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05 December 2024

Rollerskate Skinny - "Bow Hitchhiker"/"Abba's Song"/"Violence To Violence" (Peel Session 1993)

(ver aqui e aqui)

16 January 2024

26 September 2022

PART-TIME
 

15 álbuns de estúdio. 10 ao vivo. Uma dúzia de singles e EP. Mais de duas dezenas de presenças em compilações e colaborações várias. Gillian Welch vê nele “o herdeiro do escuro espelho emocional de Henry Miller, do queixume de três acordes de Townes Van Zandt e do minimalismo de Lou Reed”. Beck incluiu-o num top 10 pessoal para a “Rolling Stone”. John Peel passou um álbum inteiro dele no seu programa de rádio. Kurt Wagner (Lambchop) e Jeff Tweedy (Wilco) persignam-se perante ele. Leonard Cohen, Dylan, Johnny Cash, Neil Young e John Cale são apontados como os padrões face aos quais deverá ser avaliado. Mas, 30 anos após o primeiro álbum (Umbilical Chords), Simon Joyner permanece virtualmente desconhecido e feliz, sem manager, agente ou publicista, ocupado com o seu "day job" (antes, um negócio de antiguidades, agora, em parceria com o amigo e baterista Mychal Marasco, uma loja de discos, em Omaha, Nebraska) e sem nenhuns planos de mudança. (daqui; segue para aqui)

14 January 2022

"You Can Close Your Eyes" (c/ James Taylor - Peel Session, no Paris Theatre de Londres)
 
(sequência daqui) Assaz ironicamente, porém, a faixa de abertura do primeiro CD deste ilustríssimo exemplo da museologia musical inaugurada pela “Bootleg Series”, de Bob Dylan, assinala um indiscutível falhanço: "Midnight Cowboy", escrita para a banda sonora do filme homónimo de John Schlesinger, acabaria preterida a favor de "Everybody’s Talkin’", de Harry Nilsson. Por essa altura, ela poderia ver-se como símbolo de uma geração de "singer-songwriters" agudamente confessionais, expondo-se publicamente “como um saco de celofane cheio de orgãos humanos com um coração a bater no meio”. Mas esse lado magoadamente “sensível” não a impediria de, perante a multidão ostensivamente desatenta do festival da Ilha de Wight de 1970, ter desabafado, sem pesar as palavras: “Parem de se comportar como turistas. Vá lá, mostrem algum respeito!

11 January 2022

(sequência daqui) Ne verdade, uma boa parte dessa “magia” foi fruto da sua vontade e determinação. Quando, em 2002, declarou à “Rolling Stone” que a indústria musical era “uma fossa séptica” e “tinha vergonha” de fazer parte dela, anunciando a muito provável reforma antecipada, não estava a brincar: de facto, apenas publicaria mais um álbum (Shine, em 2007). Em entrevista ao “Los Angeles Times”, em Setembro de 2004, explicar-se-ia ainda melhor: “Noutro dia, alguém da indústria dizia que já não andavam em busca de talentos, o que fazia falta era gente com uma determinada imagem e vontade de colaborar. Engraçado, pensei eu, sempre me pareceu que ser totalmente destituído da vontade de colaborar era indispensável para se ser um artista. Não por quaisquer motivos perversos mas pela necessidade de proteger a nossa visão. As considerações de uma empresa, especialmente agora, nada têm a ver com arte ou com música. É por isso que passo o meu tempo a pintar”. Cobrindo o período durante o qual publicou os primeiros quatro álbuns – Song To A Seagull (1968), Clouds (1969), Ladies Of The Canyon (1970) e Blue (1971) –, Archives Volume 2: The Reprise Years (1968-1971) recolhe mais de 5 horas de raridades, ensaios e "outtakes", gravações domésticas, de estúdio e ao vivo, incluindo a estreia no Carnegie Hall de 1969, a aparição televisiva no Dick Cavett Show de 18 de Agosto de 1969 (onde, com Stephen Stills, David Crosby e Grace Slick se discutiriam as peripécias do festival de Woodstock dos dias anteriores), e a Peel Session, no Paris Theatre, de Londres, com James Taylor (1970).  (segue para aqui)

