14 August 2024
04 August 2024
31 January 2022
29 September 2020
ANTES E DEPOIS
No início, os Stick In The Wheel eram Nicola Kearey, Rachel Thomas Davies e Ian Carter. Desde 2013, publicaram nove singles e EP, seis álbuns – From Here (2015), Follow Them True (2018), dois volumes de English Folk Field Recordings (2017 e 2019), e as “mixtapes” This And The Memory Of This (2018) e Against The Loathsome Beyond (2019) – e participaram em outras tantas compilações. Pelo caminho, foram-se cruzando com Rachel Unthank, June Tabor, Martin Carthy, John Kirkpatrick, Eliza Carthy e vários outros notáveis e ficaram reduzidos ao núcleo Kearey/Carter.
"Villon Song" + François Villon e "cant"
Se, desde os primeiros passos, nunca esconderam um muito determinado programa de acção – “É preciso libertar a folk do estatuto de peça de museu, ela faz parte da nossa cultura. Os recolectores da época vitoriana privilegiavam as canções rurais, livres da contaminação das gentes urbanas. E dos imigrantes. Não fingimos ser limpa-chaminés ou ‘dandies’ do século XVII. Tocamo-la porque tem de ser tocada. Nada temos a ver com nostalgias ou atitudes retro mas há demasiada gente completamente desligada do passado e incapaz de estabelecer uma relação entre ele e o nosso presente” – e o foram concretizarando sem falhas através dos diversos ângulos da rica discografia, é, porém, com o último Hold Fast que é impossível não reconhecer estarmos perante uma daquelas gravações que definem um “antes” e um “depois”. Preto no branco: tal como é obrigatório localizar o início da primeira vaga do folk-rock britânico em Liege & Lief (1969), dos Fairport Convention, Hold Fast, não menosprezando June Tabor, os Pogues, as Unthanks ou os Lankum, assinala o momento no qual a raiz tradicional, a História, a literatura popular e o remoínho da(s) folk(s) se embrenham na modernidade e renascem mais uma vez. Simultaneamente rude e sofisticado, punk e pagão, electrónico e artesanal, com um pé em Kipling e outro no Exeter Book medieval, anglo-saxónico, cigano e yiddish, é um fulgurante relâmpago transcultural que, como se exige aos melhores, não deixa pedra sobre pedra.
19 December 2018
30 June 2018
26 June 2018
20 December 2013
Mas, se isso for indispensável, Won’t Be Long Now tratará imediatamente de repor a justiça: parte assunto de família (os três filhos músicos, Teddy, Kamila e Muna, o neto-idem, Zak, e Richard Thompson a dar uma mão), parte reunião de sábios da cena folk (Martin e Eliza Carthy, John Kirkpatrick, Dave Swarbrick e Gerry Conway), é o género de disco que estabelece ligação instantânea com o melhor dela que guardávamos na memória. "Love’s For Babies And Fools" (“My father is a traveller, he has a cuckold's luck, my mother is a queen, but her hands are tied with blood, I have a brother in the graveyard, my sister has the blues, I care only for myself, love's for babies and fools”), parece destilada no mesmo alambique de fel da velha "The End Of The Rainbow", "Never The Bride" (“At sixteen I fell for Billy, he was a tall and bonny youth, a friend to every pretty girl but a stranger to the truth”) transporta os Fairports para o século XXI, e, por entre outras nove jóias – a exuberante "Mr. Tams", a gélida a cappella, "Blue Bleezin Blind Drunk"… –, também "Paddy’s Lamentation", só voz e guitarra, em levitação sobre o tempo.
22 July 2010
04 August 2009
Patrick Wolf - The Bachelor
Patrick Wolf é um Elton John contemporâneo que escreve canções sobre minotauros, um Marc Almond que se deixa inspirar por conversas com satanistas em quartos de hotel, um Billy Corgan sinfónico que imagina que “over the top” é sinónimo de “less is more”, um "ersatz" do Bowie andrógino com queda para compor hinos de realismo-socialista com revolucionários apelos corais de “rise up!”, uma Kate Bush algo mais destrambelhada. Em The Bachelor, tudo isso acaba por se sintetizar numa versão um bocadinho peculiar de Neil Hannon-para-o-Clube-Disney, com pinceladas “célticas” (cortesia de Eliza Carthy”) e interpelações em spoken word da “voz da esperança” (Tilda Swinton). Sim, o moço (se esquecermos os satanistas) até sabe escolher as companhias mas, no que era suposto ser um duplo-álbum – afinal, o segundo tomo só será publicado no próximo ano – de despenteada maturidade (“I want to grow old disgracefully. I want to become more and more unconventional”), isso não é, de todo, suficiente. Sem querer ser excessivamente desagradável, dir-se-ia mesmo que The Bachelor até é bastante aborrecido.
(2009)