Showing posts with label Joe Corré. Show all posts
Showing posts with label Joe Corré. Show all posts

03 March 2017

"Aldous Huxley wrote about the idea of hypnopædia: nationalist ideology, non-stop distraction and organised lying; a daily pill you take. He set out non-stop distraction as the worst because when you’re not even focused you don’t realise what’s happening. We live in a very manipulated and controlled world where nobody knows what the hell is going on, with Brexit and Trump (...) There’s a huge gap between culture and politics now. There’s just this obsession with money and price. People know the price of everything but don’t know the value of it, and let’s be honest here - who said the stuff I burnt was worth five million pounds? I did. That’s how cynical it was" (daqui)

19 December 2016

"Do you know where the idea for the 40th anniversary of Punk London came from? A tourist board meeting, the idea was offered up at a brainstorming session in the board room at the Department of Cultural Tourism of the Greater London Authority and the office of the Mayor of London [Boris Johnson, Public Anus and ex Etonian and member of the Bullingdon Club, a club for the filthy filthy filthy rich whose initiation includes burning £50 notes in front of the homeless and whose sole arrogant purpose is to go to restaurants and literally smash them to shit then charge all the damage to Papa]. We investigated, and finally spoke to the decision maker, Mike Clewley, head of said department told us that as there was no royal wedding this year there was a problem, what could be used as a tourist feature, what could be flogged to tourists this year. Hmmmmmmm! Someone grabbed an almanac, noticed it was 40 years since the Pistols released 'Anarchy in the UK' and Hey Presto! (Burn Punk London - Open Letter to Henry Rollins)


(ver também aqui e aqui)

06 December 2016

BURN PUNK LONDON


A 7 de Junho de 1977, coincidindo com a publicação de "God Save The Queen" ("God save the queen, she ain't no human being, there is no future in England's dreaming") e com a celebração do Jubileu de Prata da rainha Isabel, Malcolm McLaren e os Sex Pistols fretaram um barco que navegou pelo Tamisa e onde, frente ao Parlamento, a banda se lançou numa interpretação sísmica de "Anarchy In The UK". Exactamente quarenta anos após o lançamento de "Anarchy..." (a 26 de Novembro de 1976), Joseph Corré, filho de McLaren e Vivienne Westwood, cumprindo a promessa que havia feito em Março passado, a bordo de um outro barco, perto da Albert Bridge, em Chelsea, lançou fogo a uma arca de memorabilia punk avaliada em cerca de 5 milhões de libras, numa acção de protesto contra a “Punk Rock Swindle” que a declaração de 2016 como o “Year Of Punk” – uma iniciativa do British Film Institute, British Library, Design Museum, Museum of London, Photographers' Gallery, Rough Trade e Roundhouse – constituiria. Junto a efígies de David Cameron, Tony Blair, Theresa May e George Osborne (também incineradas), a uma faixa onde se lia “Extinction: your future” e sob bandeiras vermelhas carimbadas com nomes de multinacionais e bancos, Corré disparou: “Bem-vindos ao acto final do 'establishment' punk – uma era em que podemos comprar 'punky nuggets' no McDonalds, possuir cartões de crédito-Anarchy In The UK com uma anuidade de 19% ou calças 'bondage' Louis Vuitton!” E prosseguiu: “O punk nunca, nunca pretendeu ser nostálgico: ofereceu uma oportunidade para a geração 'no future' dos anos 70 descobrir um caminho: não confiar nos media, não confiar nos políticos, investigar a verdade pelos próprios meios. DIY. O punk morreu. É tempo de o incendiar e começar tudo de novo!”



O funeral do punk encenado por Corré terá, sem dúvida, um poder simbólico muito especial no UK do Brexit. Mas não custaria muito ter reparado como, pelo menos, desde há cinco anos, o testemunho foi passado às russas Pussy Riot que não apenas sofreram na pele as consequências dos seus gestos transgressivos – ano e meio nas cadeias do regime proto-fascista de Putin – mas, após a libertação (essencialmente, através da iniciativa de Nadya Tolokonnikova), não desistiram de manter-se permanentemente na ofensiva. Em particular, com uma brilhantíssima colecção online de videoclips: "Putin Will Teach You How To Love The Motherland" (pela libertação dos presos políticos), "I Can’t Breathe" (Nadya e Masha Alyokhina são sepultadas vivas com o uniforme da polícia de choque russa), "Refugees In" (uma performance na Dismaland – uma Disneyland transviada –, do "street artist", Banksy), "Chaika" (sobre o escândalo de corrupção do procurador geral russo, Yuri Chaika), "Straight Outta Vagina" (“Pussy is the new dick, ladies, oh bondage, up yours”), "Organs" (Nadya, num literal banho de sangue: “Shitfaced parliament bans condoms, agony, spasm, big bang of the falling down crown”) e "Make America Great Again" (uma Trumpland distópica). “Flowers in the dustbin, the poison in your human machine”.

13 April 2016

NOT DEAD? 


O caldo de cultura dos irmãos David e Stuart Wise era o Situacionismo de Debord e Vaneigem, vitaminado pelo niilismo estético radical de Pisarev e pelo anarquismo norte americano do “Black Mask” de Ben Morea e dos UAW/MF (Up Against the Wall Motherfuckers), também inspirador dos Yippies de Abbie Hoffman, Jerry Rubin, Phil Ochs e John Sinclair – inserir aqui derivação para o White Panther Party – e da guerrilha urbana dos Weathermen. Foi aí que, em Londres, entre o final de 60 e início de 70 do século passado, ao cuidado dos Wise, germinou o colectivo insurreccional King Mob, semente de inúmeras acções de choque como a ocupação selvagem de espaços públicos e universidades, a publicação de listas de celebridades a abater, a vandalização de cadeias de "fast food", as campanhas de panfletos de BD "détournée" e graffiti – o mais célebre: “Same thing day after day - tube - work - dinner - work - tube - armchair - TV - sleep - tube - work - how much more can you take? - one in ten goes mad, one in five cracks up” – ou a distribuição gratuita de brinquedos no Selfridges por um Pai Natal delinquentemente generoso. Em 1978, David Wise escreveria The End Of Music acerca do incêndio punk (em fase de rescaldo mas ainda activo) no qual tivera papel destacado um tal Malcolm McLaren, “inventor” dos Sex Pistols e, pouco tempo antes, um dos activistas da operação Selfridges.


Há três semanas, Joe Corré, fiho de McLaren e Vivienne Westwood, na boa tradição familiar, fez explodir outra bomba: perante a declaração – por iniciativa do British Film Institute, British Library, Design Museum, Museum of London, Photographers' Gallery, Rough Trade e Roundhouse – de 2016 como o “Year of Punk”, anunciou que, a 26 de Novembro, em Camden, por ocasião do 40º aniversário de "Anarchy in The UK", dos Pistols, lançará fogo à sua colecção de memorabilia punk, no valor de 5 milhões de libras, declarando “O punk transformou-se numa peça de museu. As pessoas estão anestesiadas, sentem que já não têm uma voz. Desistiram de lutar por aquilo em que acreditam. Temos de rebentar com esta merda toda outra vez!” Os ventos, porém, não estão de feição para os “gangsters of the new freedom” e é assaz duvidoso que venha a encontrar muitos aliados: do lado de lá do Atlântico, no Queens Museum, de Nova Iorque, entre 10 de Abril e 31 de Julho, será exibida a exposição “Hey! Ho! Let’s Go: Ramones and the Birth of Punk”. Punk’s not dead?