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23 February 2025

FOLK-ROCK MINIMALISTA


Se há personagem que, sem a mais ínfima molécula de dúvida, deverá ser objecto de incondicional veneração por parte da Internacional Melómana é Joe Boyd. É o mínimo devido a quem, enquanto produtor, editor, autor e "olheiro", foi um silencioso motor por trás das carreiras de Fairport Convention, Sandy Denny, Richard (& Linda) Thompson, Pink Floyd, Nick Drake, The Incredible String Band, R.E.M., John and Beverley Martyn, Kate & Anna McGarrigle, Billy Bragg, 10 000 Maniacs, Shirley Collins, Fotheringay, Albion Band, Dagmar Krause, Mary Margaret O'Hara e June Tabor. Mas também um dos fundadores do lendário UFO, clube da Londres psicadélica, o criador da etiqueta Hannibal Records (1980/1998) e autor de White Bicycles: Making Music in the 1960s (2007), segundo Brian Eno, "O melhor livro sobre música desde há muitos anos". Razões mais do que suficientes para que, quando ele se entusiasma com alguma coisa, lhe prestemos atenção. (daqui; segue para aqui)

"Logic"

03 February 2025

 
(sequência daqui) Por altura de Ignorance, Tamara Lindeman confessava: “Não é fácil fazer caber o mundo numa canção. Quando tentamos fazê-lo conscientemente, na maioria das vezes, falhamos. As melhores canções exigem uma certa humildade. Trata-se apenas de descobrir o botão certo, premi-lo, e esperar que quem ouve faça o resto”. Desta vez, terá sido, certamente, ainda menos fácil. Porém, armada com uma terapêutica poderosa ("Uma lista de 4 horas de música experimental, hip hop, June Tabor e Fairport Convention", confessaria ela à "Mojo"), durante duas sessões nos estúdios da Canterbury Music Company, de Toronto, na companhia de Kieran Adams (bateria), Ben Boye (teclados), Philippe Melanson (percussões), Karen Ng (sopros), e Ben Whiteley (baixo), optou por uma abordagem de improvisação livre cujos resultados haveriam de ser burilados posteriormente às mãos do produtor Marcus Paquin, de James Elkington (guitarra), do eclético Sam Amidon e do mago textural, Joseph Shabason, e posteriormente refinados na mesa de mistura de Joseph Lorge para que se constituisse enquanto peça musical unificada por pequenos fragmentos sonoros intersticiais. (segue para aqui)

16 April 2024

ESCUTAR A TERRA
Talvez não se tenha devidamente reparado mas Old Wow, de Sam Lee, foi um dos mais importantes álbuns publicados em 2021. Se, desde há anos, escutando The Unthanks, Stick In The Wheel, Hack-Poets Guild, Lankum e mais uns quantos, podia afirmar-se que as músicas de raiz tradicional e raio de acção contemporâneo haviam entrado numa nova idade de ouro que em nada ficava atrás da era dos Fairport Convention, Seeleye Span ou June Tabor, não se estava propriamente â espera do surgimento de uma personagem renascentista que elevasse tudo a um nível superior. Reunindo todas as pontas soltas, Sam Lee abraçou quantas causas ambientais foi capaz - fundou a Music Declares Emergency, associou-a â Featured Artist Coalition e esteve na origem de The Nest Collective - e, no mesmo gesto, entregou-se à redescoberta da música tradicional britânica. Em particular, aquela que foi recolhendo no contacto com aa comunidades cigana/"traveller" locais. (daqui; segue para aqui)
 
"Bushes And Briars"

25 November 2022

APENAS "MÚSICA LINDÍSSIMA"

Há 12 anos, preparavam-se Rachel e Becky Unthank para actuar no Olga Cadaval, em Sintra, pareceu-me urgente anunciar a verdadeira dimensão do que iríamos testemunhar: “Desde a era dos Fairport Convention, Steeleye Span, Pentangle, Richard & Linda Thompson e das irmãs Collins – ainda que com valiosíssimos porta-estandartes como June Tabor durante o interregno –, não surgia nenhum grupo na cena folk inglesa capaz de deixar absolutamente clara a ideia de que, no idioma popular tradicional, circulava ainda sangue suficientemente oxigenado e pronto a garantir que ‘os anos de ouro’ nunca seriam apenas uma antiga e saudosa memória. The Unthanks, em três magníficos álbuns – Cruel Sister (2005), The Bairns (2007) e Here’s The Tender Coming (2009) –, mudaram tudo”. Desde então, vários outros notáveis - Kinnaris Quintet, Lankum, Stick In The Wheel, Mànran, Sam Lee – se lhes juntaram. (daqui; segue para aqui)
 
