Lumbee, Occaneechi, Shakori, Eno, Saponi, Tuscarora, Catawba, Sissipahaw, Tutelo, Adshusheer, Cheraw. É uma lista de povos nativos americanos em cujos territórios ancestrais H.C. McEntire, nas "liner notes" de Every Acre, faz questão de sublinhar que o seu terceiro álbum foi gravado. E, em "Turpentine", por entre labaredas de guitarra dignas de Neil Young lançando fogo aos Crazy Horse, canta: “We can tend the land for a little while, bones of those beneath the boundary lines, east in sets first, then clockwise, every acre that you ever owned, hissed and split like a radiator hose”. Uma outra lista, mais curta, surge logo na primeira faixa, "New View". Após uma muito explícita investida na direcção da amante (“Bend me and break me, split me right in two, mend me and make me, I'll take more of you, in the high hunter's moon”), reconfigura poeticamente a manobra de sedução: “Read me Day, Ada, Laux, Berry, and Olds, who knew it'd be so good? Baby, did you?” (daqui; segue para aqui)
(sequência daqui) Que fizeram, pois, no celeiro, Young, Talbot, Molina e Lofgren? Naturalmente, aquilo que três moços de 70 e tal anos e um recém-chegado ao clube (Lofgren), com muitos quilómetros de música, se ainda se mantêm não apenas fisiologicamente vivos, costumam fazer: tocaram, inventaram canções em tempo real e, sob a orientação de um crente na (traiçoeira) filosofia “first thought, best thought”, guardaram umas, esqueceram outras e fizeram sabe-se lá o quê às restantes. Como, à “Rolling Stone”, Young explicou o método, “Eu só escrevi as letras. Não me sentei com a guitarra e cantei as canções. Tinha as letras dispersas por uma quantidade de autocolantes que, para não me perder, tive de ir numerando. Às vezes, escrevo tão depressa que é fácil perder-me. Posso cantar um verso e ir entoando uma melodia mas não volto a fazê-lo até começar a gravar com a banda. Imeditamente antes, mostro-lhes a sequência de acordes e deixo-os tocar por uns minutos. Então, começamos. Nesse primeiro encontro com a música estamos a descobrir tudo – se funciona, se não funciona. Pelo caminho, podemos ir improvisando, uma vez que não temos nenhum percurso a seguir obrigatoriamente. Não há nenhuma regra, nada. Não é por alguma coisa ter resultado bem noutra altura que iremos, agora, repeti-la. Coisas dessas, neste método não acontecem”. É um clássico de Neil Young com os Crazy Horse como Rust Never Sleeps (1979), Ragged Glory (1990) ou Weld (1991)? Não, muito longe disso. Mas é um daqueles discos acerca dos quais apetece dizer “O que eu não dava para ter passado uns dias naquele celeiro...”
21 January 2022
Neil Young & Crazy Horse - A Band A Brotherhood A Barn (real. Daryl Hannah)
(sequência daqui) Contam as sagradas escrituras do rock que, em 1972, desejando dar a ouvir a Graham Nash – ex-parceiro da coligação Crosby, Stills, Nash & Young – o recém-gravado Harvest (parcialmente registado num celeiro), Young o convidou para um passeio de barco a remos no lago da sua propriedade no Norte da Califórnia. Em terra, a conveniente distância, a residência de Neil e o celeiro, haviam sido artilhados com potentíssimas colunas de som que deveriam emitir estereofónicamente para a zona do lago. Quando o co-produtor do álbum, Elliot Mazer, foi até à margem procurando assegurar-se se tudo podia ser escutado em óptimas condições, Neil Young terá apenas gritado como resposta “More barn!” “Nessa altura, estava disposto a tocar em qualquer sítio. O celeiro pareceu-me muito bem e achei que valeria a pena experimentar. O palco tinha muito bom aspecto e tudo o resto me agradou também. 50 anos mais tarde, aí vamos nós de novo.!”, contou Young à “Rolling Stone. Desta vez, teve, literalmente, todo o celeiro que poderia desejar. E uma adequação ao calendário lunar feita por medida: o período de gravações coincidiria com a Strawberry Moon de Junho deste ano – a lua cheia mais próxima do solstício de Verão, de acordo com a tradição das tribos Algonquin, Ojibwe, Dakota e Lakota –, propiciadora de boa sorte, generosidade e optimismo, assinalados pelo amadurecimento dos morangos.
