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04 February 2026

Sandy Denny & Fotheringay - "Nothing More"/"Gypsy Davy"/"John the Gun"/"Too Much of Nothing"

23 February 2025

FOLK-ROCK MINIMALISTA


Se há personagem que, sem a mais ínfima molécula de dúvida, deverá ser objecto de incondicional veneração por parte da Internacional Melómana é Joe Boyd. É o mínimo devido a quem, enquanto produtor, editor, autor e "olheiro", foi um silencioso motor por trás das carreiras de Fairport Convention, Sandy Denny, Richard (& Linda) Thompson, Pink Floyd, Nick Drake, The Incredible String Band, R.E.M., John and Beverley Martyn, Kate & Anna McGarrigle, Billy Bragg, 10 000 Maniacs, Shirley Collins, Fotheringay, Albion Band, Dagmar Krause, Mary Margaret O'Hara e June Tabor. Mas também um dos fundadores do lendário UFO, clube da Londres psicadélica, o criador da etiqueta Hannibal Records (1980/1998) e autor de White Bicycles: Making Music in the 1960s (2007), segundo Brian Eno, "O melhor livro sobre música desde há muitos anos". Razões mais do que suficientes para que, quando ele se entusiasma com alguma coisa, lhe prestemos atenção. (daqui; segue para aqui)

"Logic"

20 September 2023

 

"Messenger Birds" (álbum integral aqui)

(sequência daqui) Por essa altura, na verdade, as duas meninas ainda adolescentes, já se haviam irremediavelmente extraviado do caminho da salvação e iriam travando conhecimento com diversos enviados das forças do mal: o belíssimamente discreto guitarrista David Williams, o baixo sinuosamente melódico de Frank Boylan e a inventividade rítmica do baterista Will Murray. Em conjunto, descobririam afinidades com os melhores da colheita da época: Sandy Denny/Fotheringay (em "Messenger Birds"), Steeleye Span (em "Dan The Wing"), Pentangle (em "Break Your Token"), Fairport Convention ainda seriamente contaminados pelos Jefferson Airplane (em "The Poet And The Witch" e "Lonely Man") e, de um modo geral, todas as mais cristalinas águas da corrente folk-rock convergiriam para Swaddling Songs (1972). Exemplar único - e, por isso, ainda mais precioso - de uma via que se manteria para sempre aberta.

11 December 2018

DYLAN BY FAIRPORT


As raízes da árvore do folk-rock são emaranhadas mas não demasiado difíceis de identificar. Cinco dias antes de, a 20 de Janeiro de 1965, os Byrds entrarem nos estúdios da Columbia, em Hollywood, para gravarem a versão electrificada de "Mr Tambourine Man", de Bob Dylan (que chegaria ao topo da tabela da “Billboard”), este concluía as sessões de estúdio para o quinto álbum, Bringing It All Back Home. Das 11 faixas, as 7 primeiras do lado A eram acompanhadas por uma banda rock competente mas razoavelmente anónima – exceptue-se o baixista William E. Lee apenas por ser o pai de Spike Lee – e as do lado B, em registo acústico. O tremendo alarme dos integristas folk perante a “traição” concretizada em "Subterranean Homesick Blues" ou "Maggie’s Farm" ficaria, para toda a eternidade, arquivado na gaveta "silly" da História. Mas o que importa é que, algures na segunda metade do mês em que morria Alan Freed - o inventor do termo “rock’n’roll” -, o folk-rock tinha surgido. 


A descendência seria numerosa mas, do lado de cá do Atlântico, apenas conheceria o seu "big bang" em 1969, ano em que os Fairport Convention publicariam What We Did In Our Holidays, Unhalfbricking e Liege & Lief. Não é fácil nem habitual parir três clássicos absolutos num periodo de 12 meses. Para além disso, contudo, a banda que, no início, se imaginava como uns Jefferson Airplane britânicos, não se satisfez em ser a prodigiosa incubadora de talentos da grandeza de Richard Thompson, Sandy Denny, Fotheringay, Steeleye Span, The Bunch, Morris On/Dancing Master e as diversas Albion Band, mas também, transversalmente ao seu percurso – especialmente desde Liege & Lief –, se dedicaria a redescobrir a música tradicional em matrimónio eléctrico com o ar do tempo. Paralelamente, porém, não abdicaria de ir recolhendo alimento estético na origem do seu mundo: em álbuns de estúdio, emissões de rádio, actuações ao vivo e "outtakes" várias, chamaria suas a 17 canções de Bob Dylan, agora, recolhidas em A Tree With Roots, assinado por Fairport Convention & Friends (isto é, eles mesmos mais Sandy Denny a solo e os Fotheringay). Embora já quase todas dispersamente disponíveis em edições oficiais e "bootlegs", um valioso programa de “Dylan by Fairport” no qual se podem re(escutar) o saboroso "mock cajun" de "Si Tu Dois Partir"/"If You Gotta Go, Go Now", o belíssimo crescendo vocal/instrumental de "Percy’s Song" ou a assombrosa "I’ll Keep It With Mine", não é convite que se despreze.

