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02 March 2022

"The Road"   

(sequência daqui) É, por isso, inteiramente natural que a uma citação do Principezinho, de Saint-Exupéry, se siga outra de Mark Twain (“Some of the worst thing in my life never happened”), que daí se salte para as instalações de Realidade Virtual ou para o Lazzaretto Vecchio, em Veneza, primeira “ilha de quarentena” estabelecida em 1423 para o isolamento de leprosos e das vítimas da Peste Negra, ou que se evoque John Cage que passou muitas horas de deleite, nos bosques, dirigindo interpretações dos seus 4’33” de silêncio. É o próprio Cage – tal como Freud, Brian Eno ou Gertrude Stein - que nos fala pela voz da ventríloqua Laurie que, mais à frente, nos fará passar 2 minutos sob a queda de flores de cerejeira, nos apresentará a Isabella d’Este, "zen master" do Renascimento italiano, à "dérive" Situacionista de Guy Débord e aos jogos de ilusão de Alexandre Potemkine com Catarina a Grande, para, sem transição, comentar “Por falar em realidade, no Texas reabriu a época de caça. Desta vez, às mulheres grávidas”. Afinal, o que é uma história? “Tentar contar a história do fim do mundo é tão difícil como contar a do princípio. Há tantas versões da criação. Somos os primeiros humanos a enfrentar a possibilidade – alguns dizem a probabilidade – da nossa extinção. E somos os primeiros humanos a tentar encontrar as palavras para o dizer. Habitualmente, uma história é algo que contamos a alguém. Mas, se contamos uma história a ninguém, será ainda uma história?” (segue para aqui)

"The City"

12 June 2020

O bácoro Lourenço pode vomitar todas as inanidades que lhe chocalham no crânio - teremos sempre o Mark Twain (esse temível marxista cultural) para recolocar as peças no seu devido lugar

(tradução em português)

01 November 2016

FUGA SEM FIM


      1) E ainda há quem negue que os astros exercem influência sobre a vida dos humanos... no caso de Bruce Springsteen, foi a Lua de 20 de Julho de 1969, pelas 22h56. Neil Armstrong e Buzz Aldrin estavam prestes a dar um passo gigante para a humanidade mas, no Pandemonium Club, na esquina da Sunset Avenue com a Route 35 da costa de New Jersey, os presentes dividiam-se entre concentrar-se nas imagens a preto e branco que uma pequena televisão, num canto do bar, recebia de um ponto no espaço a 384 400 quilómetros de distância e prestar atenção ao concerto dos Child (designação original dos Steel Mill, semente da futura E-Street Band). Perante a indecisão, o baterista Vini "Mad Dog" Lopez fez jus ao nome e berrou “Se não desligarem imeditamente a merda da televisão, vou aí e espeto-lhe um pontapé!”, logo a seguir, saltou para cima do proprietário do clube e, nesse momento, Bruce e a banda viram o seu primeiro contrato para uma semana inteira de concertos ser, instantaneamente, cancelado. Porém, assegura Springsteen nas duas últimas linhas do capítulo 17 da sua autobiografia, Born To Run, “não iríamos ficar muito mais tempo no circuito dos bares da costa. O mundo dos concertos estava à nossa espera”.

Steel Mill
  
     2) Um ponto de partida poderá situar-se na primeira metade da década de 60, quando, por volta dos catorze anos, Bruce Springsteen tinha um sonho recorrente no qual os Rolling Stones davam um concerto no Convention Hall de Asbury Park mas, inesperada e dramaticamente, Mick Jagger adoecia. Era impossível adiar o espectáculo e encontrar quem o substituísse tornava-se uma terrível urgência. Mas quem o poderia fazer? “De repente, surgia um jovem herói no meio do público. Tinha a voz, o look, os movimentos, não tinha acne e tocava guitarra que se fartava. O Keith sorria e, de um momento para o outro, os Stones já não estavam tão desesperados para tirar o Mick da cama. Como é que o sonho acabava? Sempre da mesma maneira... o público em êxtase”.