“Não sei se isto funciona da mesma maneira com toda a gente mas comigo sim. Sinto a energia da mudança dos ciclos lunares. É algo de que diversas culturas (umas mais do que outras) tiveram consciência ao longo dos tempos. Quando uma nova lua se aproxima, apercebemo-nos disso, como quando viramos uma página num livro. Talvez uma semana depois, começamos realmente, a sentir alguma coisa, habitualmente boa, positiva e criativa. Foi por isso que escolhemos essa data para o final das sessões de gravação”, revelou ao mundo o septuagenário hippie canadiano. Ou, mais exactamente, “Canerican” (“I am American, American is what I am, I was born in Canada, came south to join a band, got caught up in the big time, travellin' through the land, up on the stage, I see the changes comin' to this country, I am Canerican, Canerican is what I am”), estatuto a que tem pleno direito desde que, finalmente, no ano passado, adquiriu a dupla nacionalidade que lhe permite declarar – a ele que se reviu em Ronald Reagan e abominou Donald Trump – “I am all colours, all colours is what I am, stand beside my brothers for freedom in this land” e, juntando as palavras aos actos, exercer o primeiro direito de voto apoiando Joe Biden (“Votar nele foi uma boa sensação. É alguém que respeitamos como pessoa e de quem o país precisa. È um bom exemplo de como agir, actuar, ser bem educado mas firme”). (segue para aqui)
18 January 2022
UNS DIAS NO CELEIRO
Na zona de Telluride, no Colorado – distinguida com a honra de ter sido
cenário do primeiro assalto a um banco de Butch Cassidy –, empoleirado nas Rocky Mountains, 2 667 metros acima do nível do mar, encontra-se “the barn”. O celeiro. Construído em 1850, era um local onde as diligências paravam para dar de beber e alimentar os cavalos, permitindo também aos passageiros descansar durante algumas horas antes de prosseguir viagem. Algo como a "roadhouse" de Once Upon A Time In The West, na qual Harmonica/Charles Bronson e Cheyenne/Jason Robards se cruzam pela primeira vez. A partir de alguns esboços e de uma fotografia, Neil Young tratou de restaurar o que já era pouco mais do que uma ruína: “Usámos madeira daqueles grandes pinheiros ponderosa, tirando partido das superfícies arredondadas. Os troncos sobrepostos dão origem a uma onda sonora cheia. Nada de ângulos rectos que são inimigos do som e provocam a extinção de algumas frequências. O que, quando estamos a gravar, temos sempre de ir compensando. Aqui, não precisámos de fazer nada disso: desde o primeiro instante, tudo soou perfeitamente bem”. Numa fotografia de Daryl Hannah (a andróide Pris, de Blade Runner, a gélida homicida Elle Driver, de Kill Bill, mas também, desde 2018, Mrs Young), “the barn” surge na capa do disco a que dá o nome: três quartos de céu raiados de núvens rosa de final de tarde e, no quarto inferior esquerdo, qual Big Pink ainda mais rural, uma casa-de-madeira-em-forma-de-casa, à porta da qual apenas com uma lupa poderão identificar-se as quatro figuras que a ocupam – Neil Young e os três Crazy Horse actuais (o baterista Ralph Molina, o baixista Billy Talbot e o guitarrista e multi-instrumentista Nils Lofgren, também tripulante da E Street Band, de Bruce Springsteen). (segue para aqui)
Radieux Radio é uma misteriosa personagem que, mesmo que exaustivamente procurada nos labirintos do Google, teima em apenas surgir quando associada ao nome de Thurston Moore. Nem uma imagem, nem uma referência exclusivamente em nome próprio. E nunca ficamos a saber muito mais do que “Radieux Radio is a London-based activist, poet and artist”, colaborador de Moore em eventos de poesia, música e residências artísticas ou, pela boca do próprio Thurston, que se trata de “um poeta transgénero meu amigo que me envia ‘sweet lines’ para as minhas canções. Noutro dia, estava à procura de um título e ele enviou-me uma mensagem só com uma palavra: ‘telepatia’. Era o título perfeito”. Hum... Debrucemo-nos, pois, sobre Rock’n’Roll Consciousness, o ultimo álbum de Thurston Moore e inspeccionemos à lupa as contribuições de Radieux. Por exemplo, logo a abrir, "Exalted": “Peyote walker, sweet talker, soul stalker, spell weaver, receiver, herb-stink shaman, morphine woman, my opium girl, the free grass world, (…) I name her Arethrean”. Algures na net, alguém a descreve como “a drug-infused visit from sacred womyn (sic), sibyls, prophetesses, oracles, and goddesses reclaiming consciousness”… Experimentemos "Cusp": “Our consolations, they finish, when world karma heart is yours, (…) my divine source of love, the talisman under crescent sphere”.
