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07 May 2023

Heinali - "Beatrice"
(do álbum Madrigals, na íntegra aqui)
 
"It was my deep love of Late Medieval and Renaissance polyphony that inspired this album. It is based on generative counterpoint — several independent self-playing melodies performed at the same time on a modular synth. I've been working on the patch since late 2017. After I had enough of recorded improvisations I contacted musicians who specialize in Early Music to look if we could combine period instruments with electronic polyphony on a modular system. On Beatrice, you can hear a brilliant violist Igor Zavgorodnii, from Kyiv, improvising on a baroque viola. Initially, I thought it to be the easiest piece to record but it proved to be much more difficult. At some point, I even considered discarding the piece altogether and changing the material. What helped, I think, was the mythology that gradually and miraculously emerged during several years I spent working on the patch. Generative voices turned into bird-like creatures inhabiting electric gardens of polyphony. One is tiny and full of vigour. It loves to sing high during the day but at night it dives deep under the water, where it hums her deep whale song. Another bird is a shadow. It flew into the garden straight from Elizabethan England, bringing melancholy, a fashionable malady, in its beak. Igor's task was to imagine himself as a different kind of bird in this unfamiliar garden, a caged one. His song dissents, he plays an old, period instrument, a baroque viola, but the microtonal technique he is applying comes straight from the 20th century. It is something that he improvised on the spot during the rehearsals and we just decided to go with it during our recording session".

05 May 2023


(sequência daqui) Aí, em conjunto com outros músicos, organizaria uma série de "live streams" musicais com o duplo objectivo de angariação de fundos e de elevar o ânimo da resistência. “Mas, à medida que os alarmes de ataques aéreos se tornaram mais frequentes, tivemos de cancelá-los até decidirmos que o próximo seria realizado a partir de um abrigo anti-aéreo próximo”. Tomaria como ponto de partida uma das peças que trabalhava para um álbum que a guerra interrompera – “Organa”, uma reconfiguração das polifonias da École de Notre Dame de Paris, dos séculos XII e XIII, em sintetizador modular. “Sem dúvida, uma justaposição bizarra dadas as circunstâncias. Mas, assim que comecei a tocar, senti que, pela primeira vez desde a invasão, redescobrira a ligação com uma parte de mim que julgava desaparecida para sempre. Naquela noite, regressei a casa e ouvi as notícias. Era o massacre de Bucha. Aquilo que pensava ter reencontrado dissipou-se ao aperceber-me que cada uma daquelas pessoas era eu. E elas eram todos nós”. (Live From A Bomb Shelter in Ukraine publicado em simultâneo com Kyiv Eternal - ver também aqui)

02 May 2023

E ELAS ERAM TODOS NÓS
Lviv foi, desde os anos 70 do século passado, a capital hippie do império soviético. Qual São Francisco da Europa de Leste, a ela acorreram pereginações de hirsuta juventude que, apesar de múltiplas tentativas do KGB para as afugentar, deixaram marcas, até hoje, na maior cidade do Ocidente da Ucrânia. Que tanto podem assumir a forma do “Cat Cafe”, da rua General Grigorenko (duas dezenas de divindades felinas prontas a conviver com a clientela), ao cuidado de Alik Olisevich – o mais velho hippie local e responsável pelo arquivo do movimento na cidade – , como no modo pelo qual, após a selvática invasão russa do ano passado, se converteu em “capital cultural” ucraniana ao acolher um imenso número de artistas e intelectuais em fuga. Um deles era Oleh Shpudeiko ("nom de plume", Heinali), compositor e “sound artist” que, após atravessar as fronteiras da Polónia e da Hungria para deixar a mãe e a mãe da namorada a salvo em Budapeste, de regresso à Ucrânia, deter-se-ia em Lviv. (daqui; segue para aqui)