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28 January 2022

Vá lá que o Mao, o Enver Hoxha, o Estaline, a Krupskaya, o Pol Pot, o Fidel, o Beria, o Ho Chi Minh, o Kim Il-Sung, o Guevara, e a Rosa Luxemburgo se safaram da devastadora fúria do bardo... 
 

24 August 2021

O PAÍS DOS ZEZÉS (LXVIII)

Finalmente, alguém enfrenta os verdadeiros problemas

Um charuto para cada seixalense!

Um bigode (como deve ser) para cada seixalense!

Um lingueirão (só um, nada de abusos) no arroz para cada seixalense!

28 July 2020

COMO SE FOSSE HOJE 


Durante a Convenção Nacional Democrática de 1968, em Chicago, por iniciativa dos “yippies” do Youth International Party, o porco Pigasus foi apresentado enquanto candidato à presidência dos EUA, sob o lema “Eles nomeiam um presidente e ele devora o povo. Nós nomeamos um presidente e o povo come-o”. No centro da operação, Jerry Rubin, Abbie Hoffman e Phil Ochs que comprara o suino de 66 quilos a um criador. Durante o julgamento dos Chicago Seven – Hoffman, Rubin, David Dellinger, Tom Hayden, Rennie Davis, John Froines e Lee Weiner – que, daí e dos protestos de rua em que participaram resultaria, depondo em tribunal a favor da defesa, Ochs recitou a letra da sua canção ‘I Ain't Marching Anymore’ (“It's always the old to lead us to the wars, always the young to fall, now look at what we've won with a saber and a gun, tell me is it worth it all?”) e, à saída, cantou-a para os jornalistas. 


O puto que, adolescente, se imaginara John Wayne, James Dean e Elvis Presley num só, ao chegar a Greenwich Village em 1962, depressa se transformaria numa das figuras destacadas da cena folk politicamente activa, que preferia ser visto como “singing journalist”, autor de “topical songs”. Apesar de uma oscilante rivalidade com Bob Dylan, não hesitou em dar-lhe a benção quando o “Dylan eléctrico” foi excomungado pela ortodoxia folk. Na verdade, ele próprio viria a incorrer em heresia nos magníficos Pleasures Of The Harbor (1967) e Tape From California – cofres de assombrosas canções densamente orquestradas como "Floods Of Florence", "The Crucifixion" ou "The Party" – ou, quando, desencantado com a mansidão folk, decidiu ser imperativo “transformar Elvis em Che Guevara”. The Best Of The Rest: Rare and Unreleased Recordings recolhe 20 versões alternativas, demos e inéditos do período entre I Ain’t Marching Anymore (1965) e In Concert (1966), da aterradoramente kafkiana "The Confession" (“When agreement is full, the switch must be pulled and the chair leaves no hope for correction, but the chances are large he was guilty as charged, after all, he made a confession”) ao enredo desgraçadamente intemporal de "In The Heat Of The Summer" (“Now no one knows how it started, why the windows were shattered, but deep in the dark, someone set the spark and then it no longer mattered, down the streets they were rumbling, all the tempers were ragin', oh, where, oh, where are the white silver tongues who forgot to listen to the warnings?”). Exactamente tudo como se fosse hoje.

25 April 2019

Scott Walker - "We Came Through"



We came through
We came riding through like warriors from afar
Our black horses danced upon the graves of yesterday's desires
Haunted by our visions framed in fire
I greet you, for you still believe in what's behind a door
You've seen the children freeze upon their knees
And praying to the wind
Descend their grey madonnas back again

Fire the guns, and salute the men who died for freedom's sake
And we'll weep tonight, but we won't lie awake
Gazing up at statues dressed in stars
We won't dream, for they don't come true for us
Not anymore
They've run afar to hide in caves
With haggard burning eyes
Their icy voices tear our hearts like knives

We came through
Like the Gothic monsters perched on Notre Dame
We observe the naked souls of gutters pouring forth mankind
Smothered in an avalanche of time
And we're giants
As we watch our kings and countries raise their shields
And Guevara dies encased in his ideals
And as Luther King's predictions fade from view

We came through
We came through
We came through
We came riding through

12 April 2015

 


I love you Alice B. Toklas 
And so does Gertrude Stein 
I love you Alice B. Toklas 
I'm gonna change your name to mine 

Red velvet trees and lions, grinning lions, candy witches 
Eating lychee leaves, spinning rainbowing light 
Green wooly golden gardens, marvin gardens 
Coriander baby elephants singing silent night 

Sweet cinnamon and nutmeg, 
Che Guevara Teotihuacan aglow 
Clean cannabis sativa, sweet sativa 
Chocolate and mountain snow 

Waltz with the furry fishes, curry dishes, 
Silly tigers wearing butterflies flying further than far 
Kiss lime and lemon ladies, ice cream ladies 
Orphan Annie, Ernest Hemingway strumming Bonnie's guitar 

I love you Alice B. Toklas...

