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19 April 2021

VINTAGE (DLXXI)

Julie Driscoll, Brian Auger & The Trinity - "When I Was A Young Girl"

13 November 2019

VINTAGE (DIV)

"Season of the Witch" (Donovan)

Julie Driscoll, Brian Auger & The Trinity

Mike Bloomfield, Al Kooper & Steve Stills

(ver também aqui)

16 July 2019

VINTAGE (CDXCVI)

Julie Driscoll, Brian Auger & 
The Trinity - "Road To Cairo" (D. Ackles)

(noutro vídeo aqui)

25 June 2019

02 April 2019

VIAGEM AFORTUNADA


Poderá ser uma questão de terminologia mas não é apenas uma questão de terminologia: se existe muito em comum naquilo que é (ou foi) designado por “alternativo”, “indie” ou “underground” – apesar de, sob o chapéu de chuva de “underground music”, a Wikipedia listar cerca de meia centena de sub-géneros, vários deles também densamente ramificados –, tanto o contexto em que surgiram como as características especificamente musicais obrigam a encarar cada um de forma distinta. Terá sido proferida naquela inimaginável pré-história em que não existia internet e o mundo era consideravelmente diferente, contudo, a afirmação de Frank Zappa “the mainstream comes to you, but you have to go to the underground" continua a servir perfeitamente para localizar o nó da questão: liberdade criativa, a máxima autonomia em relação à indústria e um vivo desejo de experimentação geraram sempre música que é necessário querer descobrir e em que não se tropeça ao virar da esquina.

Julie Driscoll, Brian Auger & The Trinity - "This Wheel's On Fire" (B. Dylan) + outras versões aqui

O “underground”, no final dos anos 60 do século passado, não era, porém, exclusivamente um assunto musical mas, em grande medida, social e político: nascido no caldo de cultura da ameaça nuclear da Guerra Fria, da contracultura hippie/psicadélica, do Maio de 68, da guerra do Vietname e dos movimentos pelos direitos cívicos, reflectia tudo isso sob os mais desvairados ângulos. Observando o lado de cá do Atlântico (nos EUA, o panorama era semelhante) pelo prisma do cada vez mais indispensável arquivismo histórico da Cherry Red, nos 3 CD e nas 52 faixas de Revolution: Underground Sounds of 1968, é impossível não reparar como o radicalismo anarco-freak-punk dos Deviants, de Mick Farren – também guerrilheiro activo na "free press" britânica via “International Times” e “OZ” –, convivia pacificamente com o proto-freak-folk da Incredible String Band, o dadaísmo de raiz Monty Python da Bonzo Dog Doo-Dah Band, o surrealismo pedrado e barrettiano dos Pretty Things ou o flamejante pop-jazz de Julie Driscoll, Brian Auger & The Trinity. Um nicho ecológico para cuja riquíssima biodiversidade contribuiriam igualmente os ainda embriões dos Genesis, Van Der Graaf Generator, King Crimson, Jethro Tull e Gentle Giant. Houve, inevitavelmente, muitos convertidos de última hora à causa que, de um dia para o outro, despiram o fato-macaco de transpirados trolhas dos “blues brancos” ou da pop para adolescentes afogadas em estrogénios e vestiram o uniforme “underground” (Status Quo, The Move, Ten Years After). Mas, com o “captain, my captain” John Peel ao leme, a viagem seria afortunada.

01 July 2017

"Season Of The Witch" (Donovan)

Julie Driscoll, Brian Auger & The Trinity

Richard Thompson

(ver também aqui)

23 November 2014

VINTAGE (CCXXVI)

"This Wheel's On Fire" (B. Dylan)
 
Julie Driscoll, Brian Auger & Trinity

The Byrds
COM UM CÃO DEITADO NO CHÃO

  
“O processo de aprendizagem para os artistas de todos os géneros segue habitualmente a via da imitação, assimilação e inovação. (...) Por vezes, se algo, por algum motivo, se revela impossível de replicar, o artista procura descobrir outro caminho – é a inovação por defeito. (...) Era óbvio que Bob Dylan era um inovador. Esforçava-se para aprender o seu ofício, para imprimir um cunho próprio à música. (...) Aqui e ali, reconhecia possíveis influências. Uma noite, entrou pelo Kettle Of Fish dentro, acenando com uma folha de papel: ‘Têm de ouvir esta canção que acabei de escrever! Escrevi-a ou, pelo menos, julgo que a escrevi... mas posso tê-la escutado algures’, conta Suze Rotolo, a namorada de Dylan nos seus primeiros anos nova-iorquinos, em A Freewheelin’ Time: A Memoir of Greenwich Village in the Sixties (2008).

