era filha de Sir Idwal Lloyd e Georgie Lloyd, ambos membros das forças militares do império britânico. Estudou em Inglaterra mas regressaria a Rangum onde se casaria com Rodney Drake em 1937. A invasão japonesa, em 1942, obrigá-la-ia a fugir, a pé, para Deli, na Índia, aí permanecendo até perto do final da segunda guerra mundial. De volta a Rangum, teria a primeira filha, Gabrielle, e quatro anos depois, um filho, Nick (futuro autor de uma curta e sublime discografia – Five Leaves Left (1969), Bryter Layter (1971) e Pink Moon (1972) – depressivo profundo que, aos 26 anos, se suicidaria). Finalmente, em 1952, a família mudou-se para Inglaterra, residindo em Tanworth-in-Arden, no Warwickshire, não longe da shakespeareana Stratford-upon-Avon, onde desfrutaria de uma confortável vida "upper-middle-class". Não era segredo que Molly, para a família e amigos, tocava piano e interpretava canções que, informalmente, compunha sem qualquer ambição de alguma vez as gravar ou publicar. Foi apenas há dez anos, aquando da edição de Family Tree – uma compilação de gravações caseiras de Nick Drake –, que, pela primeira vez se escutaram duas canções de Molly, "Do You Ever Remember?" e "Poor Mum".
Essas duas e mais dezassete surgiriam, depois, no CD Molly Drake (2013), recolha de canções e poemas a partir dos registos de Rodney Drake num gravador Ferrograph. Rachel e Becky Unthank, na qualidade de “cantoras folk com alma de pega”, escutaram o álbum e, “perante aquela arca de tesouros” sentiram, de imediato, que não poderiam esquivar-se a fazer algo com elas. Seria, aliás, mais uma óptima peça no puzzle da discografia paralela das Unthanks: a série “Diversions” que já inclui os volumes The Songs of Robert Wyatt and Antony & the Johnsons (2011), The Unthanks with Brighouse and Rastrick Brass Band (2012) e Songs from the Shipyards (2012). The Songs And Poems Of Molly Drake é, então – com a colaboração de Gabrielle Drake que lê os poemas –, o lugar onde, nas vozes de Rachel e Becky e nos detalhados e subtis arranjos de Adrian McNally, a sombria melancolia "naïve" das palavras e melodias de Molly Drake ganha profundidade, relevo e espessura harmónica. Ela que, morta em 1993, fez inscrever na lápide tumular “And now we rise, and we are everywhere”, de "From The Morning", de Nick Drake.
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