"Tive uma pequena vida russa ali por 1991 (com extensões em 1993 e 1998), que por um triz ainda foi soviética. Apanhei mesmo o golpe anti-Gorbachov que levou ao fim da URSS, eu e o namorado de então, um daqueles portugueses que tinham estudado em Moscovo. Em 1991 andou comigo nas barricadas, tal como o anti-golpista em casa de quem dormíamos, e aquele milhão de anti-golpistas que queriam liberdade, achávamos nós. Em suma, vou à beira-Tejo reencontrar o namorado de então, hoje diplomata da União Europeia em Moscovo, e ele dá-me notícias do nosso anfitrião russo de então, hoje um fiel do tsar Putin: a Ucrânia não existe porque tudo é Rússia, as Pussy Riot estiveram dois anos presas porque pecaram contra a Igreja e os gays são doentes que devem ser tratados. Isto é o que o meu namorado de então ouve todos os dias e tornou-se difícil ter amigos nessa barricada, a dos fascistas. Foi no que a Rússia se tornou, diz ele, um estado fascista, de zombies que acreditam na propaganda da televisão contra a decadência do Ocidente. A decadência do Ocidente são os gays e as lésbicas e as Pussy Riot. Eu gostava que os meus amigos de esquerda que continuam a defender o Kremlin me explicassem o que há de esquerda na Rússia homofóbica, autoritária, imperialista de 2014. A vitória de Conchita Wurst (grande nome) foi só mais um sinal da decadência do Ocidente, leio nas reacções russas. Dá vontade de uma pessoa se chamar Conchita Wurst e andar pela Praça Vermelha cofiando a barba, tipo Guerra Junqueiro, mas de salto alto". (aqui)
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18 May 2014
03 December 2009
MAS, SE NÃO É AQUELA VELHA CENA TERRITORIAL
DO "ESTE QUINTAL É MEU", PORQUE NÃO ADMITEM ELES
QUE SÃO "AS DUAS METADES IGUAIS DO MESMO ZERO"
E NÃO CELEBRAM O MATRIMÓNIO OU UNIÃO DE FACTO
OU VÃO PARA UM HOTEL E RESOLVEM O ASSUNTO DE VEZ?
(ou os difíceis amores desnecessariamente platónicos de PS e PSD)
O "lento suicídio".
(2009)
DO "ESTE QUINTAL É MEU", PORQUE NÃO ADMITEM ELES
QUE SÃO "AS DUAS METADES IGUAIS DO MESMO ZERO"
E NÃO CELEBRAM O MATRIMÓNIO OU UNIÃO DE FACTO
OU VÃO PARA UM HOTEL E RESOLVEM O ASSUNTO DE VEZ?
(ou os difíceis amores desnecessariamente platónicos de PS e PSD)
O "lento suicídio".
(2009)
14 November 2009
O PAÍS VISTO SOB O ÂNGULO DO PODER

Invertebrados
"O desfecho imprevisível de tudo isto ["Face Oculta"] torna a situação muito complicada" mas "o primeiro-ministro é muito resistente e a sociedade portuguesa é relativamente invertebrada". ("barão e ex-ministro do PS", ao "Expresso" de hoje)
Mas a "big picture" - dos de cima e dos de baixo - continua a ser exactamente esta:
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai (...) Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas. Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar"
(2009)
Invertebrados
"O desfecho imprevisível de tudo isto ["Face Oculta"] torna a situação muito complicada" mas "o primeiro-ministro é muito resistente e a sociedade portuguesa é relativamente invertebrada". ("barão e ex-ministro do PS", ao "Expresso" de hoje)
Mas a "big picture" - dos de cima e dos de baixo - continua a ser exactamente esta:
"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai (...) Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País. A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas. Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar"
(2009)
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