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17 November 2021

14 November 2021

OUTRO FILME PARA OS OUVIDOS


A "city symphony", um género cinematográfico experimental surgido nos anos 20 do século passado, pretendia, através do ritmo de uma montagem fragmentada e caleidoscópica, mostrar a vibração das grandes cidades, não como cenário ou pano de fundo mas enquanto personagem principal. Documentários poéticos de uma quase abstracção animada pela câmara, Man With A Movie Camera (1929), de Dziga Vertov, Manhatta (1921), de Paul Strand e Charles Sheeler, Douro, Faina Fluvial (1931), de Manoel de Oliveira, ou Berlin: Die Sinfonie der Großstadt (1927), de Walter Ruttmann, eram registos vertiginosos de “a day in the life” convertidos em música visual. Ruttmann, figura importante da vanguarda artística alemã da época, seria também o autor de Wochenende (1930), colagem de sons recolhidos pelas ruas de Berlim que anteciparia a “musique concrète” e que ele descreveria como “uma sinfonia de sons, fragmentos de fala e silêncio tecidos num poema”, algo como um “filme para os ouvidos”, isto é, o oposto das "city symphonies". Quase um século depois, foi no rasto de Ruttmann – e de David Bowie, Marlene Dietrich, e Anita Berber, actriz, bailarina, “Deusa da Noite” e “Princesa do Deboche” da República de Weimar (e do seu ácido cronista Kurt Tucholsky) – que J Wilgoose, Esq., motor criativo dos Public Service Broadcasting, se mudou para Berlim durante nove meses. (daqui; segue para aqui)
 
"Der Rhythmus der Maschinen" [ft. Blixa Bargeld]

28 June 2016

A LIBERDADE ILUMINANDO O MUNDO


Pedro vive com 9 irmãos numa espelunca de paredes de cartão e janelas sem vidros onde o pai o espanca se ele se atreve a dizer que está cansado demais para mendigar. Pedro sonha com o dia em que será capaz de matar o velho e dedicar-se ao “dealing on the dirty boulevard”. Do outro lado, no Lincoln Center, estreia uma ópera à qual as “movie stars arrive by limousine” mas “the lights are out on the mean streets, a small kid stands by the Lincoln Tunnel selling plastic roses for a buck” e “the tv whores are calling the cops out for a suck”. E, como um fantasma cruel que paira sobre o "Dirty Boulevard" da New York (1989), de Lou Reed, escutam-se as palavras “Give me your hungry, your tired, your poor, I'll piss on 'em, that's what the Statue of Bigotry says, your poor huddled masses, let's club 'em to death and get it over with and just dump 'em on the boulevard”. Se, hoje, fosse viva, Emma Lazarus arrepiar-se-ia ao dar-se conta de como a História e o tempo obrigaram a que o seu poema, “The New Colossus”, fosse, inevitavelmente, desfigurado. Tradutora e poetisa, filha de emigrantes judeus sefarditas-ashkenazi de origem portuguesa e alemã, Emma escreveu em 1883 esse soneto com o objectivo de angariar fundos para a construção do pedestal da estátua da Liberdade, na Liberty Island, no porto de Nova Iorque.


Dedicava-se, por essa altura, ao auxílio a refugiados judeus em fuga dos "pogroms" anti-semitas na Europa de Leste. A eles dirigiu as palavras dos cinco versos finais do soneto que acabaria inscrito numa placa, na base da estátua: “Give me your tired, your poor, your huddled masses yearning to breathe free, the wretched refuse of your teeming shore. Send these, the homeless, tempest-tost to me, I lift my lamp beside the golden door!”. Irving Berlin adaptou excertos do poema no "musical" Miss Liberty (1949), no cinema, surgiria em Hold Back the Dawn (1941), um ano depois, em Saboteur, de Alfred Hitchcock, e, recitado em português, em Cristóvão Colombo – O Enigma (2007), de Manoel de Oliveira. Quando Lou Reed o repescou para "Dirty Boulevard", o acolhimento que os EUA de Ronald Reagan ofereciam às “tired, poor, huddled masses” estaria longe de ser exemplar mas seriam precisas quase três décadas até se atingir o grau supremo de selvajaria de que Donald Trump é o arauto. E, uma vez mais, “The New Colossus” foi chamado ao debate, pela mão de Andrew Bird. Em "Saints Preservus", do recente Are You Serious, acidamente, apela: “Bring me your poor and your trembling masses, bring them here, to shelter in your substructure parking lot”.

