(clicar na imagem para ampliar; ler cada coluna na vertical)
Showing posts with label Felt. Show all posts
Showing posts with label Felt. Show all posts
05 June 2018
07 August 2012
SHE FEELS LOVE IN DIGITAL STEREO
Saint Etienne - Words
And Music By Saint Etienne
Custa um pouco a acreditar mas, segundo um
estudo recente da YouGov – uma empresa "online"
de "market research" – a forma mais
popular para o público descobrir uma música continua a ser a rádio, o local
preferido para se ler críticas de música ainda é a imprensa escrita e o prazer
de comprar um disco físico supera o de o descarregar da Internet. Nós podemos
duvidar mas os Saint Etienne, não. Simultaneamente, fãs e clássicos académicos
pop – Bob Stanley e Pete Wiggs foram jornalistas e críticos de música –, ao
oitavo álbum, optaram por tornar absolutamente explícito aquilo que,
anteriormente, era apenas o subtexto latente da sua discografia: a pop como
guia para a vida e ferramenta para decifrar o mundo.
Exactamente da mesma forma que Rob Fleming (o protagonista de High Fidelity, de Nick Hornby), organizava a sua colecção de discos não alfabeticamente mas autobiograficamente, na capa de Words And Music, exibem o mapa de uma localidade imaginária onde todas as ruas e artérias têm nomes de canções – "Tobacco Road", "Thunder Road", "Penny Lane"... – e todo o disco é uma gigantesca madalena de Proust pronta a fazer disparar os gatilhos da memória. Que a voz de "indie sex-kitten" bem comportada de Sarah Cracknell evoca, sussurrando “I used Top Of The Pops as my world atlas”, “I feel love in digital stereo”, “I was in love, and I knew he loved me because he'd made me a tape" ou defendendo “the strange and important sound of the synthesiser”. Coisa “estranha e importante” que foi sempre a matriz da sua "indie dance music" amável e literata e que, em Words And Music (título esclarecedor sugerido por Lawrence, dos Felt), tem o seu instante de autocelebração, no qual, ao contrário, de Rob Fleming, nunca vacila na sua fé.
Exactamente da mesma forma que Rob Fleming (o protagonista de High Fidelity, de Nick Hornby), organizava a sua colecção de discos não alfabeticamente mas autobiograficamente, na capa de Words And Music, exibem o mapa de uma localidade imaginária onde todas as ruas e artérias têm nomes de canções – "Tobacco Road", "Thunder Road", "Penny Lane"... – e todo o disco é uma gigantesca madalena de Proust pronta a fazer disparar os gatilhos da memória. Que a voz de "indie sex-kitten" bem comportada de Sarah Cracknell evoca, sussurrando “I used Top Of The Pops as my world atlas”, “I feel love in digital stereo”, “I was in love, and I knew he loved me because he'd made me a tape" ou defendendo “the strange and important sound of the synthesiser”. Coisa “estranha e importante” que foi sempre a matriz da sua "indie dance music" amável e literata e que, em Words And Music (título esclarecedor sugerido por Lawrence, dos Felt), tem o seu instante de autocelebração, no qual, ao contrário, de Rob Fleming, nunca vacila na sua fé.
05 June 2008
MAIS LEVE QUE O AR
The Montgolfier Brothers - The World Is Flat
Apesar do frenesim esquadrinhador dos caçadores de cabeças ao serviço da maçonaria do "hype", a pop britânica ainda encerra meia dúzia de segredos bem guardados que quase parecem fazer gala em permanecer eternamente ocultos. Roger Quigley e Mark Tranmer (que gravam quase indistintamente como Gnac ou The Montgolfiers Brothers) fazem parte dessa seita que, mais ou menos regularmente, vai publicando álbuns e espera, sem se esforçar muito por isso, que o resto do mundo lhe preste alguma atenção.
Se os Gnac — nome que desenterraram de um conto de Italo Calvino — se dedicam essencialmente à música instrumental, os Montgolfier Brothers (evocação poética dos pioneiros da aeronáutica) combinam os instrumentais "incidentais" com a canção de formato clássico apropriadamente mais leve do que o ar e devedora de uma lista de referências musicais que eles generosamente põem à disposição: começa-se em Baden Powell e segue-se por Henry Purcell, François de Roubaix, Kraftwerk, Momus, Ennio Morricone, Plaid, George Delerue, Kryzstof Komeda e Durutti Column. E, acrescentaria eu, Felt, YMG, Virginia Astley e um pouco da assexualidade cultivada dos Smiths. Já havia um pouco de tudo isso nos anteriores Friend Sleeping e Biscuit Barrel Fashion (dos Gnac) e Seventeen Stars (dos Montgolfiers) e agora, um tanto mais sonoramente encorpado, mas não demasiado, volta a emergir neste The World Is Flat. Poderá ser "bedsit poetry", no entanto, no género, ainda continua a ser do mais potável.
(2002)
Labels:
Abkhazia,
Baden Powell,
Durruti Column,
Felt,
Gnac,
Henry Purcell,
Kraftwerk,
Krzysztof Komeda,
Momus,
Montgolfier Brothers,
Morricone,
The Smiths,
Virginia Astley,
Young Marble Giants
Subscribe to:
Posts (Atom)