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28 April 2009

FRANCOFILIA



Vincent Delerm - Favourite Songs

A derrota esmagadora do idioma francês face ao inglês, nas últimas três décadas, teve consequências mais devastadoras do que apenas o coice no ego nacional gaulês. O que, só por si, até poderia ter contribuído para reconduzir ao plano da realidade quem ainda vivia imaginariamente no início do século XX e no papel de "trendsetter" cultural. Verdadeiro prejuízo, no campo da música popular, por exemplo, foi o facto de uns consideráveis milhões de novos anglófonos e anglófilos terem ficado quase irremediavelmente arredados da possibilidade de conhecer génios como Brel, Gainsbourg ou Brassens.



E, em sentido inverso, francófilos como Mick Harvey, Neil Hannon, John Zorn ou Jennifer Charles não têm chegado para inverter o sentido da corrente. É, por isso, uma batalha entre forças imensamente desiguais procurar convencer o mundo que Vincent Delerm é um enorme e requintadíssimo autor de canções de ironia acetinada e melodia subtil. Estes dezasseis magníficos duetos – com gente como Moustaki, Benjamin Biolay, Neil Hannon, Irène Jacob ou Alain Souchon –, porém, não desistem de investir contra duas ou três praças fortes inimigas e quem sabe se uma ou outra não acabará por declarar a rendição.

(2009)

06 April 2009

LYNCH NOIR



Elysian Fields - The Afterlife

Até hoje, nunca terão ultrapassado o estatuto de micro-culto mas o que não falta a Jennifer Charles e Oren Bloedow é currículo e pedigree. Ambos descendentes de gente activa no meio teatral, musical e da rádio, ela, após o percurso académico pela New York University e pela Tisch School Of The Arts, ocupou-se com uma série de espectáculos de poesia/performance na Knitting Factory; Oren, pelo seu lado, passou pelo New England Conservatory, envolveu-se na cena downtown de Nova Iorque ao lado de John Lurie, Marc Ribot e tutti quanti e – coisa de emoldurar na parede da sala – viu-se, inesperadamente, nomeado “artista do ano” de 2004 por Greil Marcus.



E, desde que, pelo meio dos anos 90, constituíram os Elysian Fields, o percurso não tem sido menos imaculado: quatro álbuns de noir pop voluptuosamente mórbida (segundo Nick Kent, “sensual como o sonho húmido de um sonâmbulo”), diversas colaborações com a Tzadik, de John Zorn – nomeadamente, dois álbuns de canções Sefarditas –, de Jennifer com Jean Louis Murat (A Bird On A Poire, em modelo Birkin/Gainsbourg) e, para dourar a biografia, até a sempre bem-vinda medalha do “lost album” produzido por Steve Albini e rejeitado pele Universal que, um dia, também há-de vir à luz. A matriz musical está estabelecida – "torch song" lynchiana, aqui e ali, dilacerada por dissonâncias eléctricas – e, nessa exacta medida, The Afterlife, sem alterar nada de substancial, é um belíssimo pedaço de música para as últimas horas da noite.

(2009)

03 April 2009

ELYSIAN FIELDS (II)















(2009)
ELYSIAN FIELDS (I)


"Jezebel"



"We're In Love"



Jennifer Charles introduces her band in a very special way
- La Maroquinerie, Paris 2009