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30 August 2011

AS FOTOS DAS FÉRIAS


















Tennis - Cape Dory

É extraordinariamente duvidoso que, só de olhar de relance a capa, alguém não excessivamente interessado pelo tipo de seres vivos que alimentam os palcos dos arraiais de província, considere sequer a hipótese de escutar Cape Dory. O nome da banda também não ajuda muito. Mas, ultrapassada a relutância visual e com alguma boa vontade, acaba por se descobrir que Tennis é "nom de plume" para o duo norte-americano, Patrick Riley e Alaina Moore, casal feliz e adepto das artes da navegação que, após sete meses a velejar pelo Atlântico, poisou os pés no cais com um álbum de canções pronto a gravar. A pergunta, então, é outra: quem é suficientemente simpático e tem pachorra para aturar uma sessão de fotografias-das-nossas-férias prolongadamente exibidas por amigos e pontuada de exuberantes “olha eu ali”?

A resposta é: por música é menos penoso. Mesmo que os Tennis não sejam imensamente diferentes do também "boy-girl-duo", Cults – honestamente, só à lupa se distinguem –, e que, como eles, sigam fidelissimamente o caminho das pedrinhas dos Camera Obscura, She & Him, Concretes ou God Help The Girl, isto é, assentem delicadamente, um pezinho atrás do outro, sobre as pegadas deixadas na areia por todos os "girl groups" que desenharam órbitas em torno de Phil Spector, acrescidos dos astros da galáxia-Motown. É tudo fresco, vaporosamente melodioso, os “ooohs”, “aaahs” e “shalalas” escorrem sobre os tímpanos como gotas de chuva no deserto, as "surf guitars" e as surdas triangulações de baixo invocam coreografias de "beach bums" betos sobre as ondas, e, de um modo geral, o sol brilha, eternamente, no horizonte. Mas, como nos bilhetes-postais, tudo demasiado semelhante.

(2011)

23 August 2011

RÉPLICA EXACTA


















Cults - Cults

A frase poderá ser reescrita de diversas formas mas, nestes casos, o argumento da defesa assenta sempre numa ideia-chave: a banda apropria-se de múltiplas referências já inúmeras vezes citadas mas insufla-lhes uma nova energia. Não estou a inventar, tropeça-se nela a cada esquina e, para o que, agora, interessa, também no caso dos Cults. Traduzindo, por isto se pretende dizer que nos encontramos perante mais outro daqueles grupos – aqui, o duo californiano relocalizado em Nova Iorque, Madeline Folin e Brian Oblivion – que, garimpando avidamente o filão Phil Spector/Motown/"girl groups", tal como muitos outros antes dele (Zooey Deschanel/She & Him, Concretes, Camera Obscura ou, definitivamente o "state of the art" na matéria, God Help The Girl), substitui o esforço de invenção pela concentração na réplica exacta do original, oferecendo uma espécie de colecção "fake" de raridades inéditas dos mestres, apenas com assinatura diferente para evitar sarilhos legais.



Nesse domínio, os Cults são, sem dúvida, extraordinariamente competentes na manipulação dos "genre signifiers", ainda que, aqui e ali, a pratiquem de modo excessivamente óbvio: "Bumper" escusava de fotocopiar tão escancaradamente a melodia de "Give Him a Great Big Kiss", das Shangri-Las, e "You Know What I Mean" e "Most Wanted" teriam levado na mesma a água ao seu moinho sem que, à transparência, tivessem de deixar adivinhar com tal nitidez a silhueta das Supremes. Mas são reparos menores: Cults é uma "period piece" de óptimo recorte, um trabalho de reconstituição realizado com minúcia e dedicação que, como todos os seus parentes próximos, acaba por nos oferecer a possibilidade de, consoante a hora, a temperatura ou o estado de espírito do momento, optarmos por peças "vintage" ou pelos seus sucedâneos actualizados.

(2011)

26 October 2010

MALMEQUERES DE NANJING



Belle And Sebastian - Write About Love

Norah Jones em "Little Lou, Ugly Jack, Prophet John" e um sintetizador manhoso que se assemelha arrepiantemente a uma flauta de Pã em "Read the Blessed Pages". Só isto seria muito mais do que suficiente para condenar os Belle And Sebastian ao mais fofinho dos infernos onde, definitiva e eternamente, se veriam cercados de Hello Kitties que lhes serviriam copinhos de leite morno e lhes dariam beijinhos castos na testa. A coisa, porém, agrava-se substancialmente quando, depois de God Help The Girl e Dear Catastrophe Waitress, ficámos a saber que, no organismo de Stuart Murdoch, circulava um pouco mais de testosterona do que, inicialmente, se supunha. Houve mesmo um momento – o da publicação de God Help The Girl – em que chegou a ser possível imaginar que, ali, poderia encontrar-se um sucessor à altura para aquela vaga na linhagem pop que, de Phil Spector aos ABBA, embora com diversas candidaturas entregues, ainda não se encontra preenchida. Trágica ilusão: se eles, de facto, sempre foram adeptos daquele género de transcendência que se alcança a colher malmequeres ao lusco-fusco, agora, com Write About Love, desceram ao patamar inferior onde os únicos malmequeres disponíveis são de plástico, oriundo das melhores fábricas de Nanjing. Por outras palavras: são capazes de fazer muito melhor mas o pé foge-lhes, irremediavelmente, para este chinelo de escriturários deprimidos e místicos suburbanos que, olhando fixamente para o Sol, em vez de fritarem a retina, descobrem Deus. Espremendo a benevolência até à última molécula, haverá por aqui duas ou três hipóteses de um lugar naquela metade da tabela das eliminatórias para o festival da Eurovisão que dá acesso à final. Sonhar com mais do que isso não vale a pena.

(2010)

01 January 2010

MÚSICA 2009 - INTERNACIONAL (III)
TOP 10




Andrew Bird - Noble Beast




The Unthanks - Here’s The Tender Coming




Grizzly Bear – Veckatimest




Tom Waits - Glitter And Doom Live




God Help The Girl - God Help The Girl




Noah & The Whale - The First Days Of Spring




St. Vincent – Actor




Sufjan Stevens - The BQE




Animal Collective - Merriweather Post Pavillion




Regina Spektor – Far

Se, durante a década de 80, o refrão-de-serviço rezava que “já não se fazia música como nos 60s”, agora, dificilmente se atura a lenga-lenga segundo a qual “os eighties é que eram”. Claro que, para uma indústria de tanga, a rentabilização da nostalgia será sempre um dos últimos cartuchos a disparar. Mas, mesmo sem convulsões estéticas no horizonte, é impossível não reparar que – como sempre aconteceu – se publicou óptima música e que, para além do top-10 obrigatório, pelo menos o dobro, entre “velhos e “novos” (de Springsteen a Vincent Delerm, Alela Diane, Hanne Hukkelberg, Neko Case, Camera Obscura, Flat Earth Society, The Phantom Band, Christina Courtin, Elvis Costello, Gogol Bordello, Dylan ou Prefab Sprout), poderia, facilmente, figurar numa lista paralela e não menos ilustre.

(2010)

16 August 2009

A BORBOLETA SPECTOR



God Help The Girl - God Help The Girl

Já conhecíamos as bandas sonoras para filmes realmente existentes e as outras para filmes imaginários. Agora, com God Help The Girl, inicia-se o género das que foram compostas e publicadas para filmes que, se tudo correr bem e o financiamento surgir, lá para o ano que vem, serão rodados. O responsável pelo projecto – e este é um dos casos em que a palavra “projecto” adquire todo o seu verdadeiro sentido – é Stuart Murdoch, cultivador das florinhas de estufa Belle & Sebastian, aqui, assumindo as responsabilidades de compositor, argumentista, director de casting e, eventualmente, realizador. A epifania aconteceu, há cinco anos, durante uma sessão de jogging, em Sheffield, quando uma canção inteira “que nunca seria para os Belle & Sebastian” (“God Help The Girl”, o tema-título) lhe fez uma pirueta no cerebelo. Através de um anúncio de jornal, procurou cantoras para a gravação de um álbum “outonal”, avisando, no entanto, que “as candidatas a Celine Dion” escusavam de se incomodar. Da shortlist final, resultou um trio (que, observando com atenção no YouTube os mini-documentários que, acerca de todo o processo, Marisa Privitera – aliás, Mrs Murdoch – realizou, se diria não ter sido seleccionado exclusivamente segundo critérios de talento vocal...) constituído por Celia Garcia, Alexandra Klobouk e, principalmente, Catherine Ireton, a protagonista e indiscutível "rising star" de God Help The Girl.



É este, então, o momento de proclamar que o que já se pressentia em Dear Catastrophe Waitress (2003) – depositado nas tonificantes mãos de Trevor Horn – floresce, desta vez, em todo o seu esplendor: da crisálida anémica dos Belle, emergiu uma borboleta-Murdoch capaz de libertar o Phil Spector que trazia, oprimido, dentro de si! E ele não apenas descobriu uma legião de Ronettes e Shirelles inteiramente à disposição (para além do trio Garcia/Klobouk/Ireton, várias outras foram recrutadas), como, de entre elas, transformou umas em Petula Clark e outras em Sandie Shaw, deu livre curso à sua veia de “songwriter” para uma Motown escocesa virtual (o velho sonho da Postcard – “The Sound Of Young Scotland” – de Alan Horne) e, a espaços, se entregou ao devaneio de se ver como um Burt Bacharach que, num cotovelo do espaço-tempo, tivesse participado da “nouvelle vague”, ao lado de Truffaut ou Godard. O que, no fundo, não tem sido senão o que os diversos discípulos da academia B&S (Camera Obscura, Concretes, Lucky Soul, os She & Him de Zooey Deschanel e Matt Ward) têm vindo a fazer.



Se o argumento do “musical” em potência é murdochianamente previsível – Eve, jovem melancólica e perturbada, tropeça na música popular e por ela se perde – a atitude "life could be musical comedy/prop-like street lighting awaiting your swing” não podia ser mais ajustada: do quase-ABBA, “Musician, Please Take Heed”, ao requinte "über cool" do convidado Neil Hannon, em “Perfection As A Hipster”, às sumptuosas volutas orquestrais ou à transfiguração soul de “Funny Little Frog” pela voz de Brittany “Dusty Springfield” Stallings, tudo é puríssima perfeição pop. Que, mesmo que não voasse tão alto, se justificaria apenas pela revelação de Catherine Ireton, showtune girl no primeiro capítulo de uma longa e fulgurante biografia.

(2009)
GOD HELP THE GIRL - AN INTRODUCTION



(2009)

14 August 2009

GOD HELP THE GIRL
(Catherine Ireton, Alexandra Klobouk e Celia Garcia)
















(2009)

11 August 2009

GOD HELP THE GIRL
(Catherine Ireton, Alexandra Klobouk e Celia Garcia)
















(2009)
GOD HELP THE GIRL - GIRL SINGER NEEDED
(PARTES I & II)







(2009)