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21 October 2024


(sequência daqui) JL - O seu interesse pelo uso da tecnologia como ferramenta indispensável no trabalho de criação foi sempre muito evidente. Actualmente, com os mais recentes desenvolvimentos no campo da Inteligência Artificial, continua a pensar do mesmo modo em relação a ela? 

    LA - Adoro a IA, usei-a imenso em Amelia. Particularmente, os modelos de linguagem do Machine Learning Institute, em Adelaide, na Austrália, onde sou artista residente. Tudo o que eu, desde sempre, escrevi, gravei ou disse foi alojado num supercomputador. O que me permitiu, de certo modo, colaborar comigo mesma. É uma ideia muito interessante, com imenso potencial para dilatar os limites da actividade artística. Por outro lado, deixei de ser tão optimista quando me apercebi que a realidade começou a transformar-se em algo bizarro, opcional. A IA pode ser-nos muito útil mas teremos de estar muito atentos ao caminho por onde nos irá conduzir e aquilo que, por aí, poderemos ir perdendo. E também me arrepia o facto de ela fazer parte da enorme e aterradora cultura da vigilância que rasteja atrás de nós e do elevadíssimo e perigosíssimo potencial para gerar desinformação que contém. 

    JL - A "sua" IA foi utilizada recentemente para a escrita dos textos de canções do último álbum dos Loma, How Will I Live Without A Body?, a partir de imagens fotográficas. De quem é, então, a autoria destes textos? 

    LA - Os algoritmos que participaram na criação desses textos foram treinados na minha escrita. Trata-se, portanto, da minha personagem IA. Tanto pode resultar muito bem como assemelhar-se ao que escreveria um chimpanzé agarrado a um teclado. No fundo, nem é muito diferente da minha própria escrita: a maior parte vai parar ao lixo e há uma coisa aqui, outra ali, que merece ser salva. (segue para aqui)

19 August 2024

 
(sequência daqui) Nunca tendo sequer chegado a trocar ideias sobre o assunto, uma noite, sem aviso, receberam um email com a mistura completa da faixa: ponto de equilíbrio perfeito entre Loma e Eno, era um mantra minimal e enigmático predestinado para concluir o álbum. Já mais afoitos nos corredores da aristocracia art pop, para o novo How Will I Live Without A Body?, atreveram-se a contactar Laurie Anderson para, por meio de um zingarelho de AI por ela educado no conhecimento profundo da sua obra, lhe propor a escrita de textos a partir de imagens fotográficas. Daí resultaram "How It Starts" ("The risk is in all you're holding, bodies only know, how to fall together") e "Affinity" ("From the day, that I could talk, I had to know, how will I live, without a body?") a juntar às 9 outras, gravadas entre uma oficina de urnas funerárias e as ruinas de uma capela do século XII, naquela zona translúcida onde coabitam "field recordings", clarinetes, folktronica e as sombras de tudo isso.

15 August 2024

ZONA TRANSLÚCIDA
Era Agosto de 2018 e, no final do concerto dos Loma durante o SPF 30 - que comemorava o 30º aniversário da Sub Pop, de Seattle -, a cantora Emily Cross mergulhou sobre a multidão presente na praia onde o festival decorria. E, tomando-a como trampolim, lançou-se ao mar enquanto no palco, Dan Duszynski e Jonathan Meiburg continuavam a tocar. Como confessaria Cross, "Era o maior público para o qual alguma vez tínhamos actuado. Pensámos: porque não pararmos aqui já?" Tal decisão drástica não chegaria, porém, a ser tomada. Muito menos após, a 26 de Dezembro, Emily ter recebido um email de um amigo que contava ter ouvido Brian Eno na BBC Radio jorrando louvores sobre Loma (2018), o anterior (e primeiro) álbum da banda. Ainda incrédulos acerca da benção de Sua Alteza Brian Peter George Jean-Baptiste de la Salle Eno, durante as gravações de Dont' Shy Away (2020), ganharam coragem para lhe enviar uma maqueta de "Homing" a que ele "deveria fazer o que quisesse" (daqui; segue para aqui)