"Uma coisa é certa: já não há ninguém a reclamar a revolução, isto é, a violência revolucionária (e não devemos confundir revolta — essa sim, sempre actual e conhecendo sempre novas formas — com revolução). A palavra e a coisa foram banidas de uma vez por todas. Um dos escritos mais revolucionários dos últimos anos (assinado por um denominado 'Comité Invisible'), garantia que a democracia não passa de 'governo em estado puro', isto é, de poder gestionário, e lembrava uma frase cínica de Rivarol: 'Há duas verdades que neste mundo não devem nunca ser separadas: 1) que a soberania reside no povo; 2) que ele nunca deve exercê-la'. Seguindo este preceito, o 'comité invisible' proclamava: 'Eles querem obrigar-nos a governar, nós não cederemos a esta provocação'" (AG)
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30 July 2021
16 August 2019
“O poder é logístico. Bloqueemos tudo!”
Frase de origem anónima, que não foi pronunciada pelos sindicato dos motoristas de matérias perigosas, mas poderia ter sido.
Frase de origem anónima, que não foi pronunciada pelos sindicato dos motoristas de matérias perigosas, mas poderia ter sido.
Esta frase, grafitada nas ruas de Turim e fonte de inspiração de movimentos de insurreição recentes, serviu de título a um capítulo do livro À nos amis (2014), do auto-intitulado “Comité Invisible”. A ideia de que o verdadeiro poder não está nas instituições, mas nas infra-estruturas, na organização material – e também imaterial, cibernética - cada vez mais vulnerável da nossa vida quotidiana, pode ser facilmente verificada na greve dos motoristas de matérias perigosas. Estes homens perceberam isso muito bem e puseram em acção esse poder que não é uma força de classe, mas um poder estratégico. Não é um poder revolucionário, mas muito mais de tipo insurrecional. Contra ele, o fraco poder governamental reduz-se a nada, a não ser chamando o exército e a polícia, instaurando o estado de excepção militar que se chama, eufemisticamente, “requisição civil”. A diferença entre o que é da ordem da política e o que é da ordem da polícia, já de si tão ténue no nosso tempo, anula-se agora completamente e a sede do governo torna-se um quartel-general da cúpula governamental-policial. (AG)
31 December 2018
"From whatever angle you approach it, the present offers no way out. This is not the least of its virtues. From those who seek hope above all, it tears away every firm ground. Those who claim to have solutions are contradicted almost immediately. Everyone agrees that things can only get worse. 'The future has no future' is the wisdom of an age that, for all its appearance of perfect normalcy, has reached the level of consciousness of the first punks. (...)
Here lies the present paradox: work has totally triumphed over all other ways of existing, at the very moment when workers have become superfluous. Gains in productivity, outsourcing, mechanization, automated and digital production have so progressed that they have almost reduced to zero the quantity of living labor necessary in the manufacture of any product. We are living the paradox of a society of workers without work, where entertainment, consumption and leisure only underscore the lack from which they are supposed to distract us. (...) The order of work was the order of a world. The evidence of its ruin is paralyzing to those who dread what will come after. (...)
Today work is tied less to the economic necessity of producing goods than to the political necessity of producing producers and consumers, and of preserving by any means necessary the order of work. (...) We have to see that the economy is not 'in' crisis, the economy is itself the crisis. It’s not that there’s not enough work, it’s that there is too much of it" (The Coming Insurrection)
30 December 2018
"A política do medo e a construção de inimigos públicos são formas típicas da 'governamentalidade' do nosso tempo. Desta formação paranóica, desta fabricação de um espantalho mediático, não há episódio mais ridículo (mas nada inócuo para quem sofreu as suas consequências) do que o chamado 'caso Tarnac'. Recordemo-lo: em Outubro de 2008, uns ferros voluntariamente colocados sobre as catenárias do TGV, numa das redes dos caminhos de ferros franceses, causou perturbações no tráfico ferroviário. Para o procurador do Ministério Público, essa tentativa de sabotagem tinha por trás uma assinatura, consagrada em textos teóricos, assinados por um colectivo que dava pelo nome de 'Comité Invisible', que tinha, aliás, publicado no ano anterior nas Éditions La fabrique, um livro intitulado L’insurrection qui vient. Uns filósofos anónimos, autores de pequenos livros com uma escrita tão requintada como a dos situacionistas, a sabotar o TGV e a provocar potencialmente um desastre de grandes dimensões – eis uma hipótese que o Ministério Público francês levou a sério, determinando a prisão de um dos membros do 'Comité Invisible', Julien Coupat, apresentado como 'chefe' e, por isso, chamado a responder pela 'direcção de uma estrutura de vocação terrorista', isto é, uma 'célula invisível' voltada para a 'luta armada'. Julien Coupat esteve preso durante seis meses. Nunca antes a filosofia política tinha sido levada tão a sério" (AG)
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