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09 June 2010

A DESCER EM MATEMÁTICA



Foals - Total Life Forever

Os manuais-pop poderão explicar-nos que o "math-rock" é um sub-género do "post-rock", caracterizado por uma maior complexidade rítmica, melodias estenográficas e afeição pela dissonância mas, em boa verdade, como diria Fernando Pessoa, trata-se apenas de uma tradução do binómio de Newton para partitura. Nas suas melhores versões, poderá, de facto, ser tão belo como a Vénus de Milo, e, nesse âmbito, o primeiro álbum dos Foals (Antidotes, 2008), embora ainda a razoável distância da elegância helénica da escultura de Alexandre de Antioquia, era um belo exemplo de articulação ginasticada entre as equações sonoras de Reich e Branca e as flexões musculares dos A Certain Ratio, Pop Group e Liquid Liquid. Total Life Forever – inspirado no futurismo de Raymond Kurzweil – conserva, no essencial, essa matriz (e também a irritante voz de Yannis-clone-de-Robert-Smith-Philippakis) mas o que lhe acrescenta parece denunciar uma perturbadora ambição de, a curto-prazo, trocar o estatuto de culto indie pela competição na arena com os U2. Pensem nos óptimos Simple Minds de Empires And Dance e no que eles se tornaram e terão uma ideia.

(2010)

07 January 2009

VINTAGE (II)


Liquid Liquid - "Cavern"



Bush Tetras - "Too Many Creeps"

(2009)

10 May 2008

MORTAL À RETAGUARDA



Foals - Antidotes

É total, absoluta e integralmente derivativo. O mortal à retaguarda abarca uma portentosa distância de vinte e tal anos. Mas, nessa específica modalidade de pastiche e colagem de marcas sonoras cujo copyright é propriedade definitivamente alheia, o quinteto britânico de Oxford, Foals, em álbum de estreia, é, seguramente, dos mais capazes de demonstrar a outros – como, por exemplo, os !!! – onde se situa o “state of the art”.



Accione-se, pois, o “rewind” na direcção dos explicitamente reinvindicados Steve Reich e Glenn Branca, considerem-se igualmente as hipóteses Arthur Russell, A Certain Ratio, Liquid Liquid, Pop Group e PigBag, passe-se Fela Kuti pela lixívia dos Talking Heads iniciais e, com a participação episódica do destacamento de sopros novaiorquino Antibalas, obter-se-à um bem interessante cocktail de referências em vertiginoso remoinho que, para ascender a um plano francamente superior, apenas precisaria de dar folga à voz de Yannis Philippakis (mais um dispensável e inexplicável clone de Robert Smith), corpo estranho e alergeno sonoro numa gravação que ganharia tudo se fosse exclusivamente instrumental.



Não é certo que a matéria dê para segundo álbum viável mas este até é eminentemente consumível. (2008)