Showing posts with label Depeche Mode. Show all posts
Showing posts with label Depeche Mode. Show all posts

30 March 2026

Beth Gibbons - "Sunday Morning"

(sequência daqui) Muito mais pragmaticamente, a "War Child" é uma instituição de solidariedade que trabalha para "proteger, educar e defender os direitos das crianças que vivem em zonas de conflito". Para esse fim, nas últimas três décadas, lançou álbuns de compilações, o mais notável dos quais foi The Help Album (1995), produzido por Brian Eno. Agora, sob a orientação de James Ford, HELP(2) reune mais de três dezenas de músicos e bandas dos quais apetece particularmente referir um valiosíssimo terço: Anna Calvi, Arooj Aftab e Beck (juntos), Beth Gibbons (numa versão de "Sunday Morning", dos Velvet Underground), Big Thief, Damon Albarn (com Grian Chatten, dos Fontaines D.C. e Kae Tempest), Depeche Mode ("Universal Soldier", de Buffy Sainte Marie), Foals, Fontaines D.C (interpretando Sinéad O'Connor), Graham Coxon, Pulp, Wet Leg e Young Fathers.

30 January 2011

ATÉ CUSTA A ACREDITAR QUE HÁ GENTE QUE SE
RECUSA A SOFRER COMO O GOVERNO SOFRE...


"Suffer Well" - Depeche Mode

"Depois de ter concedido um regime de adaptação dos cortes salariais às empresas públicas, o Governo deparou-se com um cenário imprevisto. Servindo-se da equiparação a organismos empresariais, algumas entidades reguladoras criaram regimes à sua medida, escapando às reduções de dez por cento nos salários mais altos. É, pelo menos, esse o caso da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e do Banco de Portugal". (daqui)

... e há tantos que repudiam a santíssima mensagem cristã de sofrer na terra para ganhar o céu...

(2011)

09 July 2008

BOSSA-NOVA (II)
(sort of)



Bulllet - Torch Songs For Secret Agents




Nouvelle Vague - Nouvelle Vague

É Verão e a mente vagueia. Naquele "mood" de gin-tonic na mão e Chandler sob os olhos, não estamos propriamente virados para Wagner, Archie Shepp ou Black Flag, pois não? É, então, o momento para a descida à terra dos espíritos do über-cool (e, aqui, façam o favor de ler "cool" nos três sentidos possíveis: 1) de "hipness"; 2) de "cool", como em "cool jazz"; 3) e de "frescura"). E eles não se fazem rogados. Torch Songs For Secret Agents podia mesmo ter sido concebido como programa de animação cultural das noites tropicais de Clubs Med um bocadinho menos, digamos assim... burgueses.



E, escrevo "burgueses" no mau sentido da palavra. Porque Torch Songs é completamente burguês no melhor sentido: aqui bebe-se do fino, a atmosfera é cuidadosamente perfumada, o perigo (convém haver perigo por causa do picante) está sob controlo e a decoração humana saiu directamente das passerelles para a chaise longue. Os Bulllet pisam o terreno das canções dos Balla, a paleta jazz/hip hop/sampladelica-com-narrativa-implícita pinga em tons-James Bond sobre as telas de Gauguin e, vá-se lá saber porquê, quando acenamos preguiçosamente a pedir um "refill" é Rita Hayworth quem nos vem servir. Nada mau, hein? O cenário alternativo não é pior. Começa por jogar com sinónimos: nouvelle vague, new wave, bossa nova.



Depois, fimando "on location in Paris" sob a direcção de Marc Collin e Olivier Libaux, escolhe como protagonistas criaturas de vozes e nomes celestiais como Camille, Eloisia, Marina, Mélanie Pain, Siljia ou Daniela D'Ambrosia (podiam ser todas protagonistas ou figurantes do filme anterior) e pede-lhes para cantar "Love Will Tear Us Apart", "Just Can't Get Enough", "Guns Of Brixton", "Too Drunk To Fuck", "Making Plans For Nigel" ou "Teenage Kicks" como se os Joy Division, Depeche Mode, Clash, Dead Kennedys, XTC ou Undertones fossem frequentadores assíduos de Copacabana. Os Tuxedomoon, PIL, Sisters Of Mercy, Cure, Modern English, Killing Joke e Specials também não se ficam a rir. Mas ficam todos, de certeza, a sorrir e de muito bom humor, com a caipirinha gelada que a Rita, ela de novo, lhes vem oferecer.

(2004)

23 January 2008

BOREAL



Sissel Vera Pettersen & Nikolaj Hess - By This River

À primeira vista, dir-se-ia uma reedição do modelo-Melody Mountain, de Susanna & The Magical Orchestra: um duo escandinavo (Sissel, norueguesa, Nikolaj, dinamarquês) debruçado sobre um reportório de versões de temas pop e jazz. A abordagem, do ponto de vista estético, também é próxima – “less is more”. Mas as semelhanças cessam aí: onde Susanna Karolina Wallumrød e Morten Qvenild despojavam as canções de rigorosamente tudo aquilo que fosse supérfluo, Sissel Vera Pettersen e Nikolaj Hess expandem, vaporizam e espacializam até à quase imaterialidade “By This River” (de Brian Eno), “Hunting High And Low” (A-Ha), “Out Of Time” (Blur), “Home” (Depeche Mode), “The Long And Winding Road (Beatles) e dois “standards” de jazz (“Bye Bye Blackbird” e “Body And Soul”), à custa de microsonografias electrónicas, “loops” de teclas em contraluz, alusões “étnicas” subliminares e um desejo claro de improvisação instrumental e vocal (sem escorregar para a exibição de virtuosismo) sobre os materiais de origem. Electro-pop-jazz boreal poderia ser uma designação que lhe assentaria bem. (2007)
DOS MILAGRES



Susanna And The Magical Orchestra - Melody Mountain

Não se deixem iludir pela aparência de Nouvelle Vague-em-formato-escandinavo: Susanna Karolina Wallumrød e o ex-Jaga Jazzist, Morten Qvenild, podem ter gravado um álbum de versões de "clássicos" (e outros nem tanto) mas, daqui, não esperem frivolidades estivais a condizer com a margarita gelada. Melody Mountain é uma pequena preciosidade onde as canções são despidas de absolutamente tudo que não o essencial e, faixa a faixa, os milagres se sucedem:



"It's a Long Way To The Top" (dos AC/DC), apenas cravo, orgão e voz, e "Crazy, Crazy Nights" (Kiss), voz e electrocardiografia electrónica, passariam bem por Linda e Richard Thompson, "Condition Of The Heart" (Prince) é um "lied" em renda de Flandres, "Don't Think Twice" (Dylan) desfila por uma passerelle entre sepulcros, "Fotheringay" (Sandy Denny) é Nico "lost in space", "Love Will Tear Us Apart" (Joy Division) faria o próprio Ian Curtis desfazer-se em pranto e "Hallelujah" (Leonard Cohen) acede, finalmente, à condição de salmo a que sempre aspirou. Scott Walker ("It's Raining Today"), Matt Burt ("These Days") e Depeche Mode ("Enjoy The Silence") fecham um círculo de incondicional rendição. (2006)