18 May 2016

AJOELHAR

  
Como, pelo menos desde Cristóvão Colombo, bem sabemos, é perfeitamente possível, a partir de um ponto de vista errado, chegar a muito felizes resultados. I’ve Always Kept a Unicorn: The Acoustic Sandy Denny assenta numa ideia, no mínimo, controversa: seria em versão radicalmente a solo e acústica que as extraordinárias voz e sobrenatural capacidade interpretativa de Denny achariam o ponto ideal para delas podermos desfrutar integralmente. Apenas a relutância em deixar a voz demasiado exposta e o desejo de abrigá-la na companhia de outros músicos e timbres instrumentais a teriam impedido de aceitar a opinião dos muitos que procuraram convencê-la a dar esse passo. Assim, quase quatro décadas após a sua morte (em 1978, aos 31 anos), em I’ve Always Kept A Unicorn teríamos, finalmente, “o melhor álbum que ela nunca gravou”: reunindo registos ao vivo, de rádio e televisão, "demos" de canções posteriormente gravadas com os grupos de que fez parte (Strawbs, Fairport Convention, Fotheringay, The Bunch) ou nos álbuns a solo – todas, à excepção de três, já publicadas em diversas compilações mas aqui tematicamente agrupadas pela sua condição acústica –, os 40 temas acolhidos no duplo CD contituiriam a genuína obra-prima oculta que Sandy sempre se recusou a assinar. 

Por trás deste conceito, encontra-se, claro, o persistente puritanismo estético "unplugged", segundo o qual, só totalmente despida de quaisquer adornos, uma peça musical pode revelar a sua mais profunda “verdade”. O que, no caso de Sandy Denny, nos conduziria, inevitável e estupidamente, a desvalorizar os magníficos What We Did On Our Holidays, Unhalfbricking e Liege & Lief (todos do prodigioso ano de 1969, quando, com os Fairport Convention, literalmente inventou o folk-rock britânico), o não menor Fotheringay (1970) e o mais que perfeito The North Star Grassman And The Ravens (1971), em nome individual. Na realidade, se Unicorn, obviamente, não afirma qualquer superioridade do modo acústico, o que, porém, fica é uma excepcional recolha de outros ângulos de escuta que, particularmente em "John The Gun", "She Moves Through The Fair", "North Star Grassman", "Quiet Joys Of Brotherhood" ou "Lowlands of Holland", nos obriga a ajoelhar, de novo, perante Sandy Denny. 

18 September 2013

VINTAGE (CLXII)

Fotheringay/Sandy Denny - "John The Gun"



''My shadow follows me
Wherever I should chance to go''
John the gun did say
''If you should chance to meet me
As I wander to and fro
Sad would be your day

My life is mine and the light did shine
Till the guns they did go through me
So now I shall never fall
Ideals of peace are gold which fools have found
Upon the plains of war
I shall destroy them all.''
 

Put away your guns of steel
Death comes too soon for all
Your master he may need you soon
And you must heed his call


''I am the master of the games
That you will hardly ever play
So I will teach your sons
And if they should die
Before the evening of their span of days
Why, then they will die young.''

Put away your guns of steel...

''Condemn me not
For always will I play the game of war
In moonshine or in sun
And if any cross the path I choose to tread
Their chances they are poor
My name is john the gun.''

Put away your guns of steel...

03 November 2008

A TEIA-FAIRPORT

Fairport Convention - What We Did In Our Holidays e Unhalfbricking

(What We Did In Our Holidays integral aqui)
 
Há discos cujas editoras, por superior imperativo legal transnacional, deveriam estar obrigadas a reeditar ao primeiro indício de desaparecimento no mercado. Os dois primeiros dos Fairport Convention (se descontarmos o ensaio “de aquecimento” de Fairport Convention, 1968, quando Judy Dyble – famosa por, em concerto, nas canções em que não intervinha, se sentar à boca de cena, a tricotar – ainda era a cantora do grupo) caem, de pleníssimo direito, nessa categoria: raras vezes na história da música popular contemporânea se reuniu numa única banda tão prodigiosa e fecunda semente de tanto do que viriam a ser algumas das mais notáveis trajectórias (individuais e colectivas) do último meio século. Não por acaso, em The Complete Rock Family Trees, de Pete Frame, publicado pela Omnibus Press em 1993, a gigantesca genealogia dos Fairports ocupa lugar de relevo. Dos Steeleye Span aos Fotheringay (cujo oculto e, até agora, ignorado segundo álbum acaba de ser exumado) ou The Bunch, às séries Morris On/Compleat Dancing Master, às diversas encarnações da Albion Band, às discografias de Sandy Denny e Richard Thompson (a solo e com Linda Thompson), à persistente carreira dos sobreviventes que, anualmente, desde 1977, se reúnem no Cropredy Festival, ou aos inúmeros pontos intermédios e outras dificilmente recenseáveis intersecções, a teia-Fairport é densa, intrincada e extraordinariamente rica.



E, afinal, em What We Did On Our Holidays e Unhalfbricking (ambos de 1969), não era impossível adivinhar que aquela banda na qual, aos 23 anos, Ashley Hutchings fazia o papel de ancião (Ian Matthews tinha 22, Sandy Denny, 21, Simon Nicol, 18, e Martin Lamble e Richard Thompson, 19) tinha digerido por completo a história do rock e da folk e, em versões de Dylan ou Joni Mitchell, em revisões de “tradicionais” ou em assombrosos temas originais – “Fotheringay”, “Autopsy”, “Meet On The Ledge”, “Who Knows Where The Time Goes”, “Genesis Hall” – estava madura para entrar de imediato nos compêndios. Faltava apenas Liege & Lief (ainda de 1969, annus mirabilis-Fairport), alegada pedra inaugural do folk-rock britânico – apesar de “A Sailor’s Life”, de Unhalfbricking, já o anunciar – para que a trilogia de ouro de uma discografia de infrequente prata se concluísse. Reedite-se assim que, de novo, se esgotem.

(2008)