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22 April 2017

Ou como (evocando o trafulha do Freud) a literatura lusa continua fixada na fase oral (III)


"À semelhança do que acontece em Rodrigues dos Santos, as mamas grandes são a matéria, a substância e o assunto do corpus literário de Miguel Sousa Tavares (aliás Sousa Tavares tem muito de Rodrigues dos Santos e vice versa). De certo modo, ao elevá-las à altura de uma doutrina, as mamas grandes tornaram-se um símbolo constitutivo da escrita do autor de Não Te Deixarei Morrer, David Crockett e são hoje uma marca pessoalíssima da sua obra. Na verdade, as palavras e os pensamentos de Sousa Tavares costumam ir dar às mamas, único terreno onde as suas ideias se costumam mover com algum à vontade" (João Pedro George, "As mamas na literatura portuguesa", número de Primavera-2017 da revista "Ler" - série iniciada aqui)

20 April 2017

Ou como (evocando o trafulha do Freud) a literatura lusa continua fixada na fase oral (I)

La Toilette de Venus - William Bouguerau (1873)

Que ninguém ouse duvidar: haverá, inevitavelmente, um AM e um DM (antes das mamas e depois das mamas) na história da literatura portuguesa! Para sempre o deveremos às 33 páginas do enciclopédico ensaio "As mamas na literatura portuguesa", publicado por João Pedro George, no número da Primavera-2017 da revista "Ler". Tão erudita investigação sobre a dimensão eminentemente glandular da escrita dos nossos maiores vultos não poderia aqui passar despercebida. Inicia-se, pois, uma série na qual, por assim dizer, se dará o devido relevo a alguns dos mais saborosos nacos. Da prosa de JPG.

"Quem leu Camões, Eça de Queirós, Mário de Sá-Carneiro, David Mourão-Ferreira, Baptista-Bastos, Maria João Lopo de Carvalho, Nuno Júdice ou Margarida Rebelo Pinto, entre outros, não terá por certo deixado de notar a abundância e variedade de mamas. Os personagens dos romances de Miguel Sousa Tavares, por exemplo, são propensos a ver mamas em toda a parte, vivem dominados pelo desejo de mamas, parecem não ter outra ideia, outro objectivo que não seja a busca de um genuíno par de mamas. (...) A este mesmo grupo pertence o fabuloso criador de O Códex 632, de A Fórmula de Deus e de tantos outros livros em que as descrições das mamas, combinando a sugestão freudiana e o estilo proustiano, são da maior importância para a compreensão e interpretação do pensamento literário de José Rodrigues dos Santos".