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12 February 2013

IDENTIDADES


O "western", dos Ford, Huston, Peckinpah, Wellman, Mann e Ray, celebração audiovisual da mítica fronteira selvagem, é o género cinematográfico indiscutível e quintessencialmente norte-americano. De certeza? Experimentem, nesse caso, dar uma vista de olhos à lista dos "westerns" mais votados pelos utilizadores do IMDb (Internet Movie Database): em 1º e 2º lugares, O Bom, o Mau e o Vilão (1966) e Aconteceu no Oeste (1968), ambos de Sergio Leone, bem como, em 6º, Por Mais Alguns Dólares (1965), e Por Um Punhado de Dólares (1964), em 14º. O primeiro “clássico” genuinamente americano – O Comboio Apitou Três Vezes, de Fred Zinnemann (1952) – surge apenas no 8º lugar mas, antes dele, em 3º, está já confortavelmente alojado Django Libertado, de Quentin Tarantino.

Aconteceu no Oeste
 
Não é, certamente, através deste género de “votações” que se poderá aferir o valor absoluto de cada obra mas o que delas resulta evidente é o facto de, para uma considerável parcela do público contemporâneo (na qual muitos norte-americanos, naturalmente, se incluirão), a memória do que foi o "western" corresponder, hoje, afinal, à transfiguração europeia/mediterrânica que, entre diversos outros, Leone/Morricone lhe provocaram. E não é, de todo, abusivo incluir Ennio Morricone na equação: aquilo que ficaria conhecido como "western spaghetti" deve a sua identidade de italianíssimo excesso operático e, por vezes, quase ibericamente tauromáquico, pelo menos, tanto à música como aos restantes componentes da matéria cinematográfica.

Kill Bill Vol. 1
 
Até porque – falemos, então, dele –, se, à primeira vista, Django Libertado se apresenta como o momento em que Tarantino se decide, por fim, a homenagear explicitamente o "western" através da sua declinação "spaghetti", na verdade, já antes, justamente por via da banda sonora, ele o havia feito: em Kill Bill Vol. 1, a atmosfera sonora do combate final, na neve, entre a Noiva e O-Ren Ishii, ecoava a sequência de abertura de Aconteceu no Oeste e, nesse e no Vol. 2, a profusão de citações de Luis Bacalov, Riz Ortolani e nada menos do que sete de Morricone (aliás, menos uma do que em Inglourious Basterds – filme para o qual Tarantino desejou a colaboração de Morricone que não veio a acontecer – e mais cinco do que em Death Proof) não autorizavam dúvidas acerca de onde residia uma das suas mais poderosas fontes de inspiração.

Django - real. Sergio Corbucci (1966)
 
Uma outra, num filme onde não há “escurinhos” mas, com todas as letras, “pretos”/”niggers” (usando os óculos escuros de Charles Bronson em The White Buffalo e ataviados como o Blue Boy de Thomas Gainsborough ou a Ida Galli de Blood For A Silver Dollar), data já do tempo de Jackie Brown, quando Tarantino não considerava despropositado afirmar-se que mantinha com Samuel L. Jackson uma relação artística idêntica à estabelecida entre Norman Whitfield e Marvin Gaye (Jackson ter-lhe-á mesmo dito acerca dos diálogos que, para ele, escrevia “Quentin, ninguém escreve melhores músicas do que tu...”), e acerca do uso repetido da "n-word" fazia questão de explicar que, no cinema, a música não se encontra apenas onde é habitual ouvi-la: "Adoro a dança da linguagem, fazer swingar as palavras. E, neste filme, dança-se até perder o fôlego com a palavra 'nigger'"

09 February 2011

CHRIST-HAUNTED


Bruce Springsteen - "The River" *

"I think it is safe to say that while the South is hardly Christ-centered, it is most certainly Christ-haunted. The Southerner, who isn’t convinced of it, is very much afraid that he may have been formed in the image and likeness of God". (Flannery O'Connor, The Grotesque in Southern Fiction - daqui)

* "Fascinated by director John Huston’s 1979 movie, Wise Blood, recommended by [manager Jon] Landau, Springsteen read the Flannery O’Connor novel that it was based on and then many of her short stories as well. He took the titles of two of her stories, 'The River', and 'A Good Man is Hard Find,', and turned them into song titles. Soon he was employing not just her titles but her techniques as well". (Born In The USA, Geoffrey Himes)

(2011)

14 April 2010

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO (I)
(join the dots)

B. Traven



"B. Traven (dates unknown, possibly 1890-1969) was the pen name of an enigmatic twentieth century novelist whose most famous work is the novel The Treasure of the Sierra Madre, filmed by John Huston in 1948. The name B. Traven appeared as author of many other novels, including The Death Ship and the epic Jungle Novel series, which is a description of government corruption and an Indian uprising set at the birth of the Mexican Revolution. His writing portrays a bleak and violent world and is notable for anti-capitalist and pro-anarchist sympathies. While his identity has been the subject of much speculation, the current consensus is that the writer who used the name B. Traven was a man known for different periods of his life as Ret Marut (1907-1924), Traven Torsvan (1925-1951) and Hal Croves (1952-1969). There is however, no general agreement about his original identity; one theory is that he was born in Chicago in 1890, name unknown. Another is that he was born in 1882 a member of the German working-class called Herman Albert Otto Maximilian Feige, this being a name given by Ret Marut in 1923 which has since been confirmed as that of a real individual whose biography dovetails with that of Marut". (daqui)

(2010)