O caso complica-se… e, perigosamente, muito mais ainda quando, em entrevista ao “Sidney Morning Herald”, Moore revela que o título do álbum lhe surgiu durante um curso de escrita criativa que orientou na Naropa University, em Boulder, no Colorado. Sim, Naropa, “a primeira universidade contemplativa dos EUA”, berço do “mindfulness movement” onde os “naropians” (é verdade, juro!) podem licenciar-se em “contemplative art therapy”, “contemplative psychology” ou “buddhist psychology”. Não há outra forma de o dizer: Thurston Moore, aos 50 e tal anos, virou hippie e receia-se seriamente que não haja caminho de regresso. Consolemo-nos, então, com o facto de, musicalmente, Rock’n’Roll Consciousness ser o seu melhor álbum desde o fim dos Sonic Youth: com Debbie Googe (My Bloody Valentine), Steve Shelley e James Sedwards – a mesma equipa do anterior The Best Day (2014) –, é uma poderosa descarga eléctrica no ponto de encontro entre SY, Feelies, Television e Crazy Horse como há muito apetecia escutar.
11 December 2015
VINTAGE (CCXC)
Neil Young & Crazy Horse - "Like A Hurricane"
(de Weld)
(de Rust Never Sleeps)
08 December 2010
A HIPÓTESE ACÚSTICA
Neil Young - Le Noise
A Neil Young nunca poderá aplicar-se aquela frase – especialmente concebida para os intocáveis do Olimpo pop – que qualquer crítico de música (este incluído) tem sempre, pronta a utilizar, no seu kit de sobrevivência: “ele é geneticamente incapaz de gravar um mau álbum”. Não, Young ostenta desgraçadamente no currículo três ou quatro daqueles discos que, por toda a eternidade, nos interrogaremos acerca do que lhe passava pela cabeça quando imaginou que alguém no mundo aprovaria tal derramamento estético. Re-ac-tor (1981), colagem abstrusa à new wave, Trans (1982), uma inexplicável espécie de Kraftwerk de botas de cowboy, Greendale (2003), "audionovel" – com filme e álbum – político-ecologista-tolinha ou Fork In The Road (2009), elegia ao seu Ford Continental convertido às energias alternativas, não teriam deixado o mundo da música mais pobre se nunca tivessem acedido à existência física.
Esse lado de chutar para onde está virado – tanto quando apelou ao voto em Reagan como quando cantou (em Living With War, 2006) cobras e lagartos sobre W Bush – até poderá encantar por via de uma certa candura primordial mas, no que à música diz respeito, há que reconhecer que, aos sessentas bem medidos, já deveria ter digerido e regurgitado a norma rock’n’roll. Porque Le Noise é pouco mais do que uma demo-tape (processada pela máquina de efeitos sonoros de Daniel Lanois) de Neil para-os Crazy-Horse-sem-os-Crazy-Horse (i. e., voz e guitarra a solo), em que os únicos momentos que valem a pena são as revisitações da hipótese acústica em "Love And War" e "Peaceful Valley Boulevard". E quase só importa a perplexidade da primeira: “When I sing about love and war I don’t really know what I’m saying”. Mas alguém sabe, Neil?
