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07 December 2022

02 November 2022

 
(sequência daqui) E não, não se trata de jogo de cintura calculado para fugir a assumir compromissos políticos claros. Basta pesquisar um pouco no labirinto do Google e facilmente se descobrirão os seus diálogos com o nada conciliador ex-ministro das finanças grego, Yanis Varoufakis (com quem fundaria o movimento DiEM25 - Democracy in Europe Movement 2025), o apoio ao boicote cultural a Israel em consequência da ocupação dos territórios palestinianos, a criação da plataforma EarthPercent (dedicada a angariar fundos oriundos da indústria musical para o combate à emergência climática) ou o video de puríssimo escárnio-Monty Python, de 2019, "Everything’s On the Up With the Tories", no qual o governo Conservador – aliás, “the government from Hell” –, a propósito da doença profunda do Serviço Nacional de Saúde britânico, é devidamente escarnecido: “They’re selling off the NHS to cowboys, they’re cutting back on nurses but investing it in hearses, the nitwits and the we-don’t-have-a-clue boys”. Porque, na verdade, o que está em causa é algo como uma obrigação de honestidade de que fala à “Uncut”: “Sinto que envolver uma mensagem pré-formatada numa obra de arte com a capacidade de produzir emoções é um pouco desonesto. De certo modo, assume que o criador já conhece as respostas. E eu, de certeza, não as conheço. É admitir que não há problema nenhum em vender as nossas respostas dramatizando-as numa embalagem emocional para soarem convincentes. Não tenho um programa que desejo que as pessoas sigam. Sugiro apenas que experimentem um outro lugar e que decidam se se sentem bem nele”. (segue para aqui)

11 March 2021

... e ainda outra Society For Putting Things On Top of Other Things (embora, neste caso, "a aplicação estruturada da 'ciência' comportamental" com o objectivo de "levar a uma 'mudança de comportamentos individuais e coletivos'” já seja um bocadinho inquietante)

10 May 2020

18 April 2019



"We made it 40 years ago, but it is so applicable to our world now. Which either says the world never really changes, or it just gets more absurd. There’s fundamentalism, there’s antisemitism – we deal with that when Brian finds out his father’s a centurion – and then there’s Stan who wants to be a woman. Our headlines are about this stuff every day. The only difference now is people have lost a lot of their sense of humour that they had back when we made the film"

22 January 2019

À ESPERA


Tiago, filho de Zebedeu e Salomé, foi um dos doze discípulos de Jesus que, após aquilo que no evangelho segundo Monty Python ficou conhecido como o momento-“Always Look On The Bright Side Of Life”, terá ido pregar para a Ibéria. Uma inopinada aparição da mãe do seu mestre (não sobre uma azinheira mas, neste primeiro ensaio, em cima de um pilar nas margens do Ebro) ser-lhe-ia, porém, funesta: convencido de que isso era um sinal para regressar à Judeia, acabaria decapitado em Jerusalém – de acordo com fontes menos devotas, devido ao seu temperamento explosivo – por ordem de Herodes Agripa. Inicialmente, por via aérea (nas asas de anjos), e, depois, fluvial (a bordo de um barco sem timoneiro), o corpo seria transportado até Iria Flavia (actual Padrón, terra dos deliciosos pimentos) e, a seguir, para Compostela, onde, em 1211, haveria de erguer-se uma catedral a ele dedicada.



Não é certo que Micah P. Hinson tenha travado conhecimento com o “filho do trovão” (venenosa alusão ao alegado mau feitio de Tiago) através da americaníssima seita Mórmon que assegura ter ele ressuscitado e que, em 1829, acompanhado por São Pedro e São João, reconheceria oficialmente Joseph Smith – inventor do mormonismo – enquanto legítimo e único representante do Grande Fantasma Cósmico na Terra. A verdade é que Micah, sempre muito dado a temas bíblicos e afins, no novo When I Shoot At You With Arrows, I Will Shoot To Destroy You – inspirado num desabafo do intratável Jeová em Ezequiel 5:16 –, recorre à escultura em granito de Mestre Mateo no Pórtico da Glória da catedral de Compostela para explicar porque se faz agora acompanhar pelos Musicians of the Apocalypse: “São Tiago, rodeado por 24 músicos – aparentemente encarcerados na pedra –, com os instrumentos nas mãos: uns afinam-nos, outros estão apenas sentados, à espera. Esperam, pacientemente, há mais de 800 anos que São Tiago erga as mãos e comece a dirigi-los. São os Músicos do Apocalipse. Trarão à Terra o Inferno e o Céu. Trarão o Apocalipse”. Mantendo-se Tiago, até hoje, imóvel, Micah decidiu rodear-se de 24 músicos que permanecerão anónimos e, numa sessão de 24 horas, gravou esta colecção de 7 canções desmoronadas, entre o miasma alucinadamente místico, a country sonâmbula e cavernosa e um rock encardido, palco para maldições ("My Blood Will Call Out To You From The Ground"), insultos ("Fuck Your Wisdom") e proclamações ("I Am Looking For The Truth, Not a Knife In The Back"). O Apocalipse é que tarda a chegar.

