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20 July 2024

(não sei se fui só eu a ficar surpreendido com a dedicatória: "À Ana Cristina Leonardo, ao António Araújo, ao Francisco José Viegas, ao João Lisboa e ao João Pereira Coutinho. Porque, sem saberem, me ajudaram a escrever este livro"; a propósito do uso da palavra "nigger", ver aqui)

20 April 2013

TANTA PEDRA!


Café Poesia 2012 - Uma Noite de Poesia no Palácio de Belém

A Congregação das Irmãzinhas dos Pobres, fundada em 1839 por Santa Joana Jugan, tem como lema "Fazer felizes os velhinhos, é tudo!". E é para fazer os velhinhos felizes que possui várias "residências de velhinhos" onde os velhinhos são, de certeza, muito felizes. "Bonito!", como, em momento de arrebatamento místico-poético, diria a dona de casa do Palácio de Belém, cujas "noites de poesia" se não são ainda uma lenda, passarão, seguramente, a sê-lo após a publicação deste "lindíssimo!" (outra exclamação favorita) CD. Mas não um qualquer "lindíssimo!" CD: por cada exemplar de Café Poesia 2012 - Uma Noite de Poesia no Palácio de Belém adquirido pelos amantes do verbo lírico, 2 euros se derramarão sobre as casas de felizes velhinhos das Irmãzinhas dos Pobres cuja superior missão é fazer os velhinhos felizes.

Tem artistas (e intelectuais e gente assim) muito bons. A começar pela própria anfitriã que - poeticamente, claro - nos explica que "há arquipélagos de silêncio no navegar da vida" e informa que estando a celebrar-se o Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade Entre Gerações, "na plateia temos gerações que vão desde os 15 anos até quase, quase aos 90. Bonito!". É, afinal, o poder das "palavras apetrechadas de asas. Lindíssimo!". E, na sua inigualável prosa-poética que abre o CD ("Caminho para Petra"), as palavras esvoaçam como tentilhões, em transcendentes nacos de pura inspiração, capturados entre a aurea mediocritas da Aldeia da Coelha e a peregrinação, abençoadamente sem picante, pelo Monte das Bem-Aventuranças:

"Fazia muito calor e a luz vibrava como em Portugal. Melhor, como no Algarve da infância. Era um sonho tão antigo esta visita à Terra Santa. (...)
Terra estranha aquela! (...) Agreste, avara, onde estavam o leite e o mel?
Tanta pedra!
O marido comentou:
- Agora percebo porque é que na Bíblia aparecem tantas pedras"

É também reconfortante saber que a poetisa e "o marido" - com as suas parcas reformas e débeis economias - não terão que temer pelo Inverno das suas vidas: as Irmãzinhas saberão, sem dúvida, retribuir tão "bonito!" gesto e providenciarão um quartinho numa residência de velhinhos felizes. Quiçá, com jardinzinho. Mas, mesmo que isso não acontecesse, todos os presentes naquele sarau de santa e redentora poesia e música portar-se-iam à altura. Lídia Jorge não compareceu (enviou, porém, um cartãozinho a falar do "esplendor das palavras" - "Fantástico!") mas Lourdes Norberto, Nuno Júdice, Mísia, Francisco José Viegas, Inês Pedrosa, José Luis Peixoto, Joana Carneiro e tantos, tantos outros não faltaram. Só é de estranhar a ausência da nutricionista e benemérita, Isabel Jonet.

14 February 2013

FRANCISCO, NÃO PODIA ESTAR MAIS DE ACORDO, MAS JURAS QUE, QUANDO ESTAVAS "LÁ DENTRO", LHES DISSESTE OUTRAS TANTAS PARECIDAS? (o Relvas, pelos vistos, is willing and able embora ache a coisa "difícil e delicada")

24 March 2012

MAS, FRANCISCO, AS PERSONAGENS NÃO FALAM ORTOGRAFICAMENTE E O PROBLEMA NÃO É A ORTOGRAFIA...

"O que aconteceu em Longe de Manaus [livro de FJV] foi um confronto muito sério com a língua, com o português. De facto, metade do livro está escrita com ortografia de Portugal e a outra metade com ortografia do Brasil, porque eu não consegui imaginar as personagens brasileiras a falarem como se fossem portuguesas" (Francisco José Viegas, secretário de Estado da Cultura, ao "Expresso" de hoje")

(2012)

21 August 2010

ONDE RAY BRADBURY, TRÊS BLOGS (ESTE, O DE RUI TAVARES E "A ORIGEM DAS ESPÉCIES"), RACHEL BLOOM E UMA DIVINDADE FELINA SE ENCONTRAM


Rachel Bloom - "Fuck Me, Ray Bradbury" (daqui)




(2010)

07 December 2008

NADA PARA PÔR LÁ DENTRO


F. J. Viegas

"Há cerca de 20 anos eu dava aulas numa universidade. Um dia lembrei-me de falar de A Cidade e as Serras - em 30 alunos, só dois tinham lido o clássico. Como era uma turma de 4º ano (e dedicada à 'formação de professores'), achei que deviam ler o livro. A reacção foi de choque e pavor. Percebi depois a natureza dessa sensação quando uma aluna me explicou que tinham aulas de Psicopedagogia, Pedagogia, Didáctica, História da Educação, Administração Escolar, Legislação Escolar - e até uma para lhes ensinar a usar projector de slides ou retroprojector. Portanto, miseravelmente, não tinham tempo para ler. Ou seja: sabiam como ensinar e manusear toda aquela geringonça - mas não tinham nada para ensinar. Para pôr lá dentro - dentro dos relatórios, dos diapositivos, dos diaporamas, dos arquivos de power-point. Vinte anos depois, a sensação repete-se num cenário semelhante; todos reconhecem que vai por aí uma grande festança com 'o Magalhães', o computador que salvará Portugal e gerará alunos ilustrados e trabalhadores, eliminando a iliteracia e - de passagem - a necessidade de caligrafia, essa escrescência de séculos marcados pela ignorância e pela infâmia. Ora, eu duvido que saibam o que pôr lá dentro, para lá de losangos desenhados a rigor e de consultas à Internet. Não me refiro sequer ao folclore que rodeia a apresentação e a publicidade aos 'Magalhães'. Mas lamento que o cenário e o enredo se repitam. Pobre escola". (Francisco José Viegas, na revista "Ler", de Dezembro)

(2008)