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25 November 2021

 
(sequência daqui) Gravado no primeiro semestre deste ano, num estúdio montado em casa de Caetano, no Rio de Janeiro, com produção dele próprio e de Lucas Nunes (da banda Dônica), Meu Coco interrompe o silêncio de 9 anos após Abraçaço com 12 canções, pela primeira vez todas da sua autoria. Como se isso fosse necessário, à “Splash” faz questão de reafirmar “Sou tropicalista”. Mas, se dúvidas houvesse, bastaria escutar a lindíssima "Ciclâmen do Líbano" (que ele pediu a Morelenbaum que trajasse de “freaseado do Médio Oriente salpicado de Webern” – na verdade, mais médio-oriental do que Webern), a pulsação submersa de "Anjos Tronchos" (“Palhaços líderes brotaram macabros, no império e nos seus vastos quintais“), a provocação baiana de "Pardo" (“Nêgo, seu rosa é mais rosa que o rosa da mais rosa rosa”) ou "Você-Você", fado da “AmericÁfrica, entre miséria e mágica” (em dueto com Carminho e com o bandolim de Hamilton de Holanda travestido de guitarra portuguesa), para que a sua natureza profunda imediatamente se revelasse.

22 November 2021

(sequência daqui) Ao “Globo”, Caetano explica-se bem: “A canção 'Meu coco', que dá nome ao disco, traz essa afirmação da pluralidade brasileira, da nossa rica e confusa beleza. Ou seja, é tudo o que passa na minha cabeça. Uma mirada atual sobre temas recorrentes em meu trabalho: nomes, fantasias que esboçam uma decifração do Brasil”. E, a propósito de "Não Vou Deixar" – funk atmosférico ritmicamente transviado com solo de violoncelo de Jacques Morelenbaum no meio –, adianta: “Nessa música digo: 'Não vou deixar você esculachar com a nossa história , é muito amor, é muita luta, é muito gozo, é muita dor e muita glória’. Ou seja, a força da canção popular brasileira, do que o Brasil tem de bonito, se sobrepõe e sobreporá aos horrores por que a gente vem passando. Jamais diria que é dedicada a Bolsonaro. O presidente que nós temos é o pior que poderíamos imaginar. Mas ele é parte da cãimbra que nosso corpo histórico-social sofre, aquilo está dito a pessoas como ele, a ele, ao tipo de poder que representa”. (segue para aqui)