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14 August 2023

A QUINTA VIDA

Joni Mitchell é, declaradamente, uma irremediável gatófila. Na capa de Taming The Tiger (1998), já nos havia dado a conhecer, pintado por ela, o belíssimo abissínio, Nietzsche ("A little lavender lion who looks like an alien and walks on his hind legs as an expression of affection for me") e, aquando da publicação de Joni Mitchell Archives Vol 1: The Early Years (1963-1967), numa entrevista com Cameron Crowe publicada no "Guardian", em Outubro de 2020, era-nos apresentado Bootsy, um muito jovem laranja que, após ter-se esgueirado para o jardim de Joni pela meia noite da véspera como candidato a residente permanente, estava prestes a consegui-lo. Talvez tenha sido por via dessa intensa afinidade que Joni terá adquirido as lendárias nove vidas felinas das quais tem disposto tão liberal quanto parcimoniosamente. (daqui; segue para aqui)

08 February 2021

Chuck Berry With Bruce Springsteen & The E Street Band - "Johnny B. Goode"
 
(sequência daqui) Mas, no topo do seu panteão privado, encontra-se, se calhar, surpreendentemente, Chuck Berry: “Ele era o meu preferido. Um grande documentarista da sua época. As canções eram sempre cheias de colorido local. Eram fantásticas. Coloquiais. E rítmicas. Era um escritor de canções magnífico”. Colorido local (e individualizado) é o que não falta nas memórias que vai partilhando com Cameron Crowe que atribuem ao "booklet", pelo menos, metade do valor do "box-set". Justamente, acerca do seu primeiro (e único) encontro com Chuck Berry, conta como ela e Graham Nash que tinham ido ao Miami Pop Festival, em consequência de trapalhadas várias do serviço de reservas do hotel onde ficaram, se viram obrigados a aceitar um quarto na zona do pessoal, com casa de banho partilhada. Foi aí que, a certa altura, uma porta se abriu e entrou... Chuck Berry. “Saí rapidamente, voltei para o quarto e gritei: 'Graham, o Chuck Berry está na nossa casa de banho!' Respondeu-me: 'Olha, vamos enrolar-lhe um charro'. Enrolámos o charro, batemos à porta da casa de banho, e ali estava ele com uma rapariga. Virou-se para nós e disse: 'Nesta cidade, não há nada de jeito para fazer a não ser ver televisão e dar quecas. É o que vamos fazer agora mesmo'. Despedimo-nos e voltámos para o quarto. Foi assim o meu encontro com o Chuck”. (segue para aqui)

Joni Mitchell (Crosby, Stills, Nash) - "Get Together"

06 February 2021

 
(sequência daqui) Terá de haver algum motivo insondável para que a quase fadista Cristina Branco tenha escolhido incluir no seu reportório "A Case Of You" e "Cherokee Louise". Porque, do que a autora de ambas revela na preciosa conversa com Cameron Crowe – fã reverente, jornalista, cineasta, argumentista, produtor, actor – reproduzida nas 36 páginas do "booklet", dir-se-ia que só no “quase” se poderá encontrar, talvez, a explicação: interrogada sobre se, no trajecto da folk para o "songwriting" e, daí, para o jazz, para a colaboração com Charlie Mingus e para os trabalhos de orquestração, não poderia ver-se o dedo do destino, Mitchell responde sem hesitar “Não, não ligo nenhuma ao destino. Nem compreendo, de todo, o conceito de destino”. Não é a única vez que, ao longo da troca de ideias, ela é assim tão afirmativa. Pronta a reconhecer Buffy Sainte-Marie, Woody Guthrie, Tom Rush, o Kingston Trio, Judy Collins, Peter, Paul & Mary, Dave Van Ronk e Lambert, Hendricks & Ross (um trio de jazz vocal) como músicos que admirava e a influenciaram (“Tudo o que aprendi foi por admiração e osmose”), quando o nome de Joan Baez é pronunciado, e reacção é instantânea: “Não fui, de modo nenhum, influenciada por Joan Baez. Que isso fique bem claro”. Já a propósito de Leonard Cohen, tudo é bem diferente: “Ouvi-o no Newport Folk Festival. 'Suzanne’ foi uma canção que me impressionou muito. Foi o primeiro que, verdadeiramente, admirei. Deixou-me com a impressão de quão imaturas as minhas canções eram. Ele era um adulto. Era assim que os adultos escreviam” (segue para aqui).