11 April 2015



Uma surpreendente sequência de resultados!!! Angela Davis afasta Che Guevara, Rosa Luxemburgo elimina Trotsky e Lenine é esmagado por Gramsci (menos inesperado o afastamento de Lukacs por Engels)! A meia-final feminina, Davis/Luxemburgo, concentra todas as atenções mas a outra, Engels/Gramsci, não é menos trepidante!!!

31 March 2015

 

Numa final antecipada, Che derrubou Mao! Como se previa, Trotsky, Engels, Gramsci e Lenine qualificaram-se para os quartos de final e Angela Davis, Rosa Luxemburgo e Lukacs (que eliminou Debord) também. O torneio está ao rubro! 

22 March 2015

 

Destaque na 3ª jornada para os trepidantes embates Mao/Che e Debord/Lukacs! (se não acontecerem surpresas nem surgirem tomba-gigantes, Trotsky, Lenine e Engels deverão apurar-se para a ronda seguinte; tudo permanece em aberto nos encontros Benjamin/Luxembourg, Davis/Harvey, e Althusser/Gramsci).

13 June 2013

FELTRINELLI POP


O cérebro humano é um órgão maravilhosamente absurdo. Se, em 1830, Joseph Smith, no Livro de Mórmon, procurou persuadir os seus seguidores que, no século VI a.C., três tribos judaicas emigraram por mar para a América do Norte, sendo elas, na realidade, os verdadeiros antepassados dos índios americanos aos quais, naturalmente, depois do episódio montypythoniano "Look on the bright side of life", Jesus foi pregar um novo Evangelho, cerca de 40 anos antes, já o galês John Evans havia partido em expedição para o Novo Mundo em busca das míticas tribos que, segundo a lenda do príncipe Madog – suposto descobridor da América com 3 séculos de avanço sobre Colombo –, falariam o dialecto galês. Porque, aparentemente, Evans seria distante antepassado de Gruff Rhys (figura singular originária dos peculiaríssimos Super Furry Animals), no Verão passado, este decidiu organizar a sua digressão pelos EUA, orientando-se por um dos mapas que Evans deixou. Mas, entretanto, tinha já entre mãos outro empreendimento também não exactamente vulgar: a reactivação do duo Neon Neon (com o produtor Bryan Hollon aka Boom Bip), criado para a gravação, em 2008, de Stainless Style, um biopic sonoro sobre John DeLorean – “inventor” do DeLorean DMC-12, o automóvel convertido em "time machine" no filme Back To The Future –, agora dedicado à história de outra personagem fascinante, Giangiacomo Feltrinelli.

     
Marquês de Gargnano, nascido numa das mais ricas famílias de Itália, durante a 2ª Guerra integrou a luta armada contra Mussolini e aderiu ao PCI, fundou a Feltrinelli Editore (que publicou, entre muitos outros, O Leopardo, de Lampedusa, Trópico de Câncer, de Henry Miller, e Doutor Jivago, início do azedar da relação com os seus camaradas comunistas), jogou basquete com Fidel Castro, popularizou a famosíssima foto de Che Guevara (por Alberto Korda) na capa dos Diários de Bolívia e, em 1969, fundou os GAP (Gruppi d'Azione Partigiana), contemporâneos das Brigadas Vermelhas nos Anos de Chumbo da guerrilha urbana em Itália. Morreria em 1972, por acidente com explosivos junto a um poste de alta tensão ou (as versões divergem) assassinado pela polícia e, embora com contornos assaz diferentes, de modo equiparável ao que se passou com o francês Jacques Mesrine (a autobiografia Instinto de Morte acaba de ser traduzida em português), entrou para o panteão dos fora-da-lei glorificados. A estratégia estética Neon Neon para Praxis Makes Perfect consistiu, então, em, sobre uma matriz de "synthpop" abstractamente "eighties" que funciona como tela de projecção neutra, cunhar vinhetas informativas em registo "fake-radio" entregues à voz de Asia Argento, ironizar pela citação e alusão subtis – “I've got the brains, you've got the looks”, de "Opportunities (Let's Make Lots Of Money)", dos Pet Shop Boys, vira “I’ve got the books, you’ve got the looks” cantado pela heroína "kitsch" italiana Sabrina Salerno, a do biquini indiscreto no videoclip de "Boys" – ou, em "Mid Century Modern Nightmare", inventar uma bissectriz entre os Magnetic Fields e Human League francamente viável. Tivesse sido Momus a pegar na ideia, e Praxis Makes Perfect seria, possivelmente, uma preciosidade. Com assinatura Neon Neon não deixa, ainda assim, de ser recomendável.