(sequência daqui) E propunham uma - chamemos-lhe assim - visão do mundo que poderia resumir-se a "Os seres humanos estão a involuir". Inspirados por teóricos lamarckianos do século XIX e sua errática descendência tardia - H.G.Wells, personagens dos DC comics, Kurt Vonnegut ou H. P. Lovecraft -, o quinteto de Akron, Ohio, composto por por dois pares de irmãos, (Mark e Bob Mothersbaugh, Gerald e Bob Casale) e Alan Myers, retirariam o seu nome e a sua filosofia global desse conceito de "de-evolução/involução. Segundo o crítico de música Steve Huey, a banda "adaptou a teoria à sua visão da sociedade americana como um instrumento de repressão rígido e dicotómico que assegura que os seus membros se comportam como clones, marchando vida fora com a precisão mecânica de uma linha de montagem, sem tolerância para a ambiguidade" O documentário acompanha a ascensão da banda do estatuto de putos excêntricos de Akron a heróis de culto da cena punk dos anos 70 e, posteriormente, a estrelas da MTV. Ao longo do filme, recordamo-nos como o seu repertório não se resume a "Whip It" que, em 1980, se instituiria como o único verdeiro sucesso de vendas dos Devo (14º no Hot 100 da "Billboard"). Canções como "Jocko Homo" e "Beautiful World" surgem não como curiosidades bizarras, mas como críticas mordazes disfarçadas de música pop. Ao vermos hoje os vídeos da banda, com os seus desastrados cenários de cartão e coreografias espasmódicas, parece-nos menos um exercício de nostalgia e mais um momento de arte profética — como se, décadas antes, tivessem antecipado a cultura do TikTok. A teoria social da "de-evolução", seria uma ideia central no trabalho inicial da banda, que se caracterizava por um estilo agrestemente dissonante de art-punk que combinava rock com música eletrónica. (segue para aqui)
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29 October 2025
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