26 July 2021

 UM NOVO FÔLEGO
 
 
O lendário DJ britânico John Peel, admirador incondicional dos Microdisney, dizia que a voz de Cathal Coughlan – com Sean O’Hagan, o motor criativo da banda – era de tal modo sedutora que o ouviria com prazer cantar a lista telefónica (num tempo em que as listas telefónicas ainda existiam). E, citando Napoleão, definia a música do grupo irlandês como “um punho de aço dentro de uma luva de veludo”. O aço não terá sido suficientemente forte ou o veludo tão macio quanto necessário para evitar que, após 5 notáveis álbuns – especialmente, The Clock Comes Down The Stairs (1985) –, em 1988, os Microdisney se tivessem separado. O’Hagan fundaria os High Llamas, e Coughlan, durante meia década, daria vida aos Fatima Mansions. Mas as proverbiais disputas contratuais iriam impedi-lo de voltar a gravar até 2000, quando publicaria o primeiro álbum a solo, Black River Falls. O quarto e último, Rancho Tetrahedron, datava já de há 11 anos, pelo que pode dizer-se que Song of Co-Aklan é, na verdade, um novo fôlego, sob a máscara de Co-Aklan (Coughlan em escrita fonética), um avatar embrionário. (daqui; segue para aqui)

11 February 2020

FILÓSOFO MUSICAL OBLÍQUO


Para além do "fish and chips", dos "scones", da "steak and kidney pie", e do "five o’clock tea", não existe produto mais vincadamente britânico do que o “British eccentric”. Podem ser importantes inventores como Alexander Graham Bell (que pretendia ensinar o cão a falar), o venerado poeta William Blake (no jardim da sua casa, em Lambeth, ele e a mulher, Catherine, declamavam o Paradise Lost, de Milton, em trajes de Adão e Eva), ou Lord Cornbury (nomeado pela rainha, em 1702, seu representante em Nova Iorque e New Jersey, fez questão de apresentar-se nas cerimónias oficiais com roupagens femininas), mas a todos une essa característica de inclassificáveis “one of a kind”. Ivor Cutler (1923-2006) – surrealista, sábio absurdista, poeta, professor, figura da rádio, piloto da Royal Air Force (dispensado por ser demasiado “sonhador”), e "songwriter" – definia-se como “filósofo musical oblíquo” e era uma espécie de Lewis Carroll arraçado de Samuel Beckett.



No Magical Mystery Tour, os Beatles ofereceram-lhe o papel de Buster Bloodvessel (o condutor do autocarro), Bertrand Russel, John Lydon, Jim O'Rourke, Elvis Costello, David Toop e os Monty Python eram fãs, Robert Wyatt convidou-o para Rock Bottom (1974) e, no EP Nothing Can Stop Us (1982), interpretaria a sua "Go And Sit Upon The Grass", e, apenas atrás dos Fall, foi o segundo mais frequente convidado do programa de John Peel, na BBC. Na verdade, podemos verificá-lo agora, não apenas esses mas diversos mais recentes como aqueles que se reuniram para o duplo álbum de homenagem, Return to Y'Hup: The World of Ivor Cutler, referência à imaginária ilha da sua psicogeografia privada. A saber, Citizen Bravo/Matt Brennan, Raymond MacDonald, Malcolm Benzie, e Andy Monaghan, núcleo em torno do qual orbitam Tracyanne Campbell (Camera Obscura), Alex Kapranos (Franz Ferdinand), Stuart Braithwaite (Mogwai), Stuart Murdoch (Belle & Sebastian), Emma Pollock (The Delgados), Karine Polwart, Wyatt e vários outros entregues à invejável missão de, sob múltiplos ângulos, declinar, estas 26 preciosas miniaturas. Pelo menos, "Women Of The World" (“Women of the world, take over, ‘cos if you don’t the world will come to an end, and we haven't got long”), merecia sucesso global instantâneo.