(2010)
05 January 2008
ALGUMA COISA O DISTRAÍU
Neil Young - Chrome Dreams II
Quando, há três anos, foi, finalmente publicado Smile, de Brian Wilson – provavelmente, o “lost album” de mais mítico e longo curso na história-pop – houve, inevitavelmente, que lhe proporcionar o aconchego contextual de uma lista de vários outros colegas de clandestinidade prolongada. E, para além de Brian Eno, My Bloody Valentine, Pink Floyd ou Prefab Sprout, aí aparecia também Neil Young na qualidade de detentor de um dos maiores acervos de inéditos lendários (naturalmente, há muito circulando subterraneamente, sob a forma de “bootlegs”): Homegrown (1975), Live (1970), Island In The Sun (1982), Old Ways I (1983), Times Square (1989) e Chrome Dreams (1977) são só alguns exemplos. Como é também inerente aos “lost albums”, das doze faixas originais de Chrome Dreams, Neil Young, ao longo dos anos – em American Stars’n’Bars (1977), Rust Never Sleeps (1979), Freedom (1989) e Unplugged (1993) –, já se encarregara de gravar “oficialmente” várias (e não das menores do seu “songbook”…), caso de, entre outras, “Like A Hurricane”, “Powderfinger”, “Look Out For My Love”, “Pocahontas”, Will To Love” ou “Sedan Delivery”. O que, à primeira vista, quando se tropeça num Chrome Dreams II, faria pensar que talvez aí viesse uma versão revista e aumentada desse objecto de veneração, fruto de mais uma investida de Young na eternamente anunciada e adiada publicação definitiva dos seus Archives. Ora bem, é disso e não é disso que se trata: Chrome Dreams II é a sequela com trinta anos de atraso de um álbum nunca publicado, constituída por temas dispersos excluídos de vários álbuns publicados (ou não) mas que, desde há bastantes anos, figuravam noutros “bootlegs” e “setlists” de concertos, acrescido de uns quantos originais recentes.
Confusos? Vamos, então, observar à lupa: do original Chrome Dreams (aliás, assim baptizado pelos fãs que o lançaram numa vida de delinquência), substituído por American Stars’n’Bars, não resta um único tema; “Ordinary People” provém das sobras de This Note’s For You (1988); “Beautiful Bluebird” falhou a entrada em Old Ways (1985); “Boxcar” constava do alinhamento de outro “lost”, Times Square, preterido em favor de Freedom. Acerca destas curvas e contracurvas da sua discografia, Neil Young tem uma visão saudavelmente descontraída: “Trabalho para a minha musa. Começamos um álbum e as coisas correm umas vezes melhor, outras pior. Nunca posso dizer que tenha uma ideia exacta do que se vai passar. Muitas vezes, não há uma boa razão para um disco ter ficado perdido pelo caminho. Gravei-o, passou por mim, alguma coisa me distraíu e esqueci-me do que tinha estado a fazer antes. Acontece-me muito isso”. O que estávamos, pois, a perder em consequência das “distracções” dele? Essencialmente, os dois imensos épicos, “Ordinary People” e “No Hidden Path” (18 e 14 minutos de duração, respectivamente) que, se não têm a estatura de “Like A Hurricane” ou “Cortez The Killer”, nem por isso deixam de voltar a sublinhar que Neil Young, não sendo Dylan, quando as palavras o estorvam, entrega com esmagadora vantagem o discurso às labaredas da guitarra.
“No Hidden Path” é pura incandescência e “Ordinary People” combina texto e demência eléctrica em algo como uma “Penny Lane” virada do avesso, uma fanfarra em louvor do “common man”, encenada sobre o pesadelo de uma alucinação distópica povoada por traficantes de armas, espectros de Las Vegas, “warlords”, proletários desempregados, pistoleiros, “homeless”, vigilantes. O mundo real, enfim. São as duas canções que, verdadeiramente, (muito) contam. Porque as outras contentam-se em reiterar a proverbial ciclotimia estética de Young – do oito do rústico bucolismo folk/country, ao oitenta de bisavô do “grunge” –, certamente melhor do que a maioria (e, aqui, ao reunir companheiros provenientes, simultaneamente dos Crazy Horse – Ralph Molina –, Stray Gators – Ben Keith –, e Bluenotes – Rick Rosas – toca praticamente em todas as suas “valências”), mas, nesta etapa da sua longa biografia, já pouco fértil em surpresas. (2007)
Pope Benedict XVI's recent trip to Brazil seems to have done little to shore up the Catholic Church's declining power in its Latin American heartland. It went a long way, however, towards confirming Benedict's reputation as a reactionary bigot.
