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04 January 2008

FÉRTEIS TORSÕES



Pedro - You, Me & Everyone

A filiação é na escola de pensamento musical Four Tet/Prefuse 73/Manitoba – a tal que, para o bem e para o mal, ficaria conhecida como “folktronica” – mas que ninguém ouse dizer isso a James Rutledge (aliás, Pedro, “nom de plume”) que ele trepa instantaneamente pelas paredes acima, de fúria. Na verdade, após a escuta de You, Me And Everyone, se se entende facilmente que os procedimentos e conceitos que presidem à manipulação dos materiais sonoros não são drasticamente diversos dos do triângulo acima referido, será bastante menos evidente descortinar onde se poderiam situar os elementos bucólico/paisagísticos que o “folk” de “folktronica” tende a sugerir. Sim, há flautas, glockenspiel e cordas mas, mais decisivo do que isso, uma estratégia montada em torno de um velho PC, um gira-discos e um sintetizador, com o objectivo de, entre samplagem, improvisação e copy + paste, muito à maneira de Brian Eno, “capturar acidentes”: colisões de sopros jazz em delírio-free, espasmos e glissandi digitais, densas malhas polirrítmicas, decomposições minimalistas do vocabulário neo-clássico e outras várias e assaz férteis torsões. (2007)

13 August 2007

THE BROTHERHOOD OF THE UNKNOWN * (I)

(* segundo David Thomas: "The first Pere Ubu record was meant to be something that would gain us entry into the Brotherhood of the Unknown that was gathering in used record bins everywhere")




Minotaur Shock - Chiff-Chaffs & Willow-Warblers

Tudo começou quando David Edwards decidiu apropriar-se do computador Atari de um budista de partida para o Tibete em demanda espiritual. Em lógica sequência, vendeu-o a um hippy e comprou um PC. O resultado foi a transformação de Edwards em Minotaur Shock, dois EP iniciais — Bagatelle e Motoring Britain — e, agora, este primeiro CD de longa duração. Tal como aos igualmente óptimos Manitoba e Boards Of Canada (ou aos bem mais antigos Ultramarine), foi-lhe colado o rótulo de "folk-tinged electronica" ou "futuristic fractured folk-music". A preguiça catalogadora é o que é mas até nem tem mal. Embora Chiff-Chaffs & Willow-Warblers seja consideravelmente mais do que isso.



O quê, então? Talvez a banda sonora para uma narrativa serenamente esquizóide realizada a partir de vertiginosas flutuações de "pitch" como ondulações de maré, interferências de rádio sobre extáticas transcrições sonoras do momento da aura epiléptica, obstinações de micro-melodias justapostas a frenesins de arritmia caótica, aguarelas bucólicas para rebanho, jardim zen e estenografia dadaísta, polaróides do luar nos Alpes de Urano, estilhaços microscópicos de ornamentos barrocos enxertados num monólogo de insectos, exercícios de aquecimento para os primeiros três segundos de uma cerimónia de defuntos, divertimentos para caixa de música e pianola num circo de gnomos, "rêveries" de absinto vertido a conta-gotas sobre uma paisagem de Legos, coreografias mecânicas para um exército liliputiano no palco de um clube de jazz. Provavelmente, a música que se escutará quando ao engenho do universo começar a faltar a corda. (2002)