28 January 2020

IMPRESSÕES  DIGITAIS


Meia hora depois de ter escutado o discurso de tomada de posse de Donald Trump enquanto presidente dos EUA, Billy Bragg pegou na guitarra e, de jacto, sobre "The Times They Are A-Changin’’, de Bob Dylan, inventou uma versão inquietantemente actualizada, "The Times They Are A-Changin’ Back" - “Come Mexicans, Muslims, LGBT and Jews, keep your eyes wide for what’s on the news, for President Trump is expressing his views, and I fear that the mob he’s inciting will soon break your windows, burn down your schools, for the times they are a changin’ back” – que, nessa mesma noite, cantaria num concerto em Salisbury. Afinal, nada de muito novo nem no método nem na atitude: nunca hesitou em confessar que o verso de abertura de "New England" – a canção que Kirsty MacColl, em 1983, converteria num êxito – fora tomado de empréstimo a "Leaves That Are Green", de Simon & Garfunkel, e que a melodia se inspirara bastante em "Cowboy Song’", dos Thin Lizzy (o que nem era escancaradamente óbvio), tal como, desde o início, não se deslocou um milímetro do lugar de "songwriter" politicamente activo. 


Quando, há três anos, publicou o livro Roots, Radicals and Rockers (sobre a história do "skiffle"), em entrevista ao “Guardian”, deixou razoavelmente claro o seu ponto de vista na inesgotável polémica acerca das relações entre música e política: “A música pode contribuir para os processos de transformação mas apenas as pessoas podem concretizar a mudança. A música, só por si, não possui essa capacidade de actuar mas pode oferecer uma perspectiva diferente”. Um pouco ao jeito de um Woody Guthrie (de quem, com os Wilco, musicou uma série de textos inéditos) dos tempos actuais, em mais de cinco dezenas de álbuns, EP e singles, programas de rádio e documentários, há impressões digitais suas em todas as causas, lutas e trincheiras, do que este duplo CD Best of Billy Bragg at the BBC, 1983-2019 – compilando gravações dos programas de John Peel, David Jensen, Janice Long, Phill Jupitus, Bob Harris e Tom Robinson – é um exaustivo panorama.

02 April 2019

VIAGEM AFORTUNADA


Poderá ser uma questão de terminologia mas não é apenas uma questão de terminologia: se existe muito em comum naquilo que é (ou foi) designado por “alternativo”, “indie” ou “underground” – apesar de, sob o chapéu de chuva de “underground music”, a Wikipedia listar cerca de meia centena de sub-géneros, vários deles também densamente ramificados –, tanto o contexto em que surgiram como as características especificamente musicais obrigam a encarar cada um de forma distinta. Terá sido proferida naquela inimaginável pré-história em que não existia internet e o mundo era consideravelmente diferente, contudo, a afirmação de Frank Zappa “the mainstream comes to you, but you have to go to the underground" continua a servir perfeitamente para localizar o nó da questão: liberdade criativa, a máxima autonomia em relação à indústria e um vivo desejo de experimentação geraram sempre música que é necessário querer descobrir e em que não se tropeça ao virar da esquina.