"The Old News"

03 November 2021

(sequência daqui) Em estúdio e acompanhado pelo violinista Ultan O’Brien, mas, sobretudo, pelo baterista/compositor Ross Chaney e pelo produtor Brendan Jenkinson, compreende-se melhor por que motivo, quando chamado a confessar as suas referências, numa longuíssima lista, inclui John Martyn, Portishead, Gavin Bryars, Sufjan Stevens, Ewan MacColl, Shirley e Dolly Collins, David Byrne, Steve Reich, Bill Frisell ou Big Thief. Basta escutar "Shallow Brown" – dilacerante "sea-shanty" de navios negreiros que já assombrou June Tabor – a ser devorada por um vórtice electrónico, "My Son Tim" gradualmente estilhaçada em dissonâncias e estridências, "Lovely Joan" em dissolução num labiríntico arranjo de cordas e sopros, o emaranhado novelo de melodias para dois "tin whistles" de "Tralee Gaol" ou o tríptico "Bring Me Home" em irreversível caminhada para uma fantasmagórica abstracção. “Beautiful and strange”, sem dúvida. E absolutamente preciosa.

29 September 2020

ANTES E DEPOIS


 

No início, os Stick In The Wheel eram Nicola Kearey, Rachel Thomas Davies e Ian Carter. Desde 2013, publicaram nove singles e EP, seis álbuns – From Here (2015), Follow Them True (2018), dois volumes de English Folk Field Recordings (2017 e 2019), e as “mixtapes” This And The Memory Of This (2018) e Against The Loathsome Beyond (2019) – e participaram em outras tantas compilações. Pelo caminho, foram-se cruzando com Rachel Unthank, June Tabor, Martin Carthy, John Kirkpatrick, Eliza Carthy e vários outros notáveis e ficaram reduzidos ao núcleo Kearey/Carter.

 

"Villon Song" + François Villon e "cant"

Se, desde os primeiros passos, nunca esconderam um muito determinado programa de acção – “É preciso libertar a folk do estatuto de peça de museu, ela faz parte da nossa cultura. Os recolectores da época vitoriana privilegiavam as canções rurais, livres da contaminação das gentes urbanas. E dos imigrantes. Não fingimos ser limpa-chaminés ou ‘dandies’ do século XVII. Tocamo-la porque tem de ser tocada. Nada temos a ver com nostalgias ou atitudes retro mas há demasiada gente completamente desligada do passado e incapaz de estabelecer uma relação entre ele e o nosso presente” – e o foram concretizarando sem falhas através dos diversos ângulos da rica discografia, é, porém, com o último Hold Fast que é impossível não reconhecer estarmos perante uma daquelas gravações que definem um “antes” e um “depois”. Preto no branco: tal como é obrigatório localizar o início da primeira vaga do folk-rock britânico em Liege & Lief (1969), dos Fairport Convention, Hold Fast, não menosprezando June Tabor, os Pogues, as Unthanks ou os Lankum, assinala o momento no qual a raiz tradicional, a História, a literatura popular e o remoínho da(s) folk(s) se embrenham na modernidade e renascem mais uma vez. Simultaneamente rude e sofisticado, punk e pagão, electrónico e artesanal, com um pé em Kipling e outro no Exeter Book medieval, anglo-saxónico, cigano e yiddish, é um fulgurante relâmpago transcultural que, como se exige aos melhores, não deixa pedra sobre pedra.

04 December 2017

O FURTO


Caroline Hughes, “Queen of the Gypsies”, ia já pelos 60 e tal anos e vivia numa caravana puxada por cavalos, junto à Old Wareham Road, em Canford Heath – uma charneca de Dorset –, quando, entre 1963 e 1968, Ewan MacColl, Peggy Seeger e Charles Parker a gravaram, interpretando "The Cuckoo", de um total de 90 temas tradicionais. "Somewhere", incluindo citações de Beethoven, Tchaikovsky e o génio de Leonard Bernstein e Stephen Sondheim, era uma canção que surgia no segundo acto do musical West Side Story, estreado na Broadway em 1957. "Auld Lang Syne" (isto é, "long long ago"), é um poema de Robert Burns adaptado a uma melodia escocesa, que, em particular nos países anglófonos, é usado como despedida do ano velho. Ruth L. Tongue, folclorista de Sommerset, responsável pela recolha de inúmeros espécimes, da Idade Média a baladas vitorianas, salvou do esquecimento "On Berrow Sands" (sobre as traiçoeiras correntes do Canal de Bristol e as gaivotas que se apossavam das almas dos pescadores e marinheiros afogados) e "The Shepherd And His Dog" (retrato bucólico de uma aurea mediocritas britânica). "You Don’t Know What Love Is", de Don Raye e Gene de Paul, integra o índice dourado do Great American Songbook, tendo já sido adoptada por dezenas de músicos (Ella Fitzgerald, Chet Baker, Miles Davis, John Coltrane, Pharoah Sanders, Keith Jarrett, John Martyn, Diamanda Galás, Billie Holiday...). "Dont Think Twice, It’s Alright", tinha melodia subtraída a "Who's Gonna Buy Your Chickens When I'm Gone" ensinada por Paul Clayton a Bob Dylan que, em 1963, a incluiu em The Freewheelin' Bob Dylan


