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08 September 2025

GENTIL PSICADELISMO

Não tem sido devidamente investigado o conjunto de circunstâncias que estarão na raiz do súbito surgimento de uma corrente particularmente experimental de música folk irlandesa. Mas é indiscutível que, com epicentro em Dublin, um universo em permanente expansão - Lankum, Landless, Brìghde Chaimbeul, Radie Peat, ØXN, Ye Vagabonds, Skipper’s Alley, Lisa O'Neill, John Francis Flynn - vem sistematicamente publicando aquilo que, seguramente, no futuro, haverá de ser encarado como uma preciosíssima arca de tesouros. Detectada por Geoff Travis e Jeannette Lee (da Rough Trade) quando se aperceberam da existência de “beautiful and strange traditional music from Britain, Ireland and beyond”, para ela criaram a etiqueta River Lea - "a division of Rough Trade Records" - e reservaram quase em exclusivo os dotes de produção de John "Spud" Murphy, espécie de Martin Hannett tardio das margens do Liffey. (daqui; segue)
 
 Poor Creature - "All Smiles Tonight"

15 February 2024

Anna Calvi on scoring the music of Peaky Blinders season 5
 
(sequência daqui) Tendo como tema principal "Red Right Hand", de Nick Cave, muitas outras eminências da música actual - PJ Harvey, Laura Marling, Radiohead, Sam Lee, White Stripes, Sinéad O'Connor, Lisa O'Neil... - se lhe foram agregando. Nas duas últimas temporadas, foi, porém, a magnífica Anna Calvi a ocupar o lugar central, criando 37 temas agora recolhidos em Peaky Blinders: Season 5 & 6 (Original Score). Há 4 anos, aquando da publicação de Hunted, dizia-nos: “Queria ter a noção de quão profundamente seria capaz de entrar naquele imenso abismo negro do espírito do Tommy Shelby, a personagem principal. Explorar aquelas trevas e vulnerabilidade, aquela brutalidade e sensibilidade que sempre procurei na minha música, como se eu fosse ele. Uma espécie de diálogo que me conduziu a procurar inspiração na música dos 'westerns' porque Peaky Blinders é, de facto, um 'western' situado em Birmingham”. Bem-vindos ao imenso abismo negro.

11 January 2024

 
(sequência daqui) Na verdade, não se trata apenas dele mas de uma comunidade informal de músicos irlandeses de Dublin que tem, até agora, como figuras mais destacadas os Lankum (publicaram, este ano, o belíssimo False Lankum) mas igualmente os nada menores Lisa O’Neill (All Of This Is Chance, acabado de entrar para o cânone em 2023) e, idem aspas, os ØXN, de CYRM. John Francis cresceu a tocar "tin whistle", estudou música na universidade e considerou a hipótese de vir a ser professor. A "pós-graduação", porém, fê-la pelos "pubs" de Stoneybatter e Capel Street, na margem norte do Liffey, mas, sobretudo, no Cobblestone, em Smithfield (anunciado como "A drinking pub with a music problem"). Foi por aí que descobriu as gentes dos Lankum e afins, deu corda aos Skipper’s Alley e, em 2021, por ocasião da campanha contra o extermínio do Cobblestone às mãos dos tubarões do imobiliário, as várias pontas de um problema começaram a tornar-se evidentes: "Quando as coisas ficam hiper-globalizadas, as habitações são devastadas pelos grandes negócios, é impossível pagar uma casa na nossa própria cidade, e nos descobrimos à deriva num mar de 'branding' empresarial, temos de nos dedicar realmente às raizes culturais. Começamos a interrogar-nos de onde somos e o que isso significa e é muito fácil agarrarmo-nos à nossa identidade: basta cantar uma canção ou escutá-la". Mais ou menos o mesmo que, há um par de anos, Radie Peat, dos Lankum, no "Irish Independent", perguntava: "Desejamos realmente uma cidade onde tudo é propriedade da mesma gente, só existem Lidls e Aldis e as lojas de esquina desapareceram?" (segue para aqui)

10 December 2023

Glen Hansard and Lisa O'Neill Perform "Fairytale of New York" at Shane MacGowan's Funeral

10 April 2023

26 March 2023

Lisa O' Neill - "Whisht, The Wild Workings Of The Mind"
(daqui; álbum integral aqui)

16 March 2023

"Silver Seed"
 
(sequência daqui) E, um pouco por todo o lado, outros nomes – Shane MacGowan, Johnny Cash, Nick Cave, William Blake, Christy Moore – iriam sendo pronunciados, inclusive pela própria Lisa quando interrogada sobre que elementos a influenciariam: “A chuva, o vento, as flores, as abelhas, os rios, as árvores, os pássaros, as perguntas que as crianças fazem. Gente como Alan Watts, Charlie Chaplin, Einstein, Nina Simone, Moondog, a lua e o pó das estrelas”. Nem seria preciso recordar a assombração da sua voz no episódio final da série Peaky Blinders incinerando o haiku “All The Tired Horses”, de Bob Dylan, para que, antes da escuta de All Of This Is Chance, não tivesse já a menor dúvida de que “a lawless league of lonesome beauty” acabara de chegar das costas da Irlanda. Crua e densamente orquestral, entranhadamente tradicional e irremediavelmente contemporânea, com o olhar nas estrelas ("A star ran rings around the star before me and spun and swooped and sank in rock beneath me”) e uma fonte de alimentação inesgotável: “The solar system is a very large pool to draw from!

