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26 March 2021

TURBILHÃO
 

Do lado de lá da Mancha, Fairport Convention – com Liege & Lief (1969) – e sua imensa côrte tinham dado o tiro de partida. Em muito pouco tempo, as ondas de choque alcançariam o hexágono gaulês e a descendência revelar-se-ia vasta e riquíssima: do sumo-sacerdote Alan Stivell, a uma legião de bandas – La Bamboche, Mont-Jòia, Le Grand Rouge, Mélusine, Tri Yann, La Chifonnie, Perlinpinpin Fòlc, Malicorne, Maluzerne – totalmente entregue à escavação da tradição musical popular e à (sempre perigosamente escorregadia) busca das identidades locais. Chegaram a ter uma espécie de orgão central do movimento, a revista “L’Escargot Folk” publicada entre 1974 e 1980, e vários de entre eles migraram, literalmente, das cidades para o campo, em regime de dedicação exclusiva à missão de guardiões do património. Olivier Durif, de Le Grand Rouge, foi um desses militantes recolectores que, não apenas chegaria a ser director do Centre des Musiques Traditionnelles du Limousin, como, em modo de John e Alan Lomax, daria ao mundo Eva e Gabriel, continuadores da causa e um dos dois pares de irmãos que, com outro par de primos, viriam a constituir os formidáveis San Salvador. (daqui; segue para aqui)

22 March 2021

La Bamboche, Malicorne, Le Grand Rouge, La Chifonnie - Grand Bal Folk

(ver aqui; álbum integral aqui)

06 December 2012

26 May 2011

CLUBE GOURMET
 

A Presença das Formigas - Ciclorama

No resto, não se sabe. Mas, em matéria de música, ninguém tenha dúvidas que a dieta de A Presença das Formigas é de requintadíssimos "gourmets". Naquela mesa, só entram os melhores produtos de confecção tradicional e de origem local ou internacional. Isto significa que aquilo que, no álbum de estreia do septeto do centro-norte luso, se escuta foi já bastamente decantado e destilado nos alambiques de Fausto, José Afonso, Sérgio Godinho, Gaiteiros de Lisboa e Amélia Muge e, por isso mesmo, o que de cada um dos ingredientes se identifica são apenas as mais subtis essências combinadas em doses infinitesimalmente exactas com sabedoria de perfumista. O espectro de aromas e paladares, porém, não se fica por aí e não é difícil apercebermo-nos de que, aos anteriores, se acrescentam segredos e procedimentos aprendidos (directa ou indirectamente) junto de luminárias do folk-rock britânico (Fairport Convention e, particularmente, Pentangle), eventualmente gaulês (jurava ter tropeçado em vestígios de material genético de La Bamboche), mas também oriundos de coordenadas menos previsíveis mas, indiscutivelmente identificáveis e melhor digeridas como é, garantidamente, o caso do civilizadíssimo prog-rock de marca Gentle Giant. E arabismos mediterrânicos. E penumbras fadistas. E liberdade de movimentos jazzística em contraponto com disciplina de composição contemporânea. Tudo moldado sob a forma de canções que André Cardoso (guitarras, oud, cavaquinho), Cecília Peçanha (flautas), Filipa Meneses (teclados), Luís Arrigo (percussões), Manuel Maio (violino, bandolim e cavaquinho), Miguel Cardoso (baixo, guimbarda) e Teresa Campos (voz) elevam às mais oxigenadas alturas da música portuguesa de hoje.

(2011)