Showing posts with label Jason and The Scorchers. Show all posts
Showing posts with label Jason and The Scorchers. Show all posts

28 December 2024

 
(sequência daqui) Mas, talvez, a mais rica e diversificada tenha sido a que, na década de 80 ficou conhecida como "renascença do rock americano", dos R.E.M., Dream Syndicate, Violent Femmes, Green On Red e Los Lobos, aos Jason & The Scorchers, Blasters ou Rain Parade e inúmeros outros. Entre os quais, os Lone Justice, praticantes de "country/cowpunk" de apenas dois álbuns mas que revelaram ao mundo a tremenda voz da então ainda adolescente, Maria McKee. Se, dela, na trajectória a solo que se seguiu à implosão da banda, nunca poderemos, pelo menos, esquecer o magnífico La Vita Nuova (2020), Viva Lone Justice - operação de limpeza, restauro e recontrução de fitas de gravações informais dos primórdios da banda - transporta-nos para aquele muito particular universo no qual a energia frenética de "Rattlesnake Mama", "Nothing Can Stop My Loving You" e, sobretudo, "Teenage Kicks" (dos Undertones), coexiste facilmente com o romantismo de câmara de "You Possess Me" e com o tradicionalismo de "Wade In The Water".

08 September 2010

MINOR-KEY, MID-TEMPO, ENIGMATIC, 
SEMI-FOLK-ROCK-BALLADISH THINGS



R.E.M. - Fables Of The Reconstruction (reedição CD duplo)

Quando uma banda de longo curso permanece suficiente tempo em actividade para atingir o estatuto – simultaneamente confortável e perigoso – tecnicamente designado por "fazer parte da mobília", pode facilmente acontecer que deixe de se lhe prestar a atenção que, justamente, merece e que apenas por reflexo nostálgico, aqui e ali, o seu nome e obra venham, episodicamente, à conversa.



Com três décadas de existência este ano celebradas, os R.E.M. não entraram ainda na categoria das respeitáveis e queridas múmias (apesar de veteranos e não exactamente marginais, a aura original de criaturas "cool" e pioneiros da cena rock-alternativa dos EUA permanece-lhes colada), mas nem toda a gente se recordará instantaneamente que, não só muito poucos outros restam da geração, deles contemporânea, que empurrou o rock norte-americano para fora dos cuidados intensivos (Long Ryders, True West, Dream Syndicate, Jason & The Scorchers, Violent Femmes, onde andam?), como, para além das duas ou três glórias que o p.o.v.o. reconhece de imediato, lhes devemos um riquíssimo baú de preciosidades sempre eminentemente revisitáveis (favorito pessoal: melhor canção com o melhor videoclip de sempre – "Imitation Of Life").



E, acima de tudo, a imaculada série dos cinco primeiros álbuns gravados – assiduamente, um por cada ano – para a IRS: Murmur (1983), Reckoning (1984), Fables Of The Reconstruction (1985), Lifes Rich Pageant (1986) e Document (1987). Uma vez interrogado acerca de como caracterizaria a música do grupo, Peter Buck respondeu: “Minor key, mid-tempo, enigmatic, semi-folk-rock-balladish things”. Ao terceiro álbum, escolhendo como produtor o lendário Joe Boyd – "sound designer" supremo do folk-rock britânico –, a música dos R.E.M., sem deixar de corresponder a essa definição, adquiria profundidade, detalhe sonoro e densidade muito superiores. A escuta do segundo CD com as demos iniciais a que Boyd daria o acabamento final serve para demonstrar isso mesmo.

(2010)