     3) Na verdade, em tonalidade mais intensamente bíblica, tudo começara anos antes, num outro ecrã de televisão: “No princípio, a Terra estava coberta por uma enorme escuridão. Havia o Natal e o dia de anos, mas, para lá disso, havia um vazio infinito e autoritário. (...) Depois, num momento de luz ofuscante, como se no universo tivesse nascido um bilião de novos sóis, passou a haver esperança, sexo, ritmo, emoção, possibilidades, uma nova maneira de sentir, de pensar, de olhar para o corpo, de pentear o cabelo, de usar a roupa, de andar e de viver”. Após vários parágrafos engarrafados de maiúsculas e pontos de exclamação, o segredo é revelado: a 9 de Setembro de 1956, Elvis Presley fizera a sua aparição no programa televisivo de Ed Sullivan. Exactamente o mesmo profeta que, noutro dia 9 (de Fevereiro de 1964), faria descer dos céus outras quatro divindades: “Como que por milagre, o meu cabelo encaracolado italiano ficava liso, o meu rosto ficava sem acne e o meu corpo encolhia e cabia num daqueles fatos à Nehru. Estava empoleirado nos saltos de umas botas cubanas à Beatles. Não demorei muito tempo a perceber: eu não queria propriamente conhecer os Beatles. Queria ser os Beatles”.


     4) Nas cerca de 600 páginas de Born To Run, Springsteen nunca voa tão alto como Dylan, em Chronicles Vol. 1, ou mesmo como Morrissey, nas melhores passagens da sua Autobiography. Isso não impede, contudo, estas memórias de serem um posto de observação privilegiado sobre uma biografia – e o que dela se reflecte na obra musical – tão medularmente americana quanto (quase) desconfortável por essa condição. O avô “holandês” mas, essencialmente, “o sangue irlandês e italiano”. A casa da família “literalmente, no seio da Igreja Católica”, entre o convento das freiras, a igreja de Santa Rosa de Lima e a escola. A memória das “tenebrosas assembleias da comunhão, (...) o incenso, os homens crucificados, o dogma que era uma tortura memorizar, a Via Sacra das sextas-feiras, os homens e mulheres de vestes negras até aos pés, o confessionário com a sua cortina e a janela de correr, a expressão sombria do padre”. E o pavor da escola (“Já me tinham batido com a régua nos nós dos dedos ou puxado a gravata até sufocar; já me tinham dado carolos e metido de castigo num armário ou na lata do lixo enquanto me diziam que aquele era o meu lugar. Tudo bastante normal para uma escola católica nos anos 50”) da qual, assim que pôde se libertou. Porém, “no catolicismo, havia uma poesia, um perigo e uma escuridão que reflectiam a minha imaginação e o meu eu interior (...) uma terra de uma beleza enorme e agreste, de histórias fantásticas, castigos inimagináveis e recompensas infinitas, (...) um lugar glorioso e patético”. E tudo isso a verter-se cinematograficamente sobre “Adam Raised A Cain", "Promised Land", "Jesus Was An Only Son", "Heaven’s Wall", "Devils and Dust", "This Is Your Sword" e incontáveis referências como “forty days and nights of rain washed this land, Jesus said the money changers in this temple will not stand, find your flock, get them to higher ground, the floodwaters’ rising, we’re Canaan bound” (de "Rocky Ground" em Wrecking Ball).



