"O riso liberta o aldeão do medo do diabo, porque na festa dos tolos também o diabo aparece pobre e tolo, portanto controlável. Mas este livro poderia ensinar que libertar-se do medo do diabo é sabedoria. Quando ri, enquanto o vinho borbulha na sua garganta, o aldeão sente-se patrão, porque inverteu as relações de senhoria (...)
O riso distrai, por alguns instantes, o aldeão do medo. Mas a lei é imposta pelo próprio medo, cujo nome verdadeiro é temor a Deus. E deste livro poderia partir a fagulha luciferina que atearia no mundo inteiro um novo incêndio: e
o riso seria designado como arte nova, desconhecida até de Prometeu, para anular o medo" (Umberto Eco, O Nome da Rosa - continua aqui)