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26 June 2023

"Shadow Forces"
 
(sequência daqui) No novo Love In Exile, é como se essa singularidade se acentuasse mais ainda buscando, paradoxalmente, a dissolução nas ondas sonoras que, com o pianista e compositor Vijay Iyer e o multi-istrumentista Shahzad Ismaily – gente da intimidade estética de Laurie Anderson, Lou Reed, Tom Waits, Jolie Holland, Laura Veirs, Bonnie Prince Billy, Faun Fables, Secret Chiefs 3, John Zorn ou Elysian Fields –, conduz por um puzzle de estrofes em Urdu cerzidas por uma teia de melismas encantatórios. “Fomo-nos escutando uns aos outros e conduzimo-nos por caminhos que desconhecámos. Sem nunca nos perdermos”.

26 May 2020

O AZUL DISTANTE


Quando, no dia seguinte a ter estado presente numa reunião da Socialist League, William Guest acorda, descobre-se, inesperadamente, num mundo maravilhoso onde não existem propriedade privada, sistema monetário, tribunais, casamentos, prisões, nem autoridade, e toda a estrutura social assenta na propriedade comum dos meios de produção. Porém, tal estado de felicidade não se atingira através da industrialização e do progresso tecnológico que libertaria a humanidade do pesado fardo do trabalho mas pelo regresso a uma idílica sociedade agrária respeitadora da natureza, na qual toda a actividade deveria ser livre, criativa e fonte de prazer. Durante a sua deslumbrada viagem de barco pelas águas límpidas do Tamisa, vai descobrindo igualmente que a Hammersmith Bridge que sempre conhecera feita de aço fora substituida por outra, em pedra, mais bela que a Ponte Vecchio de Florença, o barqueiro que o conduz veste-se à maneira do século XIV, a fétida Manchester fora apagada do mapa, e, de um modo geral, tudo à sua volta se parecia com uma tela de Bruegel. 

Muito resumidamente, é este o enredo, situado em 2102, de News From Nowhere (1890), o romance de ficção política do escritor, socialista e figura central do movimento Arts & Crafts, William Morris, que, em Electric Eden, Rob Young cita, observando: “A mente britânica, até certo ponto, não parece ser capaz de imaginar o futuro senão sob a forma do passado”. Justamente aquilo que poderia dizer-se acerca de The Weight of the Sun, terceiro tomo do quarteto Modern Studies. O que, no caso, não é sequer depreciativo: essencialmente pastoral e bucólico, o álbum da banda de Emily Scott, Rob St. John, Joe Smillie e Pete Harvey (gente com pedigree do conservatório, ao rock, à folk, e à "sound art"), gerado entre o Lancashire e a Escócia, não fecha as portas ao presente mas, na sua equação de “classicismo e experimentalismo com uma canção pop no meio”, escutam-se distintamente ecos dos Fairport Convention (revistos pelos Stereolab), dos Velvet Undergound ("Sweet Jane" a viver numa eterna "Sunday Morning") ou do "chiaroscuro" dos Elysian Fields e Mazzy Star. Uma folk de câmara, outonal e suavemente psicadélica, impressionista e de harmonias tangenciais, a dar corpo às palavras de Rebecca Solnit que, em "The Blue Of Distance", evocam: “The world is blue at its edges and in its depths. This blue is the light that got lost”.

06 April 2009

LYNCH NOIR



Elysian Fields - The Afterlife

Até hoje, nunca terão ultrapassado o estatuto de micro-culto mas o que não falta a Jennifer Charles e Oren Bloedow é currículo e pedigree. Ambos descendentes de gente activa no meio teatral, musical e da rádio, ela, após o percurso académico pela New York University e pela Tisch School Of The Arts, ocupou-se com uma série de espectáculos de poesia/performance na Knitting Factory; Oren, pelo seu lado, passou pelo New England Conservatory, envolveu-se na cena downtown de Nova Iorque ao lado de John Lurie, Marc Ribot e tutti quanti e – coisa de emoldurar na parede da sala – viu-se, inesperadamente, nomeado “artista do ano” de 2004 por Greil Marcus.



E, desde que, pelo meio dos anos 90, constituíram os Elysian Fields, o percurso não tem sido menos imaculado: quatro álbuns de noir pop voluptuosamente mórbida (segundo Nick Kent, “sensual como o sonho húmido de um sonâmbulo”), diversas colaborações com a Tzadik, de John Zorn – nomeadamente, dois álbuns de canções Sefarditas –, de Jennifer com Jean Louis Murat (A Bird On A Poire, em modelo Birkin/Gainsbourg) e, para dourar a biografia, até a sempre bem-vinda medalha do “lost album” produzido por Steve Albini e rejeitado pele Universal que, um dia, também há-de vir à luz. A matriz musical está estabelecida – "torch song" lynchiana, aqui e ali, dilacerada por dissonâncias eléctricas – e, nessa exacta medida, The Afterlife, sem alterar nada de substancial, é um belíssimo pedaço de música para as últimas horas da noite.

(2009)

03 April 2009

ELYSIAN FIELDS (II)















(2009)
ELYSIAN FIELDS (I)


"Jezebel"



"We're In Love"



Jennifer Charles introduces her band in a very special way
- La Maroquinerie, Paris 2009