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13 December 2020

When Italian Futurists Declared War on Pasta (1930)
"Futurist cooking will be free of the old obsessions with volume and weight and will have as one of its principles the abolition of pastasciutta. Pastasciutta, however agreeable to the palate, is a passéist food because it makes people heavy, brutish, deludes them into thinking it is nutritious, makes them skeptical, slow, pessimistic… Any pastascuittist who honestly examines his conscience at the moment he ingurgitates his biquotidian pyramid of pasta will find within the gloomy satisfaction of stopping up a black hole. This voracious hole is an incurable sadness of his. He may delude himself, but nothing can fill it. Only a Futurist meal can lift his spirits. And pasta is anti-virile because a heavy, bloated stomach does not encourage physical enthusiasm for a woman, nor favour the possibility of possessing her at any time"

(ver aqui também)

12 May 2017

HERDAR A FESTA


A Ian Hamilton Finlay (1925–2006), pastor, jardineiro, poeta e artista plástico, devemos os “poemas-objecto” em pedra que implantou no jardim de Little Sparta, perto de Edimburgo – “cada área receberá um pequeno artefacto que reinará como uma pequena divindade ou espírito do lugar” –, a redução drástica do monóstico (poema de um só verso) a uma única palavra e a poesia visual/concreta, publicada na revista que editou, Poor.Old.Tired.Horse, o que lhe assegurou, em exclusivo, o título de "avant-gardener" da cultura britânica. A sua primeira recolha de poesia foi The Dancers Inherit the Party (1960) onde, logo a abrir, se lê: “When I have talked for an hour I feel lousy, not so when I have danced for an hour: the dancers inherit the party while the talkers wear themselves out and sit in corners alone, and glower”. Não é, obviamente, um acaso que o ultimo álbum dos British Sea Power se intitule Let The Dancers Inherit The Party e que, em "Praise For Whatever" se escute Yan Scott Wilkinson cantar “It's such a convoluted hour to play amongst the flowers, when we're counting all the missiles down from three to one to none, and in a world of extremities we all are accessories so let the dancers inherit the party”



E também não é, de todo, inesperado: se a banda originária do paradisíaco Lake District e transplantada para Brighton já incluía no currículo o magnífico Machineries Of Joy (2013), inspirado em Ray Bradbury, e, em "Georgie Ray" (de Valhalla Dancehall, 2011), fundia Bradbury com George Orwell, invocar, agora, Ian Hamilton Finlay e recorrer a uma biografia de Jaroslav Hašek (The Bad Bohemian) para dar nome a uma canção (e correspondente videoclip de inspiração dada-surrealista via-Kurt Schwitters), é apenas uma muito natural sequência. Confessadamente concebido sobre um pano de fundo de “políticos aperfeiçoando a arte da mentira descarada, das câmaras de eco das redes sociais, dos iscos publicitárion online e dos brinquedos electrónicos que pretendem manter-nos distraídos e atordoados”, o que inquieta esta descendência – tardia mas vibrantemente reconfigurada – dos Echo & The Bunnymen e New Order é, afinal, a resposta urgente a uma pergunta: “Punk prayers, city riots, demagogues and fading lights (…) Mr psychedelic, you're a loveable relic, Mr DIY, are you no longer asking why?”

27 July 2016

HOHI, HOHO, BANG, BANG 



“Declaro que Tristan Tzara encontrou a palavra Dada no dia 8 de Fevereiro de 1916 às 6 horas da tarde; eu estava presente com os meus doze filhos quando Tzara pronunciou pela primeira vez essa palavra que desencadeou em nós um entusiasmo legítimo. Passou-se isso no Café Terrasse em Zurique, e eu trazia um brioche na narina esquerda. Estou convencido que esta palavra não tem nenhuma importância e que só imbecis ou professores espanhóis se interessam por datas”, garantia Hans Arp. Mas foi em Julho desse ano que Hugo Ball subiu ao palco do Cabaret Voltaire (perto do qual, vivia Lenine, alegado frequentador do clube), e leu o Manifesto Dada: “Dada guerra mundial sem fim, dada revolução sem princípio, amigos e auto-intitulados poetas, estimados cavalheiros, fabricantes e evangelistas. Dada Tzara, dada Huelsenbeck, dada m'dada, dada m'dada dada mhm, dada dera dada, dada Hue, dada Tza. (...) Como nos livrarmos de tudo o que fede a jornalês, a vermes, tudo o que é bonitinho e limpinho, preconceituoso, moralista, europeizado, debilitado? (...) A palavra, a palavra, a palavra fora do vosso domínio, da vossa pestilência, da vossa ridícula impotência, da vossa siderante auto-satisfação. A palavra, cavalheiros, é um assunto público de primeira importância”

Exactamente a meio dos quatro anos de horror da guerra, Dada definia o seu lugar (“Dada permanece no quadro europeu das fraquezas, não deixa de ser merda também, mas, de agora em diante, desejamos cagar em cores diferentes para ornamentar o jardim zoológico da arte de todas as bandeiras dos consulados. Somos directores de circo e assobiamos por entre os ventos das feiras, conventos, bordéis, teatros, realidades, sentimentos, restaurantes, hohi, hoho, bang, bang”), fazia anti-teoria anti-política ("Poder-se-ia construir uma máquina de fazer política, com um veio excêntrico automodificável, e assim substituir com vantagem o centro governamental; sendo uma espécie de maquiavel automático, essa máquina cuidaria da vida pública de um país com uma precisão impressionante, proveria a todas as combinações necessárias à respectiva saúde e impediria a sua senilidade”) e, de caminho, inventava o mundo moderno nas colagens, "cut-ups", "readymades", fotomontagens, "assemblages" e "sound poetry". Identificando-o como primeiro elo da “história secreta do século XX” que desembocaria no punk, Greil Marcus escreveu: “Dada foi uma profecia mas não fazia nenhuma ideia do que profetizava e a sua força era não querer saber disso para nada”