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18 October 2022
21 January 2021
Maria McKee - "I Never Asked"
(daqui)
Leonard Cohen evocava o poeta persa, Rumi, para falar da "intoxicação pelo amor, da ideia de me render como um ébrio perante o ser amado”. Maria McKee, após 13 anos de silêncio total, percorre o mesmo caminho pela mão de Dante e da espiritualidade erótica dos Fedeli d'Amore, com Blake, Shelley, Byron e Yeats no horizonte. Renascida como “a pansexual, polyamorous, gender-fluid dyke”, La Vita Nuova é uma arrebatadora elegia orquestral à beleza e ao desejo. (daqui)
31 March 2020
POEMA PARA BEATRIZ
Maria McKee? Não deve ser exactamente uma multidão o número daqueles a quem, por esta altura, esse nome fará tocar uma ou duas campainhas. Por motivos bastante concretos: da valquíria "cowpunk" que, desde 1982, aos 18 anos, à frente dos Lone Justice (e integrando o mesmo destacamento a que pertenciam Jason & The Scorchers, Beat Farmers, Long Ryders, Rank & File ou Meat Puppets), assinou o óptimo Lone Justice (1985) e o menos notável Shelter (1986) e, posteriormente, a solo, nos seduziu o ouvido com Maria McKee (1989), You Gotta Sin To Get Saved (1993), Life Is Sweet (1995) e High Dive (2003), não havia notícias há 13 anos. Pelo caminho, deixara o único tema original – "If Love Is A Red Dress (Hang Me In Rags)" – da banda sonora de Pulp Fiction e trepara até pelas tabelas de vendas com "Show Me Heaven", do trambolho cinematográfico Days of Thunder.
Só por essa lomga ausência, a publicação de La Vita Nuova seria já um acontecimento assinalável. Mas é-o muito mais ainda na medida em que se trata, verdadeiramente, de uma segunda vida para Maria Luisa McKee: anunciando-se renascida como “a pansexual, polyamorous, gender-fluid dyke” e activista dos direitos LGBT, "a queer leftist witch” iniciada numa loja da Hermetic Order of the Golden Dawn de Yeats e Crowley, e – jura – em comunicação espiritual com Bryan MacLean (o irmão mais velho já falecido, fundador dos lendários Love), mudou-se dos EUA para Inglaterra e aí mergulhou na música de Scott Walker, Vaughan Williams, Bowie, John Cale e Sandy Denny, e nas obras de Keats, Swinburne, Dickens, Blake e Dante. Foi a este que tomou de empréstimo o título do álbum acerca do qual teríamos bastas justificações para recear o pior. Nada de mais errado: La Vita Nuova, gravado com uma orquestra de 19 elementos, é uma avassaladora obra-prima com aquela patine “antiga” que evoca a Sandy Denny mal-amada de Like an Old Fashioned Waltz e Rendez Vous, mas também, aqui e ali, Joni Mitchell, e toda a constelação de divindades tutelares que a si quis chamar para este imenso poema à sua Beatriz.
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15 June 2019
Um desígnio nacional?
