18 November 2025
03 June 2024
ORDEM, CAOS E OS RUÍDOS DO MUNDO
A 22 do próximo mês de Agosto, celebram-se os 30 anos da publicação de Dummy, álbum de estreia dos Portishead, trio de Bristol constituído por Beth Gibbons (voz), Geoff Barrow (produção e multi-instrumentista) e Adrian Utley (guitarra). Oriundos do que ficaria conhecido como "The Bristol Scene", agregação informal de músicos e artistas do panorama alternativo local - Tricky, Massive Attack, Alpha, o "street artist" Banksy -, seria, essencialmente, a eles que ficaríamos a dever o que veio a designar-se como "trip-hop": uma tapeçaria sonora na qual, em doses infinitesimais, funk, jazz, hip-hop, bandas sonoras (John Barry, Lalo Schifrin, Ennio Morricone), soul, electrónica e experimentalismos vários se articulariam numa descendência contemporânea da "torch song" em registo "neo-noir" e de ressonâncias lynchianas. Beth escrevia textos dilacerantemente íntimos que Geoff não se esforçava por compreender ("Ele não faz a menor ideia do que eu estou a cantar. Não lhe interessa e admite-o sem problemas", confessaria, então, Beth) mas que, na sua missão de "sound designer" e garimpeiro de "beats", com a contribuição de Utley, reconfigurava como estojos sonoros ideais. (daqui; segue)
24 January 2016
06 March 2008
Steroid Maximus - Ectopia
Jim Thirwell, aliás, J.G. Thirwell, aliás, Clint Ruin, Foetus, Wiseblood ou Manorexia, um dos mais reputados terroristas sónicos no activo que já colaborou com Lydia Lunch, Nick Cave, Nine Inch Nails ou Jon Spencer, encarna a nova persona Steroid Maximus, compositor ultra-barroco da estética "copy+paste" no subgénero banda sonora "noir". Ectopia — à letra, a deslocação de um orgão da sua posição normal — faz plena justiça ao título:
trata-se de uma eufórica celebração do universo de mil partituras para "spy movies", obscuridades "blaxploitation", policiais, séries de televisão, Bonds e outros "Get Smart" avulsos, com todos os tiques dos diversos Lalo Schiffrins e John Barrys deste mundo mas, num tal jogo de sobreposição, repetição e acumulação de efeitos e maneirismos, que literalmente a convertem numa espécie de monumental utopia deslocada do género, possivelmente imprestável para qualquer filme real mas verdadeiramente impressionante enquanto portentoso pastiche devoradoramente consumptivo. Obviamente "grand guignol" instrumental, esta modalidade da BSO negra enquanto metástase mutante é uma delícia para os ouvidos certos. (2002)