Julie Driscoll, Brian Auger & The Trinity - "This Wheel's On Fire" (B. Dylan) + outras versões aqui

O “underground”, no final dos anos 60 do século passado, não era, porém, exclusivamente um assunto musical mas, em grande medida, social e político: nascido no caldo de cultura da ameaça nuclear da Guerra Fria, da contracultura hippie/psicadélica, do Maio de 68, da guerra do Vietname e dos movimentos pelos direitos cívicos, reflectia tudo isso sob os mais desvairados ângulos. Observando o lado de cá do Atlântico (nos EUA, o panorama era semelhante) pelo prisma do cada vez mais indispensável arquivismo histórico da Cherry Red, nos 3 CD e nas 52 faixas de Revolution: Underground Sounds of 1968, é impossível não reparar como o radicalismo anarco-freak-punk dos Deviants, de Mick Farren – também guerrilheiro activo na "free press" britânica via “International Times” e “OZ” –, convivia pacificamente com o proto-freak-folk da Incredible String Band, o dadaísmo de raiz Monty Python da Bonzo Dog Doo-Dah Band, o surrealismo pedrado e barrettiano dos Pretty Things ou o flamejante pop-jazz de Julie Driscoll, Brian Auger & The Trinity. Um nicho ecológico para cuja riquíssima biodiversidade contribuiriam igualmente os ainda embriões dos Genesis, Van Der Graaf Generator, King Crimson, Jethro Tull e Gentle Giant. Houve, inevitavelmente, muitos convertidos de última hora à causa que, de um dia para o outro, despiram o fato-macaco de transpirados trolhas dos “blues brancos” ou da pop para adolescentes afogadas em estrogénios e vestiram o uniforme “underground” (Status Quo, The Move, Ten Years After). Mas, com o “captain, my captain” John Peel ao leme, a viagem seria afortunada.

28 March 2017

FILIGRANA


As “Peel Sessions”, do lendário DJ da BBC, John Peel, iniciadas em 1967 e apenas terminadas em 2004 por motivo da morte dele, estabeleceram um novo modelo de relação entre a rádio e bandas e músicos pop. Criadas como resposta a vários constrangimentos e limitações colocados pelo sindicato dos músicos e pela PPL (Phonographic Performance Limited, uma associação de editoras discográficas hegemonizada pela EMI), em mais de 4000 sessões, para cima de 2000 bandas (recordistas: The Fall, 32 sessões) dirigiram-se aos estúdios londrinos de Maida Vale, gravaram três ou quatro temas – que, para muitas, seria o seu máximo e único instante de fama – e, ao fazê-lo, geraram, simultaneamente, uma imensa descendência universal de programas radiofónicos da qual, também na BBC, “Live Lounge” é, hoje, o contemporâneo (e infinitamente menor) herdeiro. 



Foi, porém, esse o formato que inspirou Julia Holter para, após a publicação de Have You In My Wilderness, em 2015 – caso não se tenha reparado, álbum desse ano para a “Mojo” e “Uncut” e no top 5 da “Q”, “Wire”, “Guardian” e “Sunday Times” – e as canções que escreveu para a BSO do filme Bleed For This, de Ben Younger, lhes imaginar uma natural sequência de transição. Inaugurando a série “Documents”, da Domino (cujo objectivo é “capturar em alta-fidelidade a permanente evolução da música dos nossos artistas”), In The Same Room foi gravado “ao vivo” (isto é, “live in studio”, sem "overdubs" nem desvarios de produção, como se de uma sessão para rádio se tratasse), durante dois dias, nos RAK Studios, fundados há 40 anos por Mickie Most, um dos “inventores” do idioma pop britânico. Há, sem dúvida, algum espírito de inspiração jazzy na liberdade de movimentos – escutem muito e intensamente "Horns Surrounding Me", "So Lillies", "Lucette Stranded On The Island", "In The Green Wild" ou "Sea Calls Me Home" – com que Holter, Corey Fogel (bateria) Dina Maccabee (viola) e Devin Hoff (contrabaixo), nos novos arranjos e nas expansões e reinvenções dos originais, desdobram, recosturam e, em atitude de artesão de filigrana, detalham cada interstício sonoro das 11 canções recuperadas de Tragedy (2011), Loud City Song (2013) e, sobretudo, Have You In My Wilderness, agrupadas agora sob o título de outra de Ekstasis (2012) que, caprichosamente, se esquivou a figurar neste álbum.