"Dir-me-ão que eu sou absurdo, ao ponto de querer que haja um Dante em cada paróquia e de exigir que os Voltaires nasçam com a profusão dos tortulhos. Bom Deus, não! Eu não reclamo que o país escreva livros, ou que faça arte: contentar-me-ia que lesse os livros que já estão escritos e que se interessasse pelas artes que já estão criadas" (Eça de Queiroz, sobre o 10 de Junho original de 1880, citado por Maria Filomena Mónica em Os fiéis inimigos: Eça de Queirós e Pinheiro Chagas, pag. 11)
30 October 2018
TRADUZIR
“A arte é sempre um processo de tradução, uma partilha entre pessoas, de um século para outro. Não sei qual o objectivo mas é um conforto que continue a existir. Porque gravei este disco? Não sei. É um refúgio para mim? Não, não sei o que é. Mas temos de continuar a traduzir”. Julia Holter traduziu, então. Antes de mais, para o idioma musical: “Mesmo quando existe texto, não funciona como se se tratasse da linguagem habitual.As palavras transformam-se em música”. À autora e artista visual libanesa-americana, Etel Adnan, furtou uma frase : “I found myself in an aviary full of shrieking birds”. Sob a sombra de Hitchcock, achara o título – Aviary – e um esboço do plano para a exploração da “cacofonia mental num mundo em dissolução”. De muitos séculos atrás, colheu a ideia de, na Idade Média, os pássaros serem símbolos da memória (“Aviary seria como um bando de aves esvoaçando dentro da cabeça”) e elaborou uma lista de pássaros associáveis a cada canção. Trouxe também ecos de polifonias medievais, farrapos do Inferno, de Dante, ziguezagues entre "langue d’oc" e inglês sobre memórias trovadorescas e a ambição de imaginar como poderia ser uma banda sonora medieval para Blade Runner: “O filme é de 1982 mas o futuro de 2019 que ele desenhava continua a soar muito mais futurista do que o nosso presente. Sei bem que é um cliché abordar cenários apocalípticos mas, observando tudo o que se passa no mundo, pareceu-me bastante apropriado. Por todo o lado há governantes autocráticos que ameaçam os direitos humanos. Não será nada de novo mas está a acontecer de uma forma diferente”.
Durante todo o ano passado, uma frase apossou-se dela: “Everyday is an emergency”. A primeira metade dos 7’45” da peça a que deu origem dir-se-ia uma versão de Ligeti do concerto para buzinas de automóveis que, em 1972, Laurie Anderson, dirigiu num parque de estacionamento, em Rochester. Anderson paira também sobre "I Shall Love 2" e "Underneath The Moon" (“I see no beginning, no middle, no end”) e um Ligeti desmantelado por Alice Coltrane ocupa todo o espaço de "Turn The Light On". "Colligere", aguada impressionista electroacústica, oferece, enfim, a chave: num labirinto submerso, coleccionar e organizar todos estes vestígios e sedimentos, colocá-los em contiguidade com Meredith Monk, Safo, e transcrições fonéticas de cânticos budistas, contra o aterrador pano de fundo de um mundo ameaçado pela peste. Onde os andróides já nem sonham com carneiros eléctricos.
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24 October 2016
MEDALHAR O EVERESTE
Leonard Cohen conta que, numa das vezes que se encontrou com Bob Dylan, este confidenciou que um famoso "songwriter" lhe terá dito “Bob, tu és o número um, mas o número dois sou eu”. Cohen sorriu e Dylan continuou: “Na minha opinião, Leonard, tu és o número um. Eu sou o número zero”. O que, segundo a interpretação de Cohen, significaria que Dylan – ainda que manifestando grande admiração pela obra dele – se considerava fora desse tipo de competições e para além de qualquer escala de avaliação. Isto é, a questão desde há uma semana intensamente debatida deveria, afinal, ser outra: ganhar o Nobel seria coisa que Bob Dylan merecia que lhe fizessem? O prémio não é flor que se cheire e uma rápida vista de olhos à lista de vencedores, desde 1901, basta para nos darmos conta da generosa lista de inexistências literárias que foi acolhendo, em contraponto com a outra, não menor, de excluídos infinitamente mais importantes.
Na verdade, a história da relação de Dylan com os prémios que lhe foram sendo atribuídos não é exactamente pacífica. Entre ausências, discursos de aceitação monossilábicos e comparências inteiramente silenciosas, deve recordar-se, em 1963, a cerimónia de recepção do Tom Paine Award entregue pelo Emergency Civil Liberties Committee, sobre a qual diria: “Do estrado, olhei para baixo e assustei-me. Todos tinham estado envolvidos com a esquerda, nos anos 30, e, agora, apoiavam a luta pelos direitos cívicos. Mas também usavam jóias e casacos de peles e era como se me dessem aquele prémio por um sentimento de culpa. Levantei-me para sair. Foram atrás de mim e agarraram-me. Disseram-me que tinha de o aceitar”. Ou a outra, na Universidade de Princeton, em 1970, quando lhe foi conferido um Doutoramento Honoris Causa em Música, que recorda na magnífica peça literária que é Chronicles: Volume One (2004): “Apanhado noutra armadilha. Estava a perder toda a credibilidade”. Bob Dylan seria, então, apenas Bob Dylan se, desta vez – ainda que juntando-se à pouco recomendável companhia de Jean-Paul Sartre –, recusasse o Nobel e viesse a público contradizer todos aqueles que defendem a correcção dos motivos para o ter ganhado (até ao momento em que este texto é escrito, não fez qualquer declaração sobre o asunto).
Porém, numa das poucas ocasiões em que se pronunciou aberta e longamente – a entrega do galardão MusiCares Person Of The Year pela National Academy of Recording Arts & Sciences, em Fevereiro de 2015 – fez questão de identificar os ombros sobre que se ergueu: “Vejo as minhas canções como ‘mystery plays' do género daquelas a que Shakespeare assistiu quando jovem; suponho que a origem do que faço poderá recuar até aí. Estavam nas margens e nas margens continuam, após uma caminhada por terrenos escarpados. (...) Aprendi a escrever escutando ‘folk songs’, tocando-as e cruzando-me com quem as cantava quando ninguém ainda o fazia. Durante três ou quatro anos, não fiz outra coisa. Cantava-as por todo o lado em clubes, bares, cafés, festivais, dormia com elas. Foram elas que me revelaram o código para tudo o que era justo”. Algo a que, nas Chronicles já havia acrescentado a veneração por Woody Guthrie, Rimbaud, os blues, Eliot, os clássicos do American Songbook (Berlin, Gershwin, Porter), os beats, o rock’n’roll, a Bíblia, e uma interminável lista de autores, de Tácito a Dante, Milton, Gogol, Dickens, Shelley, Poe, Tolstoi ou Leopardi. Tudo destinado a alimentar aquilo a que, um dia, chamaria “that wild mercury sound”.
Naturalmente, letras de canções (sem deixarem de ser matéria literária) são letras de canções e poesia é poesia. Mas, no caso de Dylan (como acontece também, de formas diversas, com Cohen, Brel, Buarque, Caetano) essa distinção começou a deixar de fazer sentido, pelo menos desde 1965, quando escreveu e gravou "Like A Rolling Stone". Num dos textos que acompanham a recente compilação The Cutting Edge, explica-se que foi por essa altura que Dylan abandonou a ideia de publicar um livro de poesia que começara a escrever no início dos anos 60 ao aperceber-se que uma canção poderia conter tantas ideias como um romance ou um poema. Na mesma época, numa entrevista com a realizadora e argumentista Nora Ephron (então jornalista do “New York Post”), esta perguntou-lhe se os textos dele sobreviveriam no papel, sem música. A resposta foi “Claro que sim. Mas eu não os leio. Prefiro cantá-los”. “Muito mais importantes do que entertenimento ligeiro”, as canções eram, para Dylan, “uma república diferente, uma república libertada” e, enquanto, ingenuamente, o mundo continuava a classificá-las como rock (ou folk rock) o que os ouvidos iam escutando eram, sim, os sucessivos capítulos da mítica “Great American Novel”.
Porque a escrita de Dylan – por muito que resista sem perdas à redução à página escrita – nasceu inexoravelmente enlaçada com a música e a articulação e respiração da voz (e, muito em particular, daquela voz), é nessa exacta medida que deverá ser apreciada: enquanto "storytelling" torrencial, ruído eléctrico, dilúvios de imagens e metáforas testando os limites da linguagem, trazendo à superfície a dimensão propriamente sonora e musical do texto poético e recuperando uma antiquíssima relação entre ambos. Ou, então, como escreveu na “New Yorker” Philip Gourevitch (com mais graça do o havia feito a porta-voz do comité Nobel), “terá sido um enorme erro supor que os textos do influente 'singer-songwriter' e executante de lira cego, Homero, eram literatura”. E, mesmo que a distinção entre “alta” e “baixa” cultura já tenha apresentado sinais vitais em melhor estado, vale a pena referir que, até hoje, caução académica não lhe escasseou: entre inúmeros estudos e ensaios, The Oxford Book of American Poetry (2006), The Cambridge Companion to Bob Dylan (2009), The Norton Introduction to Literature (2005) ou The Princeton Encyclopedia of Poetry and Poetics (2012) incluiram e abordaram a sua obra.
Francamente mais esclarededores serão, enfim, detalhes como o que Alex B. Long, professor de Direito na Universidade do Tennessee, em The Freewheelin’ Judiciary: A Bob Dylan Anthology (2012), revela: desde há muito, Bob Dylan é o autor mais citado em pareceres jurídicos nos EUA. Acrescentem-se a isso os 100 episódios do programa de rádio, Theme Time Radio Hour que, entre 2006 e 2009, Dylan manteve na XM Satellite Radio (mais de 10 000 gravações e 140 000 ficheiros digitais organizados tematicamente num compreensivo panorama da história, literatura e música da América) ou aquela eloquente sequência de No Direction Home (2005), de Scorsese, na qual, Dylan, de modo exuberantemente livre, a partir dos anúncios de serviços da montra de uma "pet shop", improvisa (e dança sobre) uma colagem delirante de palavras e frases que vai disparando num desalinhado puzzle de surrealismo "live" em andamento acelerado. Bruce Springsteen não poderia ter sido mais certeiro quando, em Born To Run – a recém-publicada autobiografia – escreveu: “Dylan é o pai do meu país. Highway 61 Revisited e Bringing It All Back Home foram não apenas grandes discos mas também a primeira vez que me recordo ter sido colocado perante uma visão autêntica do lugar onde vivia. O véu de illusão e engano tinha sido rasgado, as trevas e a luz estavam ali. Com a bota esmagou os bons modos ridículos e a rotina diária que ocultava a corrupção e a decadência. O mundo que ele descrevia estava bem à vista na minha pequena cidade e alastrava à televisão que emitia para as nossas casas isoladas, mas passava sem comentários e era tolerado em silêncio”. Mas, uma vez mais, terá cabido a Leonard Cohen o julgamento definitivo: “Atribuir o Nobel a Bob Dylan é como medalhar o Evereste por ser a montanha mais alta”.
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01 January 2014
Em 2014, teremos, sem dúvida, um Estado mais amiguinho, sexy e ternurento: o INA (após ter conquistado um honroso 15º lugar na iniciativa "De Bicicleta para o Trabalho") vai iniciar um promissor ciclo de debates em que se abordarão temas decisivos para o futuro como "Entre Eros e Thanatos: A Ambidextria nos Serviços Públicos" e "O Amor como Critério de Gestão"
Les ombres de Francesca da Rimini et de Paolo Malatesta apparaissent à Dante et à Virgile - Ary Scheffer, 1855
28 March 2013
A estas horas, está o fulaninho a pensar: "Um dia destes, ainda hei-de descobrir quem é esse tal Dante. Ou será Dantas?"
27 March 2013
1) fraquinho, fraquinho... (agoniante e enjoativamente à defesa, autojusticativo, repetitivo, mau feitiozinho, same old)
2) é verdade que a escola não é lá grande coisa mas, de dois anos em Sciences Pô, a única coisa que ficou naquela cabecinha foi a... "narrativa"?
26 March 2012
30 January 2012
RENOVAR A CULTURA, JÁ: TROQUE O DANTE PELO DANTAS, TROQUE O GIDE PELA GUIDA, O PESSOA PELO PEIXOTO, O ALEXANDRE DUMAS (PAI) PELO VALTER HUGO (MÃE) E O RIMBAUD PELO RAMBO (LIVROS POR DVD TAMBÉM, OK?)
FNAC: “Troque os Maias pela Meyer”
Edit (17:07): ... uma campanha que era tão boa...
(2012)
15 June 2011
MAS QUE MAL TE FIZ EU, LEOPARDO?
1 - Existe um livro que lerias e relerias várias vezes?
Existe: leio e releio, incansavelmente, a Bíblia. Em rigor, não é “um livro” mas uma colecção de 66 livros. Prefiro, claramente, o Antigo Testamento – repleto de mais sangue, violência, traição, inveja, pornografia, ficção-científica, estupro, incesto, irracionalidade e ódio do que qualquer um dos seus equivalentes cinematográficos realizados em Hollywood ou no San Fernando Valley – ao Novo, excessivamente "hippie avant la lettre" para o meu gosto (embora também tenha dois ou três belos nacos para ferrar o dente). Mas, aqui, é necessário dizer que a melhor versão da “parte que interessa” do Novo Testamento se descobre em A Vida de Brian. Sempre fui de opinião que uma correcta e massiva divulgação da Bíblia contribuiria de forma decisiva para a diminuição do número de crentes.
2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
O cliché do costume: Ulysses, de James Joyce.
3 - Se escolhesses um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?
A Vida e Opiniões de Tristram Shandy, de Laurence Sterne. Lido pela primeira vez numa viagem de avião de ida e volta Lisboa-Nova Iorque-Salt-Lake City. A ficção-Mormon pareceu-me encaixar-se de modo assombrosamente perfeito no remoinho narrativo do Shandy. Mil vezes que se lhe pegue, nunca é o mesmo livro.
4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
A Divina Comédia, Dante. Assustou-me de morte ter compreendido que, para o descodificar integralmente, precisaria de um trabalho prévio de, para aí, uma vida.
5- Que livro leste cuja 'cena final' jamais conseguiste esquecer?
O Passageiro Clandestino, primeiro capítulo de A História do Mundo Em 10 Capítulos e Meio, de Julian Barnes.
6- Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Sim. Júlio Verne. Tintim. Asterix. Mark Twain. Blake & Mortimer. Lucky Luke. As biografias de Geronimo, Carzy Horse e Buffalo Bill. Kipling. Robinson Crusoe. A Ilha do Tesouro. Walter Scott. Os Cinco. Jack London. Os Tarzans, do Rice Burroughs. Mas, aos quinze, já lhe estava a dar na Filosofia na Alcova, do Sade.
7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Não nasci para sofrer. Já larguei vários a meio.
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Não é pergunta que se faça. Mas, reduzindo a coisa ao osso, é mais ou menos isto: Poesias, Rimbaud; Français, Encore Un Éffort Si Vous Voulez Être Républicains (o “miolo” filosofante da Alcova, do Sade); Alberto Caeiro; Nietzsche, retirado, às cegas, da prateleira; os já falados Sterne e Bíblia; Obras Completas, de Oscar Wilde; Poesias, de Rumi; A Ilha do Dia Antes, Umberto Eco.
9. Que livro estás a ler neste momento?
9. Que livro estás a ler neste momento?
Lentissimamente (está quase a fazer um ano), The Inheritance Of Rome/A History Of Europe From 400 to 1000, de Chris Wickham.
10. Indica dez amigos para o Meme Literário:
Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti. Não é coisa “bíblica”, é só bom senso convivial.
(2011)
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01 January 2011
2011

Dante Alighieri - Domenico di Michelino (1465)
Dante recusa-se a mudar uma só palavra. The Audience também.
(2011)
Dante Alighieri - Domenico di Michelino (1465)
Dante recusa-se a mudar uma só palavra. The Audience também.
(2011)
01 September 2010
TEORIA & PRAXIS MUSICAIS PORTUGUESAS (IV)
Mendes Bota - 1
Há tesouros ocultos na música portuguesa que apenas um espeleólogo em regime de dedicação exclusiva e armado da máxima devoção será capaz de revelar. Um dos mais preciosos é, sem qualquer dúvida, o espólio do "singer-songwriter" Mendes Bota, bravo militante do PSD allgarvio, farol laranja do lendário Pontal, escoteiro notável, ex-deputado europeu, cripto-marxista e, tão ou mais importante, autor de uma das mais assombrosas gravações que, na língua de Camões - e nas de Cervantes, Dante, Voltaire e Shakespeare -, canta, como ninguém antes o ousara fazer nem se atreveu depois, o ideal europeu. Muito apropriadamente, chamou-lhe Sem Fronteiras, data de 1992, e constitui um indiscutível desígnio da cultura nacional oferecer-lhe, ainda que com inexplicável atraso, o mais que merecido relevo. Para lhe dar início, "Eu Sou o Homem do Rock'n'Roll", um vibrante manifesto de juventude e desempoeirada modernidade estética.
(2010)
01 January 2010
2010 - "ALL HOPE ABANDON, YE WHO ENTER HERE"
"LASCIATE OGNE SPERANZA, VOI CH'INTRATE"
"VÓS QUE AQUI ENTRAIS, ABANDONAI TODA A ESPERANÇA"
(Dante - Divina Comédia, Inferno)
"LASCIATE OGNE SPERANZA, VOI CH'INTRATE"
"VÓS QUE AQUI ENTRAIS, ABANDONAI TODA A ESPERANÇA"
(Dante - Divina Comédia, Inferno)
Botticelli - ilustração para o Inferno de Dante, 1480
... ou, em termos pop, "A Pessimist Is Never Disappointed":
... ou, em termos pop, "A Pessimist Is Never Disappointed":
It's unfashionable, I guess,
To knock success,
It's magnified and blessed,
Folk are so impressed,
This is uniformity,
Remember something please,
As we travel up the tree,
We show worse anatomy,
Yet we must be so charming when we're praised
Like kids when we are trashed, we come of age
It's crazy I think of you
I know that you're coming too
Hey sunshine! I'll never shake your pride
You're what I need,
You've been appointed
This is the highlight of your miserable life
A pessimist is never disappointed
Does anyone believe?
Am I judged or I achieve?
You'll know what I mean
By what I leave
Yet I must be so humble when I'm praised
Like I've reached the higher ground, I have come of age
It’s crazy I think of you
I know that you're coming too
Hey sunshine! I'll never shake your pride
You're what I need,
You've been appointed
This is the highlight of your miserable life
A pessimist is never disappointed
It's a karaoke climate and we all sing the same fuckin’ song
Hey sunshine! I'll never shake your pride
You're what I need,
You've been anointed
This is the highlight of your miserable life
A pessimist is never disappointed
Yeah a pessimist is never disappointed
(2010)
25 November 2008
LUXUOSA DECADÊNCIA
Marianne Faithfull - A Secret Life
Começa com um excerto da Divina Comédia, de Dante ("Midway this way of life we're bound upon, I woke to find myself in a dark wood where the right road was wholly lost and gone") e termina com outro da Tempestade, de Shakespeare ("We are such stuff as dreams are made of and our little life is rounded with a sleep"). Pelo meio, no decurso de "Bored By Dreams", deixa cair, quase inadvertidamente, num murmúrio, "after a certain age, every artist works with injury". Segundo se anuncia, este seria o álbum do apaziguamento de Marianne Faithfull. Será, pelo menos, o apaziguamento possível em alguém para quem a ideia de paz interior nunca foi a descrição mais adequada.
"Love In The Afternoon" (álbum integral aqui)
E que, ao escolher para compositor das melodias que, em A Secret Life, envolvem os seus textos o mesmo Angelo Badalamenti dos pesadelos narcóticos de David Lynch e da mórbida suavidade de Julee Cruise, acertou no encenador exacto para o trecho mais recente do seu teatro privado. Como talvez se adivinhe, esta Secret Life é a de uma luxuosa decadência. Já não se debate violentamente por entre fúria e imprecações como em Broken English nem se refugia na interpretação de versões de outros como fizera em Strange Weather. Agora, num disco confessadamente acerca de "love, sex and doubt", fala na primeira pessoa, ocasionalmente socorre-se do apoio de Frank McGuiness (autor de "Someone To Watch Over Me"), mas conduz todo o percurso por portentosas cortinas orquestrais, melodias de uma enganadora serenidade clássica e um quase comprazimento na beleza infinita de uma dor que se aprendeu a apreciar. Se calhar, só um efeito do tempo e da distância que ensinaram como os sonhos podem provocar o tédio e obrigaram a compreender que "things are never what they seem, they play a part most of the time". Amarga e magnífica Marianne Faithfull.
(1995)
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