M.I.A. - "Borders"
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06 December 2015
03 January 2011
2010 - MEIA IDADE
M.I.A. - "Born Free"
A 4 de Novembro passado, no “Guardian”, John Harris, num texto intitulado “Someone out there, please pick up a guitar and howl”, interrogava-se acerca dos motivos porque, após “dois anos de tumulto pós-crash” e na sequência dos violentos protestos de rua em reacção às medidas tomadas por David Cameron no Reino Unido, a cultura pop permanecia “descomprometida, carregada de ironia, essencialmente apolítica”. Mais especificamente, no caso da música, sublinhava que “actualmente, o espírito de dissidência, parece ter-se tornado demasiado um exclusivo de gerações anteriores que existe mais para ser saudado com reverência do que reinventado”. E – antes de, quase em desespero, terminar com o apelo às armas que serviria de título ao artigo – adiantava duas hipóteses explicativas: 1) a pop, na totalidade do seu espectro geracional e em todo o planeta, entrou definitivamente na meia-idade, encontrando-se, hoje, muito mais vocacionada para vender telemóveis do que para banda sonora de revoltas sociais; 2) porque ocorreria a alguém exprimir ideias de insurreição através da forma de arte preferida do capitalismo?
Não existirá melhor exemplo de como a pop, em boa medida, se transformou (também) em território consensual para amável troca de galhardetes políticos do que o episódio ocorrido a 8 de Dezembro, no parlamento britânico, por altura da votação dos cortes nas verbas para o ensino público, entre David Cameron e uma deputada da oposição trabalhista, quando esta lhe perguntou o que – sendo ele um confessado fã dos Smiths – pensava do facto de, via Twitter, tanto Johnny Marr como Morrissey o terem, simbolicamente, “proibido de gostar deles”. E acrescentou: “Se o primeiro-ministro sair vencedor do voto de quinta-feira, que música imagina que os estudantes estarão a ouvir naquele momento? ‘Miserable Lie’, ‘I Don’t Owe You Anything’ ou ‘Heaven knows I’m miserable now’?” Tranquila e sorridentemente, Cameron respondeu: “Acho que, se estiverem a pensar em mim, não vai ser ‘This Charming Man’. Mas, se eu estiver ao lado do Secretário de Estado, William Hague, provavelmente será ‘William, It Was Really Nothing’”.
Na verdade, se a pop nunca marchou, de armas na mão, sobre os Palácios de Inverno do mundo, não se descobre já, a cada esquina, um Phil Ochs ou uns MC5, e não será amanhã que um novo grupo de guerrilheiros urbanos alucinados como os Weathermen dos anos 70 se inspirará numa canção de um qualquer Dylan para iniciar as hostilidades. Casos como o de M.I.A. e do seu polémico vídeo “Born Free” (mas diz-se “polémico” e o impacto é, instantaneamente, amortecido...) são a excepção e não a regra. Laurie Anderson ainda ousa dizer “You thought there were things that had disappeared forever, things from the Middle Ages, beheadings and hangings and people in cages, and suddenly they’re alright, welcome to the American night”. Mas a pop tem mais com que se preocupar.
(2011)
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