26 June 2018

BOAS ÁGUAS

  
Robin Hood’s Bay é uma pequena vila piscatória na costa Norte do Yorkshire. É pouco provável que Robin Hood alguma vez tenha andado por lá – tão pouco provável quanto a própria existência histórica da personagem – mas uma velha balada conta que, após um saque das embarcações de pescadores locais por piratas franceses, o lendário herói terá vencido os corsários e distribuído o produto da pilhagem pelos pobres da terra. O lugar situa-se a pouco mais de hora e meia, a pé, do porto de Whitby, cenário inspirador para o Dracula, de Bram Stoker, povoação natal de Cædmon, o mais antigo (sec. VII) poeta inglês de que há registo, e não demasiado longe de Scarborough, cuja feira foi usada como intrigante metáfora para "Scarborough Fair", balada possivelmente anterior ao sec XVII e que, depois de diversas versões – Ewan Mac Coll, A.L. Lloyd, Martin Carthy, Shirley Collins, Bob Dylan (sob o título "Girl From The North Cuntry") – se tornaria um êxito para Simon & Garfunkel, em 1966. Foi com Martin Carthy que Paul Simon a aprendeu, numa das suas, então habituais, deslocações a Inglaterra. 



Feche-se, agora o círculo: gravado na Fisherhead Congregational Church de Robin Hood’s Bay (onde reside o casal Martin Carthy/Norma Waterson), Anchor assinala o momento em que Carthy, que jurara não voltar a cantá-la (memórias amargas de direitos de autor sonegados na banda sonora de The Graduate...), regressa a "Scarborough Fair". É uma interpretação óptima e consideravelmente diferente mas a importância do álbum está muito longe de se ficar por aí: verdadeira reunião de duas gerações da realeza folk britânica, Norma Waterson & Eliza Carthy With the Gift Band – tal como já acontecera antes sob a designação Waterson:Carthy – junta Eliza com os pais, Marty e Norma (ambos a chegarem aos 80 anos), e, em geografia historicamente adequada, não apenas convoca toda a memória dos Watersons, Steeleye Span, Fairport Convention, Albion Band e Brass Monkey, mas, sem reflexos nostálgicos, abre-a também a saborosas contiguidades ("Lost In The Stars", de Kurt Weill, a desaguar em "The Galaxy Song", dos Monty Python), belíssimas transfigurações ("Strange Weather", de Tom Waits, "The Beast", de Michael Marra, a assombrada "Shanty Of The Whale", de KT Tunstall), ou à redescoberta da empolgante "The Elfin Knight", prima afastada de... "Scarborough Fair". Depois do óptimo Lodestar (2016), gravado por Shirley Collins aos 81 anos, Anchor confirma: a folk britânica só pode ser, sem dúvida, território de boas águas.

14 November 2017

PROFETAS


Nem no mundo dos profetas – ramo de actividade muito popular na Antiguidade, do qual, numa das mais famosas sequências de Life Of Brian, os Monty Python nos dão uma mui convincente representação – reinava a igualdade: de quase uma centena de praticantes desse ofício registados na Bíblia, apenas quatro (Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel) são considerados “profetas maiores”. Todos os outros foram irremediavelmente desqualificados como “menores”. Um deles, Miqueias, embora nunca se elevando, de facto, à altura das visões de um Ezequiel – pioneiro da "sci-fi" e dos encontros imediatos de 3º grau –, não deixou de ser um profissional competentissimo que, de acordo com a "job description", anunciou calamidades e devastações e antecipou verdadeiramente o futuro, denunciando a desonestidade dos mercados e a corrupção nos governos.



Tanto assim que as suas palavras chegam, ainda hoje, até nós, na voz de outro Miqueias (em inglês, Micah), que, exactamente a meio de Micah P. Hinson Presents The Holy Strangers, durante os 7’28” de "Micah Book One", sobre fundo de "easy listening" para caixa de música de recorte country, recita, ipsis verbis, quase na íntegra, aquele peculiar tipo de "billet doux" que Jeová gostava de enviar aos seus intérpretes terrenos: “I will make this world a heap of rubble, (...) I will pour her stones into the valley and lay bare her foundations, all her idols will be broken to pieces, all her temple gifts will be burned with fire; (...) I will go about barefoot and naked, I will howl like a jackal and moan like an owl for her wound is incurable”. Hinson, o puríssimo "misfit" de Abilene, Texas, que já em "God Is Good" (de Micah P. Hinson & The Nothing, 2014) mantinha uma relação problemática com as escrituras dos pastores hebraicos da Idade do Bronze (“My true love don't need me no more, she's gone down that golden shore (...) and my Good Book claims that God is good”), optou, agora, pela composição de uma “modern folk opera” com libreto vagamente em torno da biografia de uma família em tempos de guerra. E fá-lo naquele registo de Johnny Cash despejando a última gota de "bourbon" a meias com Leonard Cohen, que, desde a abertura com "sample" de pregador evangélico, "intermezzi" instrumentais, e episódios arrepiantes, culmina num "Come By Here’/Kumbaya" sonâmbulo, cambaleante e terminalmente desalentado.

28 July 2015

04 May 2015

O Festival da Eurovisão morreu. Finito. Kaput. It is no more. It has ceased to be. It's expired and gone to meet its maker. It's a stiff. Bereft of life, it rests in peace. Nem um átomozinho daquele saboroso kitsch que lhe dava graça. Agora, é só mesmo trampa. Com enorme, sobre-humano esforço, salve-se a Castafiore sérvia. Conchita Wurst, volta!