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19 December 2021

(álbum integral)
 
(sequência daqui) Como, agora mesmo, voltou a suceder. Ao ponto de as fontes sonoras se terem tornado dificilmente identificáveis. “É mais um resultado da forma como, hoje, abordamos a música. Temos as canções – textos, melodia, acordes – mas o objectivo é chegar a algo que nunca tenhamos ouvido antes. Gosto de tocar guitarra mas há qualquer coisa na expressividade dela que não quero que soe como uma guitarra. Tecnologicamente, podemos explorar imensas vias para dilatarmos os limites do que é possível e nos aproximarmos do ponto onde tudo rebenta e coisas interessantes acontecem”. E como, afinal, ao longo de quase três décadas, não tem parado de acontecer: “Fazemos música juntos há 28 anos, já tocámos com imensas bandas. No entanto, há casos especiais – como aconteceu com os Dirty Three ou com os Swans – em que sentimos ter sido um privilégio raro conhecer e ter estado com artistas tão extraordinários. Mesmo agora, já bastante mais velhos, como não estremecer quando descobrimos, por exemplo, Alice Coltrane? Porque nunca a tínhamos ouvido? De onde saiu ela?...”

13 August 2007

IR À RAIZ



Nina Nastasia & Jim White - You Follow Me

Voz, guitarra acústica e bateria. Nina Nastasia nunca terá sido exactamente uma adepta da sobrecarga sonora no que aos chamados “valores de produção” diz respeito – ter Steve Albini como produtor único e constante já deverá significar alguma coisa – mas, nunca como agora, neste You Follow Me, terá optado de modo tão radical (no exacto sentido de “ir à raiz” última da música) por gravar canções como quem ergue uma casa apenas com pranchas de madeira e tijolo tosco. Escritas deliberadamente para este formato exíguo constituído exclusivamente por ela e Jim White (esteio dos Dirty Three e acólito de Nick Cave, PJ Harvey, Bonnie 'Prince' Billy e Smog), as canções, de que já aspiráramos a atmosfera seca e calcinada em Dogs (1999), The Blackened Air (2002), Run To Ruin (2003) e On Leaving (2006), ficam, aqui, como que reduzidas a espasmos emocionais, confrontos primordiais entre farrapos de melodia e convulsões rítmicas, qualquer coisa fundamente visceral e quase instintiva que, inicialmente, aparenta ser pouco mais do que o esboço para uma maquete mas que, repetidamente escutada, revela ser tão só aquilo que You Follow Me verdadeiramente exigia. (2007)