Em 1967, Dylan havia já completado a aprendizagem – Bringing It All Back Home (1965), Highway 61 Revisited (1965) e Blonde On Blonde (1966) eram bem mais do que licenciatura, mestrado e doutoramento – mas, quando, após o famigerado acidente de moto do ano anterior, decidiu, em pleno Summer Of Love, exilar-se com a família, em Woodstock, na companhia da Band (ainda, então, apenas o grupo de músicos, ex-The Hawks, que o havia acompanhado em tournée), a atitude colectiva foi, essencialmente, a de uma descontraída cimeira de académicos da música popular norte-americana para revisões da matéria: ao universo poético e sonoro do tempo para cuja criação contribuíra, preferia, agora, intermináveis "jams" em torno das memórias de Hank Williams, Johnny Cash, Brendan Behan, John Lee Hooker, Curtis Mayfield, Patsy Cline ou Fats Domino, no cenário ideal de “uma atmosfera tranquila, uma cave com as janelas abertas e um cão deitado no chão” em que ele “actuaria como um médium numa sessão espírita, procurando captar o mistério, a magia e a verdade da grande música tradicional” e, por improváveis atalhos, oferecendo-lhe uma possibilidade de reconfiguração.

O resultado final, só hoje finalmente disponível na totalidade, desaguou em 17 bobinas engarrafadas com 138 canções (completas, em múltiplas "takes", apenas fragmentárias), quase metade versões de clássicos ou obscuridades. Na realidade, pouco ou nada é verdadeiramente inédito. Longamente aferrolhado nos cofres da Columbia até à primeira publicação, em 1975, das mui peneiradas Basement Tapes, o espólio transformou-se num dos mais lendários "bootlegs" que, em sucessivas encarnações – Great White Wonder (1969), Blind Boy Grunt & The Hawks (1986), The Genuine Basement Tapes (1992) A Tree With Roots (2001), Mixing Up The Medicine (2009) – acabaria por revelar praticamente todas as canções que as edições oficiais ou bandas como os Byrds, Band, Manfred Mann, Julie Driscoll & Brian Auger ou Fairport Convention ainda não tinham tornado públicas. A preciosidade legalizada (em versão “Raw”, de 2 CD, ou “Complete”, de 6) intitula-se The Bootleg Series Vol. 11: The Basement Tapes Complete e será, sem dúvida, merecido objecto de veneração. Mas a aura corsária já não está lá.

04 January 2011

SAMURAIS



Dexys Midnight Runners - Searching For The Young Soul Rebels (30th anniversary special edition)

Em 1980, a "blue-eyed soul" já não tinha nada de novo. De Georgie Fame a Julie Driscoll, dos Rolling Stones aos Animals, de Alan Price ao Spencer Davis Group, da Graham Bond Organisation aos Jam e a Van Morrison, todo o processo de vampirização da música popular afro-americana tinha percorrido a trajectória que, de modo mais concentradamente purista ou mais transgressoramente eclético, esteve na origem da cultura pop da segunda metade do século XX. Searching For The Young Soul Rebels, em Julho de 80, foi, assim, algo como uma singularidade quântica emergindo da cabeça de um iluminado de ascendência irlandesa, Kevin Rowlands, que não subtraía à palavra “soul” nenhum dos seus sentidos.



Seita à parte de toda a restante cena musical (“Não pretendemos fazer parte de nenhum movimento, nós somos o nosso próprio movimento”), gangue de samurais saídos de Mean Streets com uma ética e uma disciplina colectivas – que incluíam o treino físico de preparação quase militar – e um nome de ressonância anfetamínica, os Dexys Midnight Runners eram uma assombrosa máquina de esbanjamento de energia em palco (quem os viu, em 1981, em Cascais, dificilmente apagará a experiência da memória), não menores autores de um clássico da música britânica dos anos 80 (este Searching...) e de outro não demasiado distante (Too-Rye-Ay, 1982) que, partindo da "celtic soul" de Van Morrison, lhe agregava maneirismos e adereços ciganos e referências à mitologia steinbeckiana do sul norte-americano. É daí e de "Come On Eileen" que a maioria os recordará mas a poderosa explosão do álbum de estreia (nesta edição comemorativa do 30º aniversário com singles, lados B, demos e sessões de rádio acoplados) nunca seria igualada. Um último álbum (Don’t Stand Me Down, 1985) encerraria as operações e, pouco depois, Rowlands perder-se-ia no seu próprio labirinto interior.

(2010)

14 August 2010

VINTAGE (VI)

Working Week - Venceremos (c/ Tracey Thorn e Robert Wyatt)




Working Week - "Storm Of Light" (c/ Julie Tippett/Driscoll)



(2010)

17 July 2010