12 January 2015

O OUTRO LYNCH
 

A linha que separa a genialidade alucinadamente surrealista da idiotia pura e simples é extraordinariamente fina, dando-se o caso, de, por vezes, ambas coexistirem na mesma personalidade. Particularizando, poderá dizer-se que, embora longe de ser um ponto de vista consensual, o David Lynch de Blue Velvet, Wild At Heart, Twin Peaks ou Mulholland Drive cai na categoria daqueles autores que, exigindo o desmantelamento de todos os códigos interpretativos convencionais e obrigando-nos a participar do seu "stream of (sub)consciousness" narrativo – com os riscos de contaminação pela peçonha freudiana, naturalmente, incluídos –, dificilmente não encontrará um lugar de relevo nas histórias do cinema que, no final deste século, continuarem a ser publicadas.
 

Outro exemplo de manual da estética literalista (real. Manoel de Oliveira)

Já o mesmo, decerto, não acontecerá com o “outro Lynch”, aquele que, tendo frequentado, em 2003, um "Millionaire's Enlightenment Course" do farsante Maharishi Mahesh Yogi (inscrição de 1 milhão de dólares que a espiritualidade faz-se pagar cara), não só não aprendeu com a experiência que, quase quatro décadas antes, John Lennon revelou em "Sexy Sadie" (na versão original: “Maharishi what have you done? You made a fool of everyone”) como se converteu em paladino da “meditação transcendental”, fundou, em 2005, a David Lynch Foundation For Consciousness-Based Education and World Peace (em menos palavras: “eduquês” hippie-new age) e publicou o manual de – pausa, respirar fundo – “auto-ajuda”, Catching the Big Fish: Meditation, Consciousness, and Creativity. Por isso, descobri-lo lado a lado com os Duran Duran (bonecos animados para consumo de adolescentes de 80, actuais cinquentões fazendo render, penosamente, a nostalgia), para filmar um concerto de 2011, já não será, exactamente, surpreendente. Mas, ao ouvi-lo anunciar, na abertura de Unstaged, que “isto será uma combinação espontânea de imagens e música” em que “happy accidents” ocorrerão, apetece dar o benefício da dúvida. Em vão. Exercício de máxima redundância audiovisual (em "Hungry Like The Wolf", a imagem de um lobo, em "Planet Earth", a da Terra, em "Girls On Film", as de... err... girls on film), possui um único mérito: inventar um novo sentido para a palavra “literalidade”.

16 July 2011

PRONTO, ESTÁ AQUI A SOLUÇÃO: O RATING DA DÍVIDA
SOBE PARA "TRIPLE A", O PORTO E O BENFICA VÃO À
FINAL DA CHAMPIONS LEAGUE, MANOEL DE OLIVEIRA
GANHA O OSCAR E TONY CARREIRA É CAPA DA "TIME"
E DA "NEWSWEEK", ACLAMADO COMO "O NOVO SINATRA"



Poster do concerto do novo Sinatra que antecederá a final Benfica-Porto, da Champions League 2011-2012

O presidente da Companhia Portuguesa de Rating (CPR), José Poças Esteves, disse à agência Lusa que a empresa está disponível para classificar a República Portuguesa se o Governo assim o pretender, mas o Estado ainda não pediu.

... mas estão à espera de quê, poças?!!!...

(2011)

01 May 2011

"A FORÇA E A ESPERANÇA" AGORA
COM A BANDA SONORA ORIGINAL

(director's cut)



Um trabalho exemplar embora ligeiramente prejudicado pelo estilo interpretativo excessivamente oliveiriano da Joana... Oliveira.

(2011)

23 June 2009

EU SEI QUE SEMPRE FUI UMA NÓDOA A MATEMÁTICA...



... mas ou o tipo está apostar no "efeito-Manoel de Oliveira" ou há algum código de honra na seita tipo "mais de 20 anos, és maricas" ou, então, sou eu que nunca mais aprendo a fazer contas:

"Numa carta enviada ao Tribunal Federal de Manhattan, citada pela agência de informação financeira Bloomberg, Bernard Madoff justifica o seu pedido com a colaboração que teve com os oficiais federais. O antigo financeiro de Wall Street, com 71 anos, enfrenta acusações que podem condená-lo a um máximo de 150 anos de prisão e o julgamento está marcado para 29 de Junho. Porém, pela mão do seu advogado, Ira Sorkin, alega que uma pena de 12 anos seria apropriada já que a esperança de vida de Madoff é agora de 13 anos. Em alternativa, Ira Sorkin argumenta que uma pena entre os 15 e os 20 anos conseguiria 'atingir efectivamente' as metas da sentença 'sem castigar desproporcionalmente Bernard Madoff'. O advogado alega ainda que a média dos outros acusados por crimes de "colarinho branco" ronda os 15 anos, citando um estudo conduzido por Herbert Hoelter , consultor contratado por Madoff". (aqui)



(2009)