15 March 2023

Lisa O'Neill - "All The Tired Horses"  
(B. Dylan)

Peaky Blinders | Season 6 | Ending Scene (ver também aqui)

13 March 2023

 A LAWLESS LEAGUE OF LONESOME BEAUTY
 
 
Alguém deverá ter-se apossado da "password" que permite o acesso aos meus subterrâneos mentais e me activa instantaneamente determinados reflexos condicionados. E, sabe-se lá como, ela terá chegado às mãos de Stephen Troussé, que, na “Uncut”, acerca de All Of This Is Chance, de Lisa O’Neill, escreveria: “Os pares deste disco poderiam ser Astral Weeks (de Van Morrison), Starsailor (de Tim Buckley), Music For A New Society (de John Cale), New Skin For The Old Ceremony (de Leonard Cohen) e, em particular, Miss America, de Mary Margaret O’Hara. Ela não estaria deslocada entre todos estes fantasmas”. Como se não bastasse, no “Guardian”, Neil Spencer, reforçaria a dose, provocando: “Como outras vozes poéticas singulares - Tom Waits, Björk, Leonard Cohen, a nenhuma das quais ela se assemelha – Lisa O’Neill sempre dividirá as opiniões”. (segue para aqui)

11 February 2022

Brigid Mae Power & Adrian Crowley - "Halfway To Andalucia"
 
(sequência daqui) Imediatamente antes de o despovoamento das salas se ter tornado a desgraçada norma pandémica mas, pelo atraso na publicação, agora em perfeita coincidência com o ar do tempo. In The Echo: Field Recordings From Earlsfort Terrace é, então, o lugar onde (após a aparição na mais aterradora sequência de The Proposition, de John Hillcoat, 2005) "Peggy Gordon" retorna na voz de Lisa O’Neill e no violino de Colm Mac Con Iomaire, "Empire One", em diálogo entre voz, clarinete baixo e piano, conduz Katie Kim e Seán Mac Erlaine a invocar os This Mortal Coil, "MCMXIV" força Lisa Hannigan e o Crash Ensemble a debaterem-se com os limites da linguagem, e Brigid Mae Power e Adrian Crowley, em "Halfway To Andalucia", deslizam sobre uma folk translúcida e assombrada.

08 February 2022

MÚSICOS E ARQUITECTURA
 

O National Concert Hall de Dublin é um edifício de 1865, situado em Earlsfort Terrace, e intimamente ligado à história da luta pela independência da Irlanda. Entre 2014 e 2016, Ross Turner – baterista e multi-instrumentista com currículo ao lado de Lisa Hannigan, Joe Henry, Ships,  I Am The Cosmos e Villagers – foi músico residente da venerável instituição e foi nessa qualidade que, por ocasião do 150º aniversário do Concert Hall, se entregou à missão de desafiar músicos de diferentes áreas a explorar os vários espaços do edifício (excepto o palco) para criar novos objectos sonoros. Como diria à RTÉ, “Um dos meus elementos favoritos daquelas instalações é a forma como soam, a combinação das amplas salas de mármore com as divisões de chão de madeira e as escadarias de pedra. Ter escutado ali, anteriormente, coros, orquestras e solistas foi o que me inspirou a tentar capturar a simbiose entre os músicos e a arquitectura, uma antítese do típico ambiente controlado de um estúdio. A intenção era extrair tanto quanto possível do potencial sonoro do edifício, preservar a autenticidade naquele processo de expressão, descoberta e exploração”. E sem público. (segue para aqui)

Lisa O'Neill & Colm Mac Con Iomaire - "Peggy Gordon"

31 October 2021

BELO E ESTRANHO
 

Será um caso típico de mais vale tarde que nunca. Mas a Rough Trade que sempre fez questão de andar um passo à frente da concorrência, só há pouco se deu conta de que existia “beautiful and strange traditional music from Britain, Ireland and beyond” (refira-se, contudo, a atenuante de lhe devermos a publicação de Between The Earth And The Sky, 2017, e The Livelong Day, 2019, dos extraordinários Lankum). Para a dar a conhecer, criou a etiqueta River Lea – dirigida por Geoff Travis e Jeannette Lee – na qual publicou já álbuns de Lisa O’Neill, Ye Vagabonds, Brìghde Chaimbeul e, agora, I Would Not Live Always, a imperial estreia a solo de John Francis Flynn, também muito activo membro do quinteto folk de Dublin, Skipper’s Alley. Foi, justamente, num concerto dos Lankum de que Flynn realizava a primeira parte, que Travis se apercebeu da impressionante riqueza daquela música que não se deixava sufocar pelo respeitinho à tradição mas a fazia explodir em mil direcções. (daqui; segue para aqui)