Benedict, of course, is the former Cardinal Joseph Ratzinger. Throughout the 1980s, he was Pope John Paul II's enforcer in the campaign to expunge the dangerously progressive ideals of Catholic "liberation theology" from Latin American soil. What could not be accomplished by state terrorists, who killed thousands of members of Christian "base communities" in the 1970s and '80s, Ratzinger and John Paul sought to engineer by installing conservative bishops who would stem the progressive tide. Fortunately, they seem to have failed. An account by Larry Rohter in the New York Times (May 7) notes that the movement which Ratzinger "once called 'a fundamental threat to the faith of the church' ... persists as an active, even defiant force in Latin America," with some 80,000 base communities operating in Brazil alone. It is fuelled, as it always has been, by the "social and economic ills" that pervade the region, and that have only "worsened" under the neoliberal prescriptions of the past two decades.
Neil Young And Crazy Horse - Cortez The Killer
This time around, Ratzinger/Benedict's bile was directed not at liberation theology, but squarely at the historical memory of the serial genocides -- probably the most destructive in human history -- inflicted upon the indigenous peoples of the Americas. On the last day of his visit, in the city of Aparecida, the Pope "touch[ed] on a sensitive historical episode," in the blandly understated language of an Associated Press dispatch (May 13). In other words, he ripped the bandages off a still-suppurating wound. According to the official text of Benedict's comments on the Vatican website, the Pope declared that "the nations of Latin America and the Caribbean" were "silently longing" to receive Christ as their savior. He was "the unknown God whom their ancestors were seeking, without realizing it ..." Colonization by Spain and Portugal was not a conquest, but rather an "adoption" of the Indians through baptism, making their cultures "fruitful" and "purifying" them. Accordingly, "the proclamation of Jesus and of his Gospel did not at any point involve an alienation of the pre-Columbian cultures, nor was it the imposition of a foreign culture."
So there we have it. The invasion and conquest of the Americas, which caused the deaths of upwards of 90 percent of the indigenous population, was something the Indians had been pining for all along. They weren't just "asking for it," as sexist cranks depict women as complicit in their own rapes. They were actually "longing" for it, since salvation and "purification" came with it.
(...)
Benedict's astounding comments attracted barely a flicker of media attention in the West -- almost all of it on the wire services, and some of it problematic in itself. A May 13 Reuters dispatch noted blithely that, contrary to Benedict's claims, "many Indian groups believe the conquest brought them enslavement and genocide." This is rather like writing that "many Jewish groups believe that the Nazi Holocaust brought Jews enslavement and genocide." The reality exists independently of the belief. As blogger Stentor Danielson points out: "In the real world, it's a basic historical fact that the Indians were enslaved. It's a basic historical fact that entire tribes were wiped out. The reason [that] 'many Indian groups believe' these historical facts is because people like Reuters' craven reporters won't admit when there's a fact behind the claims."
Indian organizations and spokespeople expressed outrage at Benedict's statements, calling them "arrogant and disrespectful." Sandro Tuxa, leader of a coalition of Indian tribes in Brazil's impoverished northeast, declared: "We repudiate the Pope's comments. To say the cultural decimation of our people represents a purification is offensive, and frankly, frightening" (Reuters, May 14).
Neil Young - Pocahontas
Frightening indeed. Genocide scholar Greg Stanton describes denial as the final stage of genocide: "The perpetrators of genocide dig up the mass graves, burn the bodies, try to cover up the evidence and intimidate the witnesses" (see Stanton's "Eight Stages of Genocide" on the Genocide Watch website). Genocidal perpetrators, and those who inherit their mantle, also seek to "purify" historical memory -- as Turkish authorities unceasingly, but so far unsuccessfully, have sought to do in the case of the Armenian genocide.
Stanton also reminds us that denial is "among the surest indicators [that] further genocidal massacres" may lie ahead. That's a thought worth pondering, as the reinvigorated indigenous movement in Latin America confronts a renewed neo-colonial assault on its culture, health, and means of subsistence.
(comentário: a variante Mormon, no seu pitoresco estilo de fantasy/sci-fi, pelo menos não é tão repulsiva) (2007)