Showing posts with label Futura 2000. Show all posts
Showing posts with label Futura 2000. Show all posts

24 July 2022

"Ghetto Defendant" (c/ Allen Ginsberg)
 
(sequência daqui) Reeditado, agora, no 40º aniversário, com o disco de bónus The People’s Hall – incluindo versões alternativas de álguns temas, sessões de improvisação com Futura 2000, lados B, gravações de rua e de rádio, e outras que deveriam ter figurado no alinhamento original de Rat Patrol From Fort Bragg –, Combat Rock acabaria por ser o álbum de maior sucesso dos Clash e que lhes abriria as portas dos EUA. Mas, quando a 14 de Maio de 1982, foi publicado, Joe Strummer estava há três semanas fora de todos os radares, com o início de uma digressão no horizonte. Seria, por fim, localizado com a ajuda de um detective privado, escondido algures em Paris. Dificilmente convencido a regressar a Londres, dois dias depois subiria com a banda ao palco de um festival na Holanda. Justamente a mesma noite em que, tendo-se tornado totalmente impossível lidar com a dependência de heroína do baterista ‘Topper’ Headon (o motivo maior pelo qual Strummer “passara à clandestinidade”), este foi despedido e substituido de emergência por Terry Chimes, membro inicial da bands, entre 1976 e 1977. Não haveria capítulo seguinte.

22 July 2022


 

"Know Your Rights"

(sequência daqui) Combat Rock iria ser o último álbum dos Clash (não contando com Cut The Crap, de 1985, extertor final que, dos Clash originais, apenas reteria Joe Strummer). Inicialmente pensado como um duplo intitulado Rat Patrol From Fort Bragg, nos estúdios Electric Lady de Nova Iorque acabaria por se afastar do plano original de um regresso ao rock’n’roll primordial e incluir diversas colagens sonoras, uma secção de "spoken word" pelo poeta beat Allen Ginsberg em “Ghetto Defendant” (“Starved in metropolis, hooked on necropolis, addict of metropolis, the worm on the acropolis, slam dance the cosmopolis, enlighten the populace (...) Guatemala, Honduras, Poland, 100 years war, TV re-run, invasion, death squad, Salvador, Afghanistan, meditation, old Chinese flu, kick junk, what else can a poor worker do?”) e outra pelo street artist Futura 2000 em “Overpowered by Funk” (“Car crashed, food for the hungry millions? Funk out! Home for the floating people? Funk out! Over-drunk on power, Funk out! The final game will be solitaire, over-drunk on power, funk out”). Mas, sobretudo, "Should I Stay Or Should I Go", "Rock The Casbah" (uma parábola acerca da proibição da música nos regimes islâmicos fundamentalistas) e "Straight To Hell" que Simon Reynolds descreveria como "around-the-world-at-war-in-five-verses guided tour of hell-zones where boy-soldiers had languished”. Jim Jarmusch, em declarações à “Uncut”, preferir-lhes-ia a faixa de abertura, "Know Your Rights": “É um dos meus momentos favoritos em toda a história do rock’n’roll. Joe Strummer é um autor muito inteligente: trata-se, na verdade, de um alerta disfarçado de proclamação. E fá-lo com aquela tonalidade vocal dele, vigorosa e insolente, carregada de indignação. Por estes dias, 1982 parece-nos um ponto muito longínquo no tempo. Mas esta canção, em 2022, ressoa ainda mais poderosamente com todo o autoritarismo que se vai expandindo sobre o globo como as sombras no pôr do sol. Vivam os Clash!” (segue para aqui)