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02 January 2024

SINGULARIDADES VISIONÁRIAS
Em 1848, procurando identificar o que "distinguia a época burguesa de todas as anteriores", Marx e Engels, no Manifesto Comunista, escreviam: "Todas as relações fixas e enferrujadas, com a sua série de antigos e veneráveis preconceitos e opiniões, são varridas, e todas as novas formações tornam-se antiquadas antes de poderem consolidar-se. Tudo o que é sólido se dissolve no ar, tudo o que é sagrado é profanado". 125 anos depois, em "Melty", faixa de abertura de Afternoon X, após uma introdução feita de um ostinato de duas notas que borbulham à superfície de um caldo sonoro electrónico onde a sombra de um vibrafone flutua, a voz de Cathy Lucas, harmonicamente triplicada, entoa "All that is solid melts into air". Cinco passos à frente, nos mais de oito minutos de "The Down Below", deambulamos por um labirinto de "lounge" desfiguradamente "latino", dissonâncias febris, cornucópias em estado de liquefação, e segredos conspirativamente soprados (“Revelation! Revelation! It’s all a revelation!”, “America! America!”) no planisfério estropiado de um território imaginário. (daqui; segue para aqui)
 
"Melty"

16 March 2021

08 March 2020

"Há uma teoria que une isto tudo e que está também na direita europeia, na radical e na menos radical. Na sua versão americana, a narrativa é esta: existe uma conspiração da esquerda socialista e dos 'loucos' democratas (cada vez mais a mesma coisa), das anti-semitas no Congresso que são muçulmanas, de Bernie Sanders que para ser percebido é preciso ler o Manifesto Comunista de Marx e Engels (ouvi ontem isto), das corporações e Hollywood, dos media 'fake', inimigos do povo, do incapacitado Biden que 'não é o que parece', dos traidores e dos 'frouxos' republicanos que hesitam em decidir-se a aplicar a agenda de Trump, com o objectivo de acabar com o 'modo de vida americano', vender a América à China, acabar com as liberdades e a Constituição, e escravizar os 'orgulhosamente livres' americanos ao Estado socialista. Pensam que é um exagero? Exactamente o que dezenas de estações de rádio e televisão dizem ipsis verbis vinte e quatro horas por dia" (JPP)

16 October 2019

PRECURSORES 

Alphonse Allais - Marcha Fúnebre para as Exéquias de um Grande Homem Surdo

À excepção, talvez, do Big Bang, do nada, nada surge. É por isso que, mesmo algumas atitudes aparentemente radicais e vanguardistas, se devidamente escrutinadas, revelarão ter antecedentes que as anteciparam ou lhes pavimentaram o caminho. A propósito de STUM433 – a caixa de 5 LP com 58 “versões” dos 4’33” de silêncio (1952), de John Cage, que, no próximo dia 25, será publicada a propósito dos 40 anos da Mute Records –, já aqui foi apontada a muito pouco cageana tentativa de procurar capturar aquilo que, por definição, não é capturável. Mas valerá também a pena darmo-nos conta de como esse silencioso separador de águas de Cage não teve lugar em território propriamente virgem. Entre, então, em cena Erwin Schulhoff (1894 – 1942), compositor e pianista checo, discípulo de Dvořák e Debussy, comunista e dadaísta, que morreria no campo de concentração nazi de Wülzburg, na Baviera. 

Erwin Schulhoff : In Futurum, Part III from Fünf Pittoresken (Gerard Bouwhuis)

Adepto do jazz e de uma ideia da música como arte revolucionária por excelência que “deveria escapar ao imperialismo da tonalidade e do ritmo para se elevar a uma extática mudança positiva”, entre as suas obras (que incluiram uma Sonata Erótica para voz feminina solista – aliás, “Solo-Muttertrompete" –, sonoro orgasmo em partitura minuciosamente notada, e uma versão musical do Manifesto Comunista), encontram-se as Fünf Pittoresken, para piano (1919), cuja terceira parte, "In Futurum", consiste de uma partitura inteiramente composta de pausas, ritmicamente intrincada e, claro, ... totalmente silenciosa. Não é, porém, impossível (embora não esteja registado) que Schulhoff se tenha inspirado em Alphonse Allais (1854 – 1905), escritor e humorista francês, cultor da holorima, participante do Salão das Artes Incoerentes, amigo de Erik Satie e pioneiro da pintura monocromática – e na sua Marcha Fúnebre para as Exéquias de um Grande Homem Surdo (1897), uma peça de 24 compassos em branco. É bem capaz de ter sido nestes dois precursores que o autor de um cartoon – descoberto pelo compositor e crítico musical do “Village Voice”, Kyle Gann – publicado em 1932, na revista para pianistas, “The Etude”, foi furtar a ideia de representar um jovem aluno de piano preguiçoso que, quando a mãe o repreende por não o ouvir a tocar, se defende, alegando estar a compor uma música que, a seguir, irá estudar. Meia hora mais tarde, ela, agastada, volta a dizer-lhe que continua a não o ouvir, e, compenetradíssimo, o Willie mostra-lhe a obra concluída: “Song of The Sphynx”, seis compassos integralmente preenchidos com pausas. O mais curioso, contudo, é que o autor do cartoon se chamava... Hy Cage.

20 April 2018


"Marx and Engels based their manifesto on a touchingly simple answer: authentic human happiness and the genuine freedom that must accompany it. For them, these are the only things that truly matter. Their manifesto does not rely on strict Germanic invocations of duty, or appeals to historic responsibilities to inspire us to act. It does not moralise, or point its finger. Marx and Engels attempted to overcome the fixations of German moral philosophy and capitalist profit motives, with a rational, yet rousing appeal to the very basics of our shared human nature"