Estão todas (mais dois instrumentais e outros tantos tradicionais sem atribuição de paternidade) em Nightfall, segundo álbum para a ECM de June Tabor, Huw Warren (piano) e Iain Ballamy (sax soprano e tenor), que passaram a tomar por designação colectiva o título da belíssima gravação anterior, Quercus (2013). E, como invariavelmente acontece com Tabor, sem necessitar de gestos iconoclastas nem profanações ostensivas, apropria-se integralmente do reportório que interpreta. Aqui, da mesma forma que em Quercus (e já em At The Wood’s Heart, 2005) partilhando o furto com Ballamy (quase uma segunda voz) e Warren (a impressionista moldura harmónica do lirismo jazzy) e oferecendo-nos o que supúnhamos conhecer de um modo que nunca ouvíramos.

12 March 2015

CAVALGAR O AR


Entre Camden e o Regent’s Park, no norte de Londres, fica a Cecil Sharp House, sede da English Folk and Dance Society e porto de abrigo para 80,000 manuscritos com o registo de canções, danças e costumes tradicionais das ilhas britânicas. Foi aí que Becky Unthank descobriu um farrapo de melodia e texto (“I'll mount the air on swallow's wings to find my dearest dear, and if I lose my labour and cannot find him there, I quickly will become a fish to search the roaring sea, I love my love because I know my lover he loves me”), confiado por uma Mrs Crawford, de West Milton, ao Dorset Book of Folk Songs, publicado em 1958. Um ano depois, entre 1959 e 1960, Miles Davis e Gil Evans gravavam Sketches Of Spain, essencialmente, uma transfiguração jazzística do adagio do Concierto de Aranjuez, de Joaquin Rodrigo, acerca do qual Davis dizia “quanto mais suavemente o tocamos, mais intenso se torna”.



Adrian McNally – teclista, percussionista, compositor e arranjador de The Unthanks e Mr. Rachel Unthank "himself" –, quando colocado perante "I'll Mount the Air on Swallow's Wings [The Loyal Lover]", recordou-se que, por altura da edição de Last (2011), alguém na “Uncut” havia escrito que a banda “encarava a folk music do mesmo modo que Miles Davis via o jazz: como um trampolim para a exploração de possibilidades mais vastas”. Com o modelo de Sketches Of Spain à mão, os parcos dezasseis compassos de "The Loyal Lover", deixaram-se, elegantissimamente, ampliar para uma espantosa suite orquestral de 10 minutos: as vozes de Rachel e Becky flutuam alheias à gravidade e o trompete de Tom Arthurs, criatura de excepção que se declara tão devedor de Ligeti como dos pigmeus da África Central, de Tarkovsky, Godard ou dos "chefs" Ferran Adrià e Heston Blumenthal, opera prodígios. Há vários outros em Mount The Air, coisas que fazem lembrar (e rapidamente esquecer) Björk, Sandy Denny, Portishead (Adrian Utley também andou por aqui), June Tabor, Nico, Robert Wyatt, Van Morrison até. Sim, são dessa ordem de grandeza a infernal "nursery rhyme", "Magpie" (“Devil, devil, I defy thee”), a hipnótica imponderabilidade de "Flutter", o gélido pavor dickensiano de "Foundling", o cinemático "courtly love" de "Madam" dissolvendo-se em "Died For Love"... Álbum do ano, já?