     5) Por vezes, pressente-se quase uma ressonância do Kerouac de On The Road (“Quando chove, a humidade do ar inunda a nossa cidade com o cheiro a café moído que vem da fábrica da Nescafé, ao fundo, para leste. Não gosto de café mas gosto daquele cheiro. (...) Há aqui um lugar – podem ouvi-lo cheirá-lo – onde as pessoas vivem, sofrem, desfrutam de pequenos prazeres, jogam basebol, morrem, fazem amor, têm filhos, embebedam-se nas noites de Primavera e fazem tudo o que podem para manter ao longe os demónios que querem destruir-nos a nós, às nossas casas, às nossas famílias, à nossa cidade (...) – a cidade de Freehold, New Jersey”); noutras, abeira-se de Mark Twain (“Tenho dez anos e conheço todas as rachas e buracos dos passeios em Randolph Street, a minha rua, onde sou ora Aníbal a vencer os Alpes, um fuzileiro num combate terrível numa montanha ou todos os cowboys possíveis e imaginários a atravessar os caminhos rochosos da Serra Nevada”); noutras ainda, em apenas duas frases, arranca uma imagem completa ao álbum de família: “A minha mãe lia romances e deliciava-se com os êxitos mais recentes da rádio. O meu pai explicava-me que as canções de amor faziam parte da conspiração do governo para levar as pessoas a casarem-se e a pagarem impostos”.


     6) Como Elvis Costello na sua autobiografia do ano passado, Unfaithful Music, Springsteen, em simultâneo com a publicação de Born To Run (não foi, decididamente, um acaso que tivesse atribuído às memórias o mesmo título do álbum que imaginou como “o último disco à face da terra, o último disco que poderíamos ouvir na vida, um ruído glorioso antes do apocalipse”), edita um "companion album", Chapter and Verse, algo como uma banda sonora da leitura, cronologicamente organizada. Começa, então, pela pré-História com os Castiles (assim baptizados a partir de uma marca de champô), Steel Mill – isto é, Springsteen gatinhando pelo chão do blues/hard rock, “música pesada proletária com guitarras estridentes” –, e da Bruce Springsteen Band ("The Ballad Of Jesse James" é uma convincente imitação de The Band) e, a partir do instante em que “havíamos subido aos céus e falado com os deuses que nos disseram que cuspíamos trovões e lançávamos raios” (por outras palavras, a entusiástica benção de John Hammond e o contrato com a Columbia), de Greetings From Asbury Park, NJ em diante, é, como se diz, História. Assente num método – “imagino uma vida, depois visto-a e vejo como me assenta” – e numa convicção: “Iria passar a minha vida na estrada, percorrendo centenas de milhares de quilómetros, e a minha história seria sempre a mesma... o homem chega à cidade, dispara, o homem vai-se embora da cidade e afasta-se por entre a escuridão; depois, 'fade to black'. Tal como eu gosto”.

10 June 2016



"Patriotism ... is a superstition artificially created and maintained through a network of lies and falsehoods; a superstition that robs man of his self-respect and dignity, and increases his arrogance and conceit" ― Emma Goldman

"In every age it has been the tyrant, the oppressor and the exploiter who has wrapped himself in the cloak of patriotism, or religion, or both to deceive and overawe the people" ― Eugene V. Debs

"Unhappy the land that is in need of heroes" ― Bertolt Brecht

"How does one hate a country, or love one?... I know people, I know towns, farms, hills and rivers and rocks, I know how the sun at sunset in autumn falls on the side of a certain plowland in the hills; but what is the sense of giving a boundary to all that, of giving a name and ceasing to love where the name ceases to apply? What is the love of one's country; is it hate of one's uncountry? Then it's not a good thing" ― Ursula K. Le Guin

"There has seldom if ever a shortage of eager young males prepared to kill and die to preserve the security, comfort and prejudices of their elders, and what you call heroism is just an expression of this simple fact; there is never a scarcity of idiots" ― Iain Banks

"I'm no more modern than ancient, no more French than Chinese, and the idea of a native country, that is to say, the imperative to live on one bit of ground marked red or blue on the map and to hate the other bits in green or black, has always seemed to me narrow-minded, blinkered and profoundly stupid" - Gustave Flaubert

"Man is the only patriot. He sets himself apart in his own country, under his own flag, and sneers at the other nations, and keeps multitudinous uniformed assassins on hand at heavy expense to grab slices of other people's countries, and keep them from grabbing slices of his. And in the intervals between campaigns, he washes the blood off his hands and works for the universal brotherhood of man, with his mouth” - Mark Twain

