Showing posts with label João Pedro George. Show all posts
Showing posts with label João Pedro George. Show all posts

10 June 2020

A propósito de racismo e do derrube de símbolos fascistas, colonialistas e esclavagistas, que tal o ex-"sit-down comedian" aproveitar as solenidades tribais do 10 de Junho para propôr a higienização da toponímia das nossas cidades?

Edit (18:45) - não, o ex-"sit-down comedian" - como, aliás, seria de esperar - preferiu insistir no paleio épico-patrioteiro e anunciar homenagens aos "heróis da saúde" ...

19 September 2018

Ainda a propósito do museu das Descobertas, só uma dúvida: por que motivo, o "World Of Discoveries", no Porto, não gerou nem metade da polémica (com o Láparo na inauguração e tudo)?... Só por um ser público e o outro privado? Não esquecendo, entretanto, outras prioridades...

10 May 2018


"Falemos, por conseguinte, da questão colonial e do debate que se estabeleceu, nas últimas semanas, em torno da proposta de um Museu das Descobertas ou dos Descobrimentos. A ideia fez escândalo e sensação por causa do nome, gerou protestos, seguidos de um berreiro exaltado que desembocou em posições já antigas e conhecidas: a História de Portugal deve ser valorizada, glorificada, mitificada, e quem não contribui para dar o devido realce aos nossos heróis civilizadores é porque não gosta do País, pelo que não seria fora de propósito, na opinião de algum catedrático com uma estranha tendência para exibir o seu próprio ridículo, se essas pessoas nos libertassem do incómodo exercício de convivermos com elas, exilando-se noutro país, seguindo o exemplo de historiadores como Jaime Cortesão ou Vitorino Magalhães Godinho. (...) Parece-me que a própria ideia do museu salta por cima de coisas que, estando inexoravelmente ligadas, deverão ser resolvidas antes de mais nada. Refiro-me à toponímia colonial das nossas cidades, aos nomes que ainda decoram as ruas e que tresandam a bafio e a ranço, que tocam uma secreta vibração e repercutem filosofias e ideologias imbuídas de racismo (incluindo o racismo biológico, muito popular no final do século XIX e início do seguinte, que a coberto de teorias supostamente científicas sobre a desigualdade das raças apresentava os negros como inferiores e os brancos como superiores)" 

Nota: recordar também, por exemplo, o caso "Felix Correia"

22 April 2017

Ou como (evocando o trafulha do Freud) a literatura lusa continua fixada na fase oral (III)


"À semelhança do que acontece em Rodrigues dos Santos, as mamas grandes são a matéria, a substância e o assunto do corpus literário de Miguel Sousa Tavares (aliás Sousa Tavares tem muito de Rodrigues dos Santos e vice versa). De certo modo, ao elevá-las à altura de uma doutrina, as mamas grandes tornaram-se um símbolo constitutivo da escrita do autor de Não Te Deixarei Morrer, David Crockett e são hoje uma marca pessoalíssima da sua obra. Na verdade, as palavras e os pensamentos de Sousa Tavares costumam ir dar às mamas, único terreno onde as suas ideias se costumam mover com algum à vontade" (João Pedro George, "As mamas na literatura portuguesa", número de Primavera-2017 da revista "Ler" - série iniciada aqui)

21 April 2017

Ou como (evocando o trafulha do Freud) a literatura lusa continua fixada na fase oral (II)


"Na última década, José Rodrigues dos Santos tornou-se um dos mais famosos corifeus desta corrente estética. A título exemplificativo, leia-se n'O Anjo Branco a cena em que somos apresentados à rodesiana Nicole e aos seus 'seios desproporcionadamente grandes adornados por mamilos largos e rosados'; ou O Sétimo Selo, quando Igor se dirige a Cummings e pergunta: 'E as mamas? São grandes? Hã? São grandes?'. Depois, em O Códex 632, que é como que a matriz de toda a produção literária deste autor, na cena em que Lena insinua 'uns seios atrevidos e generosos, com um volume que a cintura estreita mais acentuava', Rodrigues dos Santos aproveita para demonstrar que as regras consentem sempre uma ou duas excepções. Veja-se o folgazão Tomás Noronha (um doido varrido por mulheres), que 'sempre ouvira dizer que as mulheres de seios grandes não eram particularmente boas na cama; mas, se isso era verdade, Lena constituia certamente a grande excepção' (o que faz de Mariana, em Alma de Pássaro, de Margarida Rebelo Pinto, a regra: 'tinha umas boas mamas mas não era grande coisa na cama')". (João Pedro George, "As mamas na literatura portuguesa", número de Primavera-2017 da revista "Ler" - série iniciada aqui)

20 April 2017

Ou como (evocando o trafulha do Freud) a literatura lusa continua fixada na fase oral (I)

La Toilette de Venus - William Bouguerau (1873)

Que ninguém ouse duvidar: haverá, inevitavelmente, um AM e um DM (antes das mamas e depois das mamas) na história da literatura portuguesa! Para sempre o deveremos às 33 páginas do enciclopédico ensaio "As mamas na literatura portuguesa", publicado por João Pedro George, no número da Primavera-2017 da revista "Ler". Tão erudita investigação sobre a dimensão eminentemente glandular da escrita dos nossos maiores vultos não poderia aqui passar despercebida. Inicia-se, pois, uma série na qual, por assim dizer, se dará o devido relevo a alguns dos mais saborosos nacos. Da prosa de JPG.

"Quem leu Camões, Eça de Queirós, Mário de Sá-Carneiro, David Mourão-Ferreira, Baptista-Bastos, Maria João Lopo de Carvalho, Nuno Júdice ou Margarida Rebelo Pinto, entre outros, não terá por certo deixado de notar a abundância e variedade de mamas. Os personagens dos romances de Miguel Sousa Tavares, por exemplo, são propensos a ver mamas em toda a parte, vivem dominados pelo desejo de mamas, parecem não ter outra ideia, outro objectivo que não seja a busca de um genuíno par de mamas. (...) A este mesmo grupo pertence o fabuloso criador de O Códex 632, de A Fórmula de Deus e de tantos outros livros em que as descrições das mamas, combinando a sugestão freudiana e o estilo proustiano, são da maior importância para a compreensão e interpretação do pensamento literário de José Rodrigues dos Santos".