31 December 2013

MÚSICA 2013 - INTERNACIONAL (III)

(iniciando-se, de baixo para cima *, de um total de 24)




















A desproporção de forças entre a multidão de retrocompulsivos e – em frente unida na outra trincheira – classicistas, reconfiguradores e franco-atiradores, é imensa. E não dá sinais de, nos próximos tempos, vir a alterar-se muito. Mas isso não bastou para impedir que, como invariavelmente acontece, fosse possível, durante doze meses, ir alinhando um programa de audições não irremediavelmente engatado em marcha-atrás. Se a Shaking The Habitual deve ser atribuído o destaque de objecto sonoro não identificado, June Tabor integrada nos Quercus abriu mais uma janela por onde a tradição, coabitando com o jazz contemporâneo, respira ar fresco (o que, de outros vários modos, também aconteceu em Son of Rogues Gallery). Reordenando as peças do puzzle, British Sea Power, These New Puritans, Midlake, Vampire Weekend, Broadcast, Anna Calvi e, sotto voce, Laura Marling, apresentaram provas indiscutíveis de como a legibilidade não tem de ser, obrigatoriamente, redundante. O resto, no índice do último ano antes do primeiro sem Lou Reed, foi óptimo labor clássico.

* a ordem é razoavelmente arbitrária...

26 December 2013

MIL ARDIS 


A realeza folk gosta de se apresentar na companhia de gatos: Dylan, deixou-se fotografar com eles em diversas circunstâncias, e, em especial, na capa de Bringing It All Back Home, com o seu "Rolling Stone" ao colo (em Rock Dreams, Guy Peellaert desenhá-lo-ia-o no interior de uma limusine abraçando outro tigre de bolso); Joan Baez, é omnipresente nas imagens do Google com uma pequena pantera negra nos braços; Joni Mitchell escreveu "Man From Mars" dedicada ao bem amado "Nietzsche" – arraçado de ocelote – e pintou-o (nomeadamente, na capa de Taming The Tiger); June Tabor escolheu-os para as capas de Abyssinians e Angel Tiger; Suzanne Vega não esconde o enlevo pelos "lounge tigers", "Caramel" e "Cinnamon", evocados em "Caramel" (que, bastante a propósito, seria incluída na banda sonora de The Truth About Cats And Dogs); e, acerca de Leonard Cohen, conhece-se a lenda dos seus poderes sobrenaturais de "cat whisperer", por meio dos quais terá devolvido a saúde ao felino "Hank" (assim baptizado em honra de Hank Williams). Mas, apesar disso, nenhum deles tinha tido, até agora, a honra de se juntar aos seus pares mais célebres do cinema como o "Orangey", de Breakfast At Tiffany's, o denunciante involuntário de Harry Lime/Orson Welles em O Terceiro Homem, o companheiro de Philip Marlowe no Long Goodbye, de Altman, ou a fabulosa assombração a preto e branco do genérico de Saul Bass para Walk On The Wild Side, coreografada sobre a música de Elmer Bernstein.



A sorte coube ao laranja, "Ulysses", encarregado de, em Inside Llewyn Davis, de Joel e Ethan Coen, representar o anónimo vadio que, na capa do álbum Inside Dave Van Ronk, espreita da mesma porta do Village a que este se encosta. Llewyn Davies não é Van Ronk, tal como o Salieri de Amadeus não era o Salieri histórico. Mas, nesta libérrima revisitação dos anos do folk revival nova-iorquino conduzida metaforicamente pela deambulação de um Ulysses de quatro patas, mais ou menos reconhecíveis ou com as identidades trocadas, não deixam de se encontrar marcas e figuras de uma era determinante para a música popular. Se Van Ronk era “o mayor de MacDougal Street” – esse santuário onde se situavam o Gerde’s Folk City, o Cafe Wha? ou o Gaslight Cafe, locais de peregrinação dos "beats", de Auden, Pollock, Miles Davis, Dylan Thomas, Gore Vidal e "tutti quanti" –, erudito supremo em matéria folk, isso não bastou para que, com o surgimento de Bob Dylan, em 1961 (a quem, em No Direction Home, de Scorsese, ele acusa justamente de lhe ter roubado o arranjo de "House Of The Rising Sun"), enquanto representante da geração de puristas ortodoxos, o seu tempo tivesse passado. Na banda sonora do filme (superiormente produzida por T Bone Burnett, reincidindo, ao lado dos Coen, após O Brother, Where Art Thou?), esse momento é assinalado pelo "Farewell", de Dylan, logo antes de "Green, Green, Rocky Road", do próprio Van Ronk. A restante cenografia musical – às mãos de Marcus Mumford, Punch Brothers e do improvável mas correctíssimo Justin Timberlake –, de tradicionais a temas de Tom Paxton, Brendan Behan e Ewan MacColl, é objecto de engenhosa reconstituição histórica. Tanto quanto os mil ardis de Ulysses.