01 January 2016

"Now is the accepted time to make your regular annual good resolutions. Next week you can begin paving hell with them as usual. Yesterday, everybody smoked his last cigar, took his last drink, and swore his last oath. Today, we are a pious and exemplary community. Thirty days from now, we shall have cast our reformation to the winds and gone to cutting our ancient short comings considerably shorter than ever. We shall also reflect pleasantly upon how we did the same old thing last year about this time. However, go in, community. New Year’s is a harmless annual institution, of no particular use to anybody save as a scapegoat for promiscuous drunks, and friendly calls, and humbug resolutions, and we wish you to enjoy it with a looseness suited to the greatness of the occasion" (The Works of Mark Twain; Early Tales & Sketches, Vol. 1 1851-1864)

(daqui)

30 December 2011

ACHO MUITÍSSIMO BEM. DIREITO AO DOLCE FARE NIENTE, À IMPRODUTIVIDADE E AO MEDITERRÂNICO DESCANSO. VAMOS INSCREVER NA CONSTITUIÇÃO?

Deputados estão de férias "para compensar" o que trabalharam no Verão


Bing Crosby - "Busy Doin' Nothing" (A Connecticut Yankee in King Arthur's Court - real. Tay Garnett, 1949)

We're busy doin' nothin'
Workin' the whole day through
Tryin' to find lots of things not to do
We're busy goin' nowhere
Isn't it just a crime
We'd like to be unhappy, but
We never do have the time

I have to watch the river
To see that it doesn't stop
And stick around the rosebuds
So they'll know when to pop
And keep the crickets cheerful
They're really a solemn bunch
Hustle, bustle
And only an hour for lunch

We're busy doin' nothin'
Workin' the whole day through
Tryin' to find lots of things not to do
We're busy goin' nowhere
Isn't it just a crime
We'd like to be unhappy, but
We never do have the time

I have to wake the Sun up
He's liable to sleep all day
And then inspect the rainbows
So they'll be bright and gay
I must rehearse the songbirds
To see that they sing in key
Hustle, bustle
And never a moment free

We're busy doin' nothin'
Workin' the whole day through
Tryin' to find lots of things not to do
We're busy going nowhere
Isn't it just a crime
We'd like to be unhappy, but
We never do have the time

I have to meet a turtle
I'm teachin' him how to swim
Then I have to shine the dewdrops
You know they're looking rather dim
I told my friend, the robin
I'd buy him a brand new vest
Hustle, bustle
We never do have
We never do have
We never do, never do
Never do, never do, never do have the time
Never do have the time


(2011)

15 June 2011

MAS QUE MAL TE FIZ EU, LEOPARDO?



1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?

Existe: leio e releio, incansavelmente, a Bíblia. Em rigor, não é “um livro” mas uma colecção de 66 livros. Prefiro, claramente, o Antigo Testamento – repleto de mais sangue, violência, traição, inveja, pornografia, ficção-científica, estupro, incesto, irracionalidade e ódio do que qualquer um dos seus equivalentes cinematográficos realizados em Hollywood ou no San Fernando Valley – ao Novo, excessivamente "hippie avant la lettre" para o meu gosto (embora também tenha dois ou três belos nacos para ferrar o dente). Mas, aqui, é necessário dizer que a melhor versão da “parte que interessa” do Novo Testamento se descobre em A Vida de Brian. Sempre fui de opinião que uma correcta e massiva divulgação da Bíblia contribuiria de forma decisiva para a diminuição do número de crentes.

2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?

O cliché do costume: Ulysses, de James Joyce.

3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

A Vida e Opiniões de Tristram Shandy, de Laurence Sterne. Lido pela primeira vez numa viagem de avião de ida e volta Lisboa-Nova Iorque-Salt-Lake City. A ficção-Mormon pareceu-me encaixar-se de modo assombrosamente perfeito no remoinho narrativo do Shandy. Mil vezes que se lhe pegue, nunca é o mesmo livro.

4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?

A Divina Comédia, Dante. Assustou-me de morte ter compreendido que, para o descodificar integralmente, precisaria de um trabalho prévio de, para aí, uma vida.

