27 May 2024
27 October 2023
20 December 2022
Frank Sinatra - "I'm A Fool To Want You"
17 October 2022
28 January 2022
(sequência daqui) A verdade é que tanto Richard Kelly (à excepção, talvez, de The Box, 2009) como os Bunnymen, depois de Ocean Rain (1984) – o sumptuosíssimo estojo que acolhia "The Killing Moon" –, não mais repetiriam tão grandiosos feitos. Com a importantíssima diferença de que a banda de McCulloch, Will Sergeant, Les Pattinson e Pete de Freitas possuía um ainda recente mas glorioso passado de três álbuns em pouco habitual trajectória sempre ascendente: Crocodiles (1980), Heaven Up Here (1981) e Porcupine (1983). Escrevendo sobre a banda em Rip it Up and Start Again: Postpunk 1978-1984 (2005 ), Simon Reynolds destacava “as linhas de baixo graníticas” de Pattinson “que transportam a linha melódica”, “as cortantes melodias de quartzo” da guitarra de Sergeant que “libertavam hectares de espaço vazio e evitavam tudo o que se assemelhasse a um solo”, a “bateria minimalista” de Pete de Freitas “em crescendos de emergência”, e a “autoridade precoce” da voz de McCulloch, entre Sinatra e Jim Morrison, “mas com a pureza de um coração de adolescente”. A doutrina dividia-se (e continua a dividir-se) acerca do mérito de cada uma das peças: entre as afiadas lâminas pós-punk de Crocodiles, a perfeitíssima geometria de Heaven Up Here, o contraditório barroco minimal de Porcupine e o épico esplendor de Ocean Rain, nunca um consenso foi satisfatoriamente alcançado (eu voto Porcupine). Para Ian McCulloch – aliás, Mac the Mouth –, porém, esse nunca seria um problema: cada álbum, cada EP ou cada canção, foram sempre os melhores de todo o sempre, assinados pela mais extraordinária banda do universo conhecido, possuidora da única voz humana capaz de paralizar o movimento dos planetas. “We can't tell our left from right, but we know we love extremes, getting to grips with the ups and downs, because there's nothing in between” ("Back Of Love") tanto poderia ser um manifesto existencial como estético. Com a tetralogia de ouro agora disponível em vinil de 180 gramas (negro e nas versões azul, amarelo, branco e azul transparente) o debate pode continuar.
29 July 2021
23 July 2021
O futuro confirmaria tudo: o Dylan que, no início, se moldara em torno da lenda militante de Woody Guthrie, a partir de 2015, durante dois álbuns simples e um triplo, deslocaria a reverência para o universo de Frank Sinatra e diversos outros "crooners" coevos; nos cerca de 100 programas da XM Radio, “Theme Time Radio Hour”, estruturado em torno de temas como o riso, a Lua, a sorte, o dinheiro, o sangue, a guerra, com intervenções de ouvintes maioritariamente "fake", ministraria um curso avançado de história da música popular; nas canções (em particular, no último álbum, Rough And Rowdy Ways), na autobiografia e mesmo no discurso de aceitação do Prémio Nobel de Literatura, não cessaria de se divertir disseminando, quais ovos de Páscoa, citações e apropriações de textos clássicos e contemporâneos, à espera de caçar quem mordesse o isco. Julian Barnes, concorrente de Bob Dylan na lista de candidatos ao Nobel no ano (2017) em que este o ganhou, muito dylanianamente, afirmou: “Se algum biógrafo me quiser biografar eu terei o poder de deixar pistas falsas”. Ao longo da vida inteira, Bob Dylan não tem feito outra coisa senão lançar-nos iscos envenenados. Mas, acerca de um ponto não deveremos nunca mais enganar-nos: a 24 de Maio, comemorou-se o 80º aniversário de Robert Allen Zimmerman. No próximo 2 de Agosto, celebram-se os 59 anos de Bob Dylan, nesse dia de 1962 registado numa conservatória de Nova Iorque. Só faltava que, na inauguração do Bob Dylan Center, em Tulsa, Dylan comparecesse à porta apenas para segredar ao ouvido dos visitantes “I’m not there”.
17 July 2018
24 October 2017
15 April 2017
Actuando como um prisma através do qual faz desfilar e ilumina o panteão do cancioneiro norte-americano, o mesmo Dylan que, em Love And Theft (publicado a 11 de Setembro de 2001), cantava “The future, for me, is already a thing of the past”, reestabelece elos quebrados (“Embora não parecesse, o rock’n’roll era uma extensão da música das big bands de swing que eu ouvia antes de descobrir Elvis Presley. Mas o rock era de alta energia, surgido das trevas, uma arma cromada perigosa que explodia à velocidade da luz”) e termina, pela mão de Kern e Hammerstein, perplexo: “What is the good of me by myself? Why was I born? Why am I living? What do I get? What am I giving? Why do I want a thing I daren't hope for? What can I hope for? I wish I knew”.
09 March 2017
... A-Z foi uma forma de estruturar um concerto, 26 canções, uma para cada letra do alfabeto. Um espectáculo, não um álbum.
01 March 2017
* ... aconteceram...
13 December 2016
09 June 2016
02 June 2016
Nas Chronicles, tinha já dito algo semelhante quando confessara que “nas canções de Harold Arlen, conseguia ouvir os blues rurais e a música folk”. Não espanta nada, por isso, que tanto em Shadows In The Night, do ano passado, como, agora, com Fallen Angels – volumes I e II da expedição ao Great American Songbook – se tenha lançado sobre o reportório de Arlen mas também de Johnny Mercer, Hammerstein & Rodgers, Irving Berlin, Jimmy Van Heusen, Hoagy Carmichael, Sammy Cahn e vários outros clássicos, unidos pela circunstância de todas as canções (à excepção de "Skylark") terem sido interpretadas por Frank Sinatra. De certo modo, é também uma forma elegante de reparar a injustiça de há meio século quando foi um dos responsáveis por todos esses terem sido expeditamente despachados para o arquivo morto da história da música popular norte-americana (na introdução de "Bob Dylan’s Blues", em The Freewheelin’ Bob Dylan, 1963, podemos escutar a sua gabarolice juvenil de que “ao contrário das canções que, hoje, vêm lá de cima, da Tin Pan Alley, na 'uptown' de Nova Iorque, esta não foi escrita lá, escrevia-a cá em baixo, nos Estados Unidos”), como se os tempos que estavam a mudar precisassem obrigatoriamente de apagar o tempo que os precedia.