23 December 2013

FOLK SINGER WITH A CAT (IV)

June Tabor - Abyssinians
 
June Tabor - Angel Tiger

16 October 2013

SIM, SIM, SIM 


Em 2011, naquelas trepidantes semanas finais do ano em que, guiando-nos fidelissimamente por parâmetros de avaliação estética praticamente científicos, nos é confiada a superior missão de decretar os melhores dos passados doze meses, quando, por entre tubos de ensaio fumegantes e folhas de Excel densamente preenchidas, ficou, enfim, concluído o processo, o resultado não poderia ser mais surpreendente (mas ciência é ciência!): no meu top 10, surgiam 9 álbuns com assinatura feminina, sendo Tom Waits (Bad As Me) o único intruso do género oposto. Ignoro em que medida isso poderá contribuir para o febril debate em curso (travado com instrumentos de análise não menos científicos do que os utilizados pela crítica musical) acerca dos consistentemente melhores resultados académicos das raparigas – é verdade que, no ano seguinte, tão avassaladora hegemonia não se repetiu – mas, dessa brigada de assalto, de acordo com os testes preliminares de selecção, encontram-se já bem colocadas para, em 2013, repetir a proeza, June Tabor, Laura Marling e no que, agora, vem à conversa, Anna Calvi. 


Por altura do álbum de estreia homónimo, o respeitável "hype" dos fãs instantâneos Brian Eno e Nick Cave ter-lhe-á, certamente, dado jeito para arrebitar orelhas distraídas. Mas, quem a escutou, rapidamente se terá apercebido de que estava perante mais um espécime particularmente valioso da classe artista pop-com-"pedigree"-de-conservatório: Calvi cantava como uma Callas membro do clube de fãs de Siouxsie Sioux, supliciava a guitarra de modo só igualado por St. Vincent, compunha nos interstícios das partituras de Debussy, Bowie, Morricone e Django Reinhardt e apresentava-se como potencial modelo fotográfico que não passaria despercebido – entre outros – a Karl Lagerfeld. Tudo motivos bastantes para que o segundo, One Breath, agora publicado, assumisse o duplo carácter de acontecimento de relevo e pretexto de confirmação definitiva (ou não). E o veredicto é sim, sim, sim! Nem uma só das qualidades antes reveladas é contrariada e várias outras se descobrem, fazendo pensar que o famigerado piropo de Eno (“o acontecimento musical mais importante desde Patti Smith”) pecava seriamente por defeito. Escutem "Piece By Piece": o crescendo da floresta de "pizzicati" de uma orquestra em afinação abre a porta a uma melodia hipnótica que se deixa abalar pelos espasmos controlados da guitarra. A mesma guitarra que, atrás, em "Eliza", se enroscara vertiginosamente como uma serpente pela batida rítmica acima, puxando a ascensão épica para além da estratosfera. Espreitem, a seguir, o vídeo de "Sing To Me", realizado por Emma Nathan: Nick Cave tem aqui o ponto de partida para passar das palavras aos actos e começar a escrever o seu segundo "western spaghetti", depois de The Proposition – a banda sonora da melhor discípula contemporânea de Morricone já existe. E prestem atenção também a "One Breath" (Portishead desagua em Mahler), "Cry" (a "torch song" segundo Hendrix), "Love Of My Life" (Hendrix esquartejado pelo punk) e "Carry Me Over" (todas as pegadas vão dar a Scott Walker). Disco do ano, qual a dúvida?

08 October 2013

VINTAGE (CLXVII)

June Tabor & Oyster Band - "This Wheel's 
On Fire" (B. Dylan)

27 September 2013

June Tabor & Oyster Band - "Bonny Bunch of Roses"
 


"Recorded in a wide range of spellings including Tabor, Tabour, Tambur, Tabournier (French), whilst the English versions include Taberner, Tabernor, Tabberner, Tabbernor, Tabiner, Tabner and others. It is a medieval surname of pre 9th century French origins, and one that was introduced into England by the Norman-French invaders at or immediatley after the famous Conquest of 1066. It is job descriptive for a military drummer, one who played the Tabour, the modern Tamborine. The instrument itself is of Ancient Persian origin dating back to 2500 BC., or even earlier and was used in almost every army band upto the present time. The name development in England has included examples of recordings such as Petur Taberner of Devonshire in 1264, Eustace Tabur of Oxford in the Hundred Rolls of 1273, and Wilhelmus Taburner in the Yorkshire Poll Tax registers of 1379. The first recorded spelling of the family name is shown to be that of Robert le Taburner. This was dated 1201, in the Pipe Rolls of the county of Yorkshire, during the reign of King John. He was known by the nickanme of "Lackland" and reigned from 1199 to 1216. Surnames became necessary when governments introduced personal taxation. In England this was sometimes known as the Poll Tax. Throughout the centuries, surnames in every country have continued to "develop" often leading to astonishing variants of the original spelling".