5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?

O Passageiro Clandestino, primeiro capítulo de A História do Mundo Em 10 Capítulos e Meio, de Julian Barnes.

6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?

Sim. Júlio Verne. Tintim. Asterix. Mark Twain. Blake & Mortimer. Lucky Luke. As biografias de Geronimo, Carzy Horse e Buffalo Bill. Kipling. Robinson Crusoe. A Ilha do Tesouro. Walter Scott. Os Cinco. Jack London. Os Tarzans, do Rice Burroughs. Mas, aos quinze, já lhe estava a dar na Filosofia na Alcova, do Sade.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?

Não nasci para sofrer. Já larguei vários a meio.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.

Não é pergunta que se faça. Mas, reduzindo a coisa ao osso, é mais ou menos isto: Poesias, Rimbaud; Français, Encore Un Éffort Si Vous Voulez Être Républicains (o “miolo” filosofante da Alcova, do Sade); Alberto Caeiro; Nietzsche, retirado, às cegas, da prateleira; os já falados Sterne e Bíblia; Obras Completas, de Oscar Wilde; Poesias, de Rumi; A Ilha do Dia Antes, Umberto Eco.

9. Que livro estás a ler neste momento?

Lentissimamente (está quase a fazer um ano), The Inheritance Of Rome/A History Of Europe From 400 to 1000, de Chris Wickham.

10. Indica dez amigos para o Meme Literário:

Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti. Não é coisa “bíblica”, é só bom senso convivial.

(2011)

03 February 2011

(O ANO A SEGUIR AO) ANO DO TIGRE (XLII)

Tigres de Mark Twain

"Go to Heaven for the climate, Hell for the company" (Mark Twain)

(2011)

02 October 2010

ANO DO TIGRE (XX)



"If man could be crossed with the cat it would improve the man, but it would deteriorate the cat" (Mark Twain)

(2010)

15 August 2010

ÍMPIAS CITAÇÕES (III)


"Man is a Religious Animal. Man is the only Religious Animal. He is the only animal that has the True Religion - several of them. He is the only animal that loves his neighbor as himself and cuts his throat if his theology isn't straight. He has made a graveyard of the globe in trying his honest best to smooth his brother's path to happiness and heaven... The higher animals have no religion. And we are told that they are going to be left out in the Hereafter. I wonder why? It seems questionable taste" (Mark Twain)

(2010)

05 January 2010

THE CHIMPANZEE PART OF THE BRAIN WORKING



"An atheist group in the Irish Republic has defied a new blasphemy law by publishing a series of anti-religious quotations on its website. Atheist Ireland says it will fight any action taken against it in court. The quotations include the words of writers such as Mark Twain and Salman Rushdie, but also Jesus Christ, the Prophet Muhammad and Pope Benedict XVI. The new law makes blasphemy a crime punishable by a fine of up to 25,000 euros" (aqui)

Três amostras (o resto está aqui):

Randy Newman, "God’s Song", 1972: “And the Lord said: I burn down your cities – how blind you must be. I take from you your children, and you say how blessed are we. You all must be crazy to put your faith in me. That’s why I love mankind”



Frank Zappa, 1989: “If you want to get together in any exclusive situation and have people love you, fine – but to hang all this desperate sociology on the idea of The Cloud-Guy who has The Big Book, who knows if you’ve been bad or good – and cares about any of it – to hang it all on that, folks, is the chimpanzee part of the brain working”

Richard Dawkins in The God Delusion, 2006: “The God of the Old Testament is arguably the most unpleasant character in all fiction: jealous and proud of it; a petty, unjust, unforgiving control-freak; a vindictive, bloodthirsty ethnic cleanser; a misogynistic, homophobic, racist, infanticidal, genocidal, filicidal, pestilential, megalomaniacal, sadomasochistic, capriciously malevolent bully”

... a propósito (informação do Ricardo Gross): o tema do Hitchens na Casa Pessoa é "A Necessidade do Ateísmo"

(2019)

14 December 2009

IL DUOMO DI MILANO



"A very world of solid weight, and yet so delicate, so airy, so graceful!" (Mark Twain in Innocents Abroad)

(2009)

15 September 2009

NA FLORESTA COM UM MAPA DE LONDRES



Nick Cave & The Bad Seeds - From Her To Eternity




Nick Cave & The Bad Seeds - The Firstborn Is Dead




Nick Cave & The Bad Seeds - Kicking Against The Pricks




Nick Cave & The Bad Seeds - Your Funeral... My Trial

Pouco depois do início do segundo capítulo do documentário Do You Love Me Like I Love You, de Iain Forsyth e Jane Pollard – equitativamente dividido pelos quatro DVD que acompanham a reedição remasterizada do quarteto inaugural da discografia de Nick Cave & The Bad Seeds –, o jornalista e biógrafo de Cave, Max Dax, invoca o conceito de "cross-mapping", do realizador e romancista alemão, Alexander Kluge, para caracterizar o quase fetichismo literário de Nick Cave (em particular, de The Firstborn Is Dead, de 1985, em diante) pelos temas e autores do Sul norte-americano. Australiano, emigrado de Melbourne para Inglaterra, gravando no antigo salão de baile nazi dos estúdios Hansa, imaginando-se na pele de Faulkner, Carson McCullers ou Flannery O’Connor, Cave era como alguém que “caminhava pelo interior de uma floresta com um mapa de Londres nas mãos”.



Já, a propósito de From Her To Eternity (1984) – primeira faixa do primeiro álbum em nome próprio: "Avalanche", de Leonard Cohen – , alguém havia definido a transição dos Birthday Party para os Bad Seeds como uma mudança estético-táctica, do “carpet bombing” sonoro e literário para um “bombardeamento mais cirúrgico”, algo como “Elvis Presley meets Johnny Cash, meets the Sex Pistols”, com “melhor conteúdo poético”. Não desvalorizando a obra propriamente musical de Nick Cave, permitam-me sugerir que ele nunca foi mais "sulista" e "faulknercullerso’conneriano" do que no cinema, em The Proposition (2005), de John Hillcoat, para o qual escreveu o argumento e a banda sonora, onde, o regresso à Austrália colonial, lugar de nenhuma redenção e de todas as irremediáveis condenações, se desenhava como espaço de confronto, sem vencedores e só com derrotados, entre a implacável natureza e o imenso pior (e apenas o hipotético melhor) da espécie humana.



Limpo o pó das espiras de vinil e puxado o lustro à primitiva tecnologia digital, tanto esses dois álbuns como Kicking Against The Pricks e Your Funeral My Trial (ambos de 1986) – um, segundo Simon Reynolds, a conversão de “xâmane, à maneira de Jim Morrison e Iggy Pop, em showman”, o outro, uma experiência de “tentar não ser tão esquisito”, nas palavras de John Darnielle, dos Mountain Goats –, regressam, agora, em toda a sua glória original, rememorando os anos em que apenas Mick Harvey conseguia segurar as desvairadas pontas de um bando de junkies em roda livre, o produtor, Flood, operava milagres improváveis com tempo de estúdio limitado e (de acordo com os depoimentos de fãs, cúmplices, jornalistas, gente alucinada e colaborante dos Einstürzende Neubauten e Die Haut, roadies, editores, e outros santos e apóstolos) uma seita que fazia questão de nada ter a ver com a mitologia do rock’n’roll e lhe preferia as assombrações de John Lee Hooker e Blind Lemon Jefferson, o kitsch de Gene Pitney e dos Seekers ou os pesadelos no ventre da besta de Jack Henry Abbott, edificava um universo paralelo... do rock’n’roll. Do espectro do gémeo morto de Elvis Presley à memória das chain-gang songs, dos danados de Peckinpah a Edgar Allan Poe ou ao Huck Finn de Mark Twain revisto por Bukowski, com um único rumo: “This is the track of deception, leads to the heart of despair".

(2009)


Voto na urna: nulø, com a frase